Telescópio da NASA pode reentrar na atmosfera; Brasil está na faixa de possível queda de destroços

Após quase 22 anos em operação, o observatório Swift encerrou sua missão e deve voltar à atmosfera terrestre nas próximas semanas. Ainda não há previsão de que fragmentos atinjam o território brasileiro.
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Um telescópio espacial da NASA que encerrou suas atividades após quase 22 anos em órbita deve reentrar na atmosfera terrestre nas próximas semanas. O equipamento, chamado Neil Gehrels Swift Observatory, pode deixar fragmentos na superfície do planeta. Parte do território brasileiro está dentro da faixa de latitudes sobrevoada pelo observatório, mas não existe previsão de que os destroços caiam no Brasil.

A agência espacial norte-americana ainda não informou a data, o horário ou o local exatos da reentrada. A trajetória do equipamento e as condições da atmosfera influenciam o momento e a região em que ele entrará na atmosfera.

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Por que o Brasil está na faixa de possível queda?

O observatório percorre uma órbita inclinada aproximadamente 20,6 graus em relação à Linha do Equador. Essa característica faz com que sua trajetória passe por uma faixa que inclui parte do território brasileiro.

Isso significa que uma reentrada sobre o Brasil é fisicamente possível, mas não que o país tenha sido apontado como destino dos destroços. Segundo o astrônomo Marcos Calil, responsável pelo setor de observatório da Urânia Planetário, ainda não há dados que permitam afirmar onde os fragmentos poderão atingir a superfície.

O que pode acontecer durante a reentrada?

Ao entrar na atmosfera terrestre, o telescópio será submetido a um intenso aquecimento. Grande parte de sua estrutura deverá se desintegrar durante o processo, embora componentes mais resistentes possam sobreviver parcialmente e alcançar o solo.

Ainda não é possível determinar onde isso poderá ocorrer. A previsão depende do acompanhamento da altitude e da trajetória do equipamento até os momentos finais de sua descida.

Por que não é possível prever o local exato?

A reentrada depende de fatores que podem alterar o movimento do observatório, como mudanças na densidade da atmosfera e na atividade solar. Pequenas variações nessas condições podem modificar o momento em que o equipamento perde altitude e, consequentemente, o ponto de entrada na atmosfera.

À medida que o Swift se aproximar da Terra, os cálculos poderão ficar mais precisos. Por enquanto, a NASA não divulgou uma região específica de impacto.

Missão de resgate não conseguiu salvar o telescópio

Antes do encerramento definitivo das operações, houve uma tentativa de prolongar a vida útil do observatório. O plano previa o uso de uma espaçonave chamada LINK, desenvolvida pela empresa Katalyst Space Technologies, para capturar o Swift e elevar sua órbita.

A operação não foi concluída. Problemas técnicos no sistema de orientação da LINK impediram a captura do telescópio, e a tentativa de resgate foi encerrada. Sem meios próprios para recuperar altitude, o Swift continuou perdendo altura por causa do arrasto atmosférico.

O que o telescópio descobriu em quase 22 anos?

Lançado em novembro de 2004, o observatório foi projetado inicialmente para uma missão de dois anos, mas permaneceu em operação por quase duas décadas além do prazo original.

Durante esse período, o Swift observou mais de 2 mil explosões de raios gama, além de supernovas, buracos negros, asteroides e cometas. As observações ajudaram cientistas a investigar alguns dos fenômenos mais energéticos e distantes do Universo.

Mesmo com o fim das atividades, os dados científicos coletados pelo telescópio continuarão disponíveis para pesquisas. A reentrada marca o encerramento físico de uma missão que superou em muito a duração inicialmente planejada.

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