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Quem são os policiais eleitos após a megaoperação?
Felipe Curi, ex-secretário estadual de Polícia Civil, foi eleito deputado federal pelo Progressistas (PP), com 133.626 votos. Ele foi um dos nomes de maior destaque na condução da operação.

O coronel Marcelo de Menezes, ex-secretário de Polícia Militar, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) pelo Partido Liberal (PL), com 46.700 votos.

Já o delegado Bernardo Leal, que integrava a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) durante a ação, foi eleito deputado estadual pelo PP, com 57.254 votos. Ele foi baleado durante a operação, ficou internado por 47 dias e precisou amputar uma perna.

Operação Contenção deixou 122 mortos
Realizada em 28 de outubro de 2025, a Operação Contenção mobilizou forças policiais nos complexos da Penha e do Alemão. Ao todo, 122 pessoas morreram, entre elas cinco policiais, segundo os balanços divulgados sobre a ação.
A operação foi apresentada pelo então governador Cláudio Castro como uma ofensiva bem-sucedida contra o crime organizado. A letalidade, porém, provocou críticas de organizações de direitos humanos e abriu uma disputa pública sobre os métodos utilizados pelas forças de segurança.
O episódio também provocou divergências entre autoridades políticas. Enquanto Castro defendeu a atuação policial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a operação como uma ação desastrosa.

Estratégia de comunicação ajudou a construir projeção política
Aliados dos policiais eleitos atribuíram parte do desempenho nas urnas à estratégia de comunicação adotada após a operação. A presença em podcasts, entrevistas e publicações nas redes sociais ajudou a manter os agentes em evidência e a ampliar o debate sobre segurança pública.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Coronel Menezes afirmou que a disputa pela narrativa pública foi determinante para aproximar a atuação policial da opinião pública. Ele também reconheceu que a operação teve falhas que foram objeto de análise posterior.
Os três eleitos passaram a defender publicamente pautas relacionadas ao endurecimento das políticas de segurança e ao enfrentamento das facções criminosas.
Operação também recebeu críticas pela letalidade
Apesar do apoio de parte da população e de setores políticos, a Operação Contenção foi alvo de críticas por causa do número de mortos. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e outras entidades manifestaram preocupação com a letalidade da ação.
O debate também envolveu a ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, decisão do Supremo Tribunal Federal que estabeleceu regras e medidas de controle para operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro.
Autoridades estaduais criticaram as restrições impostas pela decisão, enquanto defensores das medidas apontaram a necessidade de reduzir mortes e garantir o cumprimento de protocolos de segurança e direitos fundamentais.
O que dizem os dados e os envolvidos?
Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada menos de um mês depois da operação apontou que 67% dos entrevistados aprovavam a ação, enquanto 25% desaprovavam. O resultado mostrou que a megaoperação teve apoio expressivo na opinião pública, embora também tenha provocado questionamentos sobre seus métodos e consequências.
Felipe Curi afirmou que a operação foi resultado de mais de um ano de investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes e de aproximadamente dois meses de planejamento conjunto com a Polícia Militar. Segundo ele, o objetivo era cumprir mandados judiciais e conter a expansão territorial das facções criminosas, não obter projeção eleitoral.
Com os resultados das eleições de 2026, os três agentes passam a levar o debate sobre segurança pública para dentro do Legislativo. A repercussão política da Operação Contenção, portanto, ultrapassou o campo policial e se tornou um dos temas que marcaram a disputa eleitoral no Rio de Janeiro.