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Zoológico de Brasília tenta formar casal de onças-pintadas; conheça George e Meia-Noite

Macho resgatado de queimadas no Mato Grosso e fêmea retirada de criação ilegal no Pará passam por aproximação gradual; expectativa é que possam se reproduzir e contribuir para a conservação da espécie
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O Zoológico de Brasília está promovendo uma aproximação entre duas onças-pintadas na tentativa de formar um novo casal. Os protagonistas são George, um macho resgatado ainda filhote de uma região atingida por queimadas no Mato Grosso, e Meia-Noite, uma fêmea de pelagem escura que foi retirada de uma situação de criação ilegal no Pará. A iniciativa foi detalhada pelo zoológico nesta terça-feira (3).

Apesar da expectativa de que os animais possam ter filhotes futuramente, o processo ainda está na fase de adaptação. Por enquanto, George e Meia-Noite não convivem livremente no mesmo espaço. Eles revezam a permanência no recinto, permitindo que a equipe técnica acompanhe suas reações e avalie se existe compatibilidade entre os dois.

O trabalho faz parte das estratégias de conservação da onça-pintada, espécie considerada vulnerável à extinção no Brasil. Segundo o zoológico, não existe prazo definido para a formação do casal, já que a segurança e o bem-estar dos animais são prioridades durante todo o procedimento.

 

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Como funciona a aproximação entre George e Meia-Noite?

A equipe do Zoológico de Brasília adotou uma estratégia gradual para que as duas onças possam reconhecer a presença uma da outra antes de qualquer tentativa de convivência.

Nesta etapa, apenas um dos animais permanece solto no recinto por vez. O revezamento permite que os felinos se familiarizem com o ambiente e com os sinais deixados pelo outro, sem que precisem compartilhar imediatamente o mesmo espaço.

Veterinários, biólogos e tratadores acompanham o comportamento de George e Meia-Noite para identificar possíveis sinais de aproximação e avaliar as condições de segurança.

A formação de casais entre grandes felinos exige atenção especial, pois os animais possuem características individuais e podem apresentar reações diferentes diante de outro exemplar da mesma espécie.

Segundo o diretor-presidente do Zoológico de Brasília, Wallison Couto, o processo precisa respeitar o ritmo dos dois.

“A formação de um casal não depende apenas da aproximação física, mas, principalmente, da compatibilidade entre os indivíduos. Por isso, não trabalhamos com prazos ou expectativas pré-estabelecidas.”

O zoológico informou que continuará acompanhando cada etapa antes de decidir se os animais poderão permanecer juntos.

 

George foi resgatado ainda filhote após queimadas no Mato Grosso

George chegou ao Zoológico de Brasília em 2021, acompanhado do irmão Peter. Os dois foram resgatados ainda filhotes e órfãos em uma região do Mato Grosso atingida por incêndios florestais.

Depois do resgate, os irmãos foram encaminhados à instituição, onde receberam acompanhamento especializado e cresceram sob cuidados humanos.

Durante os primeiros anos, George e Peter compartilharam o mesmo recinto. Entretanto, conforme foram atingindo a maturidade, surgiu a necessidade de reorganizar os espaços.

Na natureza, onças-pintadas adultas costumam ter hábitos solitários, e a convivência entre machos pode se tornar mais difícil com o amadurecimento.

Por recomendação técnica do programa de conservação da espécie, Peter foi transferido em agosto de 2026 para o Bosque e Zoológico Fábio Barreto, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

A transferência também teve como objetivo possibilitar a formação de outro casal reprodutivo.

George permaneceu em Brasília, onde passou a participar do processo de aproximação com Meia-Noite.

 

Meia-Noite era criada ilegalmente como animal de estimação

A história de Meia-Noite também envolve um resgate realizado por órgãos ambientais.

A fêmea chegou ao Zoológico de Brasília em abril de 2025, depois de ser retirada de uma situação de criação ilegal em Santarém, no Pará.

Antes do resgate, ela era mantida como animal de estimação, prática que compromete o comportamento natural de animais silvestres e pode dificultar sua reintegração ao habitat de origem.

Segundo o zoológico, Meia-Noite apresenta um comportamento extremamente dócil em razão do histórico de contato com seres humanos.

Por esse motivo, a instituição considera que ela não reúne condições para retornar à natureza.

Desde sua chegada, a felina recebe alimentação, acompanhamento veterinário e cuidados específicos para garantir sua qualidade de vida.

Agora, ela participa de uma nova etapa de manejo que poderá resultar na formação de um casal com George.

 

Por que Meia-Noite tem a pelagem preta?

Uma das características mais marcantes de Meia-Noite é a coloração escura de sua pelagem.

Ela é uma onça-pintada melânica, condição genética que provoca uma produção maior de pigmentação escura nos pelos.

Embora seja popularmente chamada de onça-preta, Meia-Noite pertence à mesma espécie das onças-pintadas de coloração amarelada, conhecida cientificamente como Panthera onca.

A diferença está na aparência, e não na classificação da espécie.

As manchas características das onças-pintadas continuam presentes nos animais melânicos, mas podem ser difíceis de observar devido à coloração mais escura.

Isso significa que George e Meia-Noite pertencem à mesma espécie, apesar das diferenças visuais.

 

Formação de casal faz parte de programa de conservação

A possível reprodução de George e Meia-Noite está relacionada a um trabalho mais amplo de conservação de animais silvestres mantidos sob cuidados humanos.

O manejo segue recomendações do programa de conservação da onça-pintada, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB).

Esse tipo de programa considera fatores como o histórico dos animais, as condições de saúde, o comportamento e a diversidade genética das populações.

As transferências entre zoológicos também fazem parte dessa estratégia, permitindo que instituições diferentes participem da conservação da espécie.

No caso de George e Meia-Noite, a expectativa é que a aproximação possa evoluir para uma convivência segura e, eventualmente, para a reprodução.

Entretanto, o zoológico ressalta que a formação do casal não está garantida.

Mesmo quando dois animais pertencem à mesma espécie e apresentam condições biológicas para reprodução, a compatibilidade comportamental precisa ser avaliada.

 

Próximos passos

A equipe técnica continuará monitorando George e Meia-Noite durante o período de adaptação, observando como cada animal reage à presença do outro.

O zoológico não estabeleceu uma data para que os dois passem a dividir o recinto nem prevê quando poderá ocorrer uma tentativa de reprodução.

Caso a aproximação apresente resultados positivos, novas etapas poderão ser consideradas pelos profissionais responsáveis.

Por enquanto, o objetivo é garantir que os felinos se familiarizem de maneira segura. A possibilidade de futuros filhotes dependerá da evolução desse processo e das condições de bem-estar dos dois animais.

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