O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (29) que pretende conversar com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre as eleições presidenciais brasileiras, mas voltou a criticar a votação que garantiu a reeleição do petista. Questionado por jornalistas sobre o resultado do segundo turno, realizado no domingo (25), o republicano classificou o processo eleitoral como uma “desgraça” e disse que não tomou partido durante a disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Trump também afirmou que sua neutralidade teria ocorrido após um pedido do próprio presidente brasileiro. Segundo o norte-americano, Lula solicitou que ele não se posicionasse a favor de nenhum candidato. A declaração acrescenta um novo elemento às discussões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, já que a Casa Branca ainda não havia divulgado um reconhecimento formal da vitória de Lula até o momento da manifestação.
Trump evita reconhecer Flávio Bolsonaro como presidente do Brasil: “Não vou me envolver”
Trump afirma que Lula pediu neutralidade na eleição
Durante uma conversa com jornalistas nesta quinta-feira, Donald Trump foi questionado sobre a possibilidade de reconhecer o resultado das eleições brasileiras e sobre um eventual contato com Lula.
O presidente dos Estados Unidos respondeu que pretende conversar com o brasileiro, mas reiterou sua avaliação negativa sobre a maneira como a votação foi conduzida.
Trump também afirmou que acompanhou o processo eleitoral e decidiu não manifestar apoio público a nenhum dos candidatos.
“Eu assisti à eleição e eu não tomei partido. Eu deixei acontecer. O atual presidente me pediu para não tomar partido. Eu não tomei partido. Mas quando eu assisti o que aconteceu no Brasil foi uma desgraça.”
A declaração representa a versão apresentada por Trump sobre um pedido de neutralidade feito por Lula. Até o momento, não foi divulgada uma confirmação independente de que o presidente brasileiro tenha feito a solicitação nos termos relatados pelo norte-americano.
Trump não detalhou quando pretende conversar com Lula nem informou se o contato ocorrerá por telefone ou presencialmente.
Presidentes conversaram sobre eleições em agosto
Lula e Trump já haviam discutido o processo eleitoral brasileiro em uma conversa telefônica realizada em agosto deste ano.
Na ocasião, segundo informações atribuídas a interlocutores do Palácio do Planalto, o presidente norte-americano perguntou sobre o andamento das eleições no Brasil.
Lula respondeu que a disputa transcorria normalmente, com diferentes candidatos concorrendo à Presidência da República, e ressaltou a segurança do sistema eleitoral brasileiro.
A conversa durou mais de uma hora e ocorreu em um período de negociações diplomáticas e comerciais entre os dois países.
A declaração desta quinta-feira não esclarece se o suposto pedido de neutralidade mencionado por Trump teria sido feito durante aquele telefonema ou em outra ocasião.
Presidente americano já havia questionado votação sem apresentar provas
Esta não foi a primeira vez que Donald Trump criticou as eleições brasileiras após a reeleição de Lula.
Na segunda-feira (26), um dia depois do segundo turno, o republicano afirmou que o processo eleitoral lhe pareceu irregular e questionou a prorrogação do horário de votação em determinadas seções.
“Não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada.”
Na ocasião, Trump também afirmou que gosta de Lula e mantém uma boa relação com o presidente brasileiro, apesar das críticas ao pleito.
O norte-americano não apresentou documentos, dados ou outras evidências que comprovassem fraude eleitoral.
A principal crítica mencionada por Trump estava relacionada à decisão de ampliar o período de votação até as 19h de domingo (25).
A medida foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após relatos de dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação.
A prorrogação não autorizou a reabertura de urnas que já haviam encerrado os trabalhos.
TSE confirmou reeleição de Lula no segundo turno
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial realizada em 25 de outubro.
Segundo os resultados oficiais, Lula recebeu 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 48,21%.
A diferença entre os candidatos ultrapassou 4,4 milhões de votos.
A Justiça Eleitoral informou que aproximadamente 35 mil eleitores votaram depois das 17h, durante a extensão do horário de votação.
O número representa uma parcela pequena em relação à diferença final entre os candidatos, embora eventuais questionamentos jurídicos sobre os procedimentos eleitorais devam ser analisados pelas autoridades competentes.
Até o momento, não foram apresentadas provas públicas de fraude capazes de comprometer o resultado proclamado pelo TSE.
Flávio Bolsonaro também contesta resultado da eleição
As manifestações de Trump ocorrem em meio à contestação apresentada por Flávio Bolsonaro, candidato derrotado na eleição presidencial.
Após o segundo turno, o senador questionou a legitimidade do resultado e afirmou que pretende recorrer à Justiça.
Na quarta-feira (28), já nos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta em que inicialmente se apresentou como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.
Posteriormente, o documento foi alterado, substituindo a expressão por uma referência ao parlamentar como líder do Brasil.
Questionado sobre a manifestação do senador, Trump evitou endossar a declaração e afirmou que não pretendia se envolver diretamente na controvérsia.
O presidente norte-americano confirmou, entretanto, que seu governo autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro e de sua família nos Estados Unidos.
A autorização de entrada no país não representa reconhecimento diplomático das alegações feitas pelo senador.
Alckmin rebateu críticas de Trump ao sistema eleitoral
As declarações anteriores de Donald Trump sobre a eleição brasileira foram criticadas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Na segunda-feira (26), Alckmin classificou como equivocada a afirmação de que a disputa presidencial teria apresentado indícios de fraude.
O vice-presidente também defendeu que autoridades estrangeiras respeitem a soberania brasileira e o funcionamento das instituições responsáveis pelas eleições.
“Primeiro, não se interfere na política de outro país. E segundo, ele não tem nem um referencial para dizer isso.”
Apesar da divergência, Alckmin afirmou que o governo brasileiro pretende manter as negociações com os Estados Unidos.
A relação bilateral envolve temas como comércio exterior, tarifas de importação, investimentos e cooperação diplomática.
Próximos passos
Donald Trump afirmou que pretende conversar com Lula sobre as eleições brasileiras, mas não anunciou uma data para o contato.
Também não informou se o governo norte-americano divulgará um comunicado oficial sobre o resultado presidencial.
A eventual conversa poderá esclarecer a posição da Casa Branca diante da reeleição de Lula e as perspectivas para a relação entre os dois governos.
Enquanto isso, o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral permanece válido, e Lula está previsto para iniciar seu novo mandato presidencial em janeiro de 2027.
A repercussão das declarações de Trump continuará sendo acompanhada no contexto das relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos.