Com um primeiro tempo avassalador no Maracanã, o Flamengo fez 3 a 0 sobre o Grêmio na noite desta quarta-feira (4), consolidou a liderança do Campeonato Brasileiro com 73 pontos e abriu três de vantagem para o vice-líder Palmeiras na reta final da competição.
Flamengo domina, decide em 45 minutos e mira título
O jogo, válido pela 34ª rodada, começou com alguns minutos de atraso por causa da fumaça dos sinalizadores, mas o Flamengo não demorou a impor o ritmo. Organizado, intenso na pressão alta e muito à vontade com a bola, o time de Jardim transformou o primeiro tempo em um monólogo ofensivo diante de um Grêmio recuado e nervoso.
Samuel Lino abriu o placar aos 19 minutos. Após boa trama pela esquerda, o atacante finalizou forte na área, Grando fez grande defesa, mas o próprio Lino pegou o rebote e mandou por baixo do goleiro gremista para fazer 1 a 0.
O segundo saiu aos 27. Carrascal recebeu na entrada da área, partiu para cima, deu um chapéu em dois marcadores e rolou na medida para Pedro tocar na saída de Grando: 2 a 0, coroando a superioridade rubro-negra no meio-campo.
Já nos acréscimos, aos 47, o cenário se repetiu: nova chegada forte do Flamengo, chute, rebote de Grando e Pedro, bem posicionado, aproveitou de novo para marcar o terceiro. O árbitro havia dado três minutos de acréscimo, e o 3 a 0 ainda no primeiro tempo traduziu o atropelo.
A atuação rendeu elogios imediatos na transmissão. “Um ATROPELO do Flamengo sobre o Grêmio neste primeiro tempo no Maracanã! Daria para elogiar Pedro, Carrascal, Lino… Mas é necessário destacar o coletivo, o grupo. Baita atuação do time de Jardim até aqui! Esse primeiro tempo lembrou, e muito, o cenário daquela partida entre as equipes pela Libertadores, em 2019. Rapaz…”, analisou o comentarista Bayer.
Na etapa final, com a vantagem construída, o Flamengo administrou o resultado, controlou a posse e rodou o elenco, mas seguiu mais perto de ampliar do que de ser vazado. O Grêmio tentou se soltar, chegou a trocar passes no campo ofensivo em alguns momentos, mas esbarrou na falta de criatividade e na segurança da defesa rubro-negra.
Retornos, desfalques e força do elenco rubro-negro
O resultado ganha peso extra diante do cenário de elenco. O Flamengo teve baixas importantes, mas mostrou profundidade. “Alex Sandro, que realiza trabalho com a fisioterapia, Danilo, que cumpre atividades físicas, e Paquetá, que se recupera de dores no joelho esquerdo, são desfalques”, informou o clube antes da partida.
Ao mesmo tempo, jogadores-chave voltaram a ficar à disposição. “Além de Carrascal, que volta após cumprir suspensão, De la Cruz, Saúl e Valencia também estão novamente à disposição”, reforçou o Flamengo. Em campo, Carrascal justificou o retorno com participação direta na engrenagem ofensiva e na construção do placar.
Jardim ainda utilizou o bom momento para dar minutagem a outras peças. No segundo tempo, Royal e L. Araújo entraram nas vagas de Carrascal e Ayrton Lucas, mantendo a intensidade pelos lados. Arrascaeta, Pulgar, Léo Ortiz, Léo Pereira e Samuel Lino seguiram dando o tom de um time que troca passes com paciência na intermediária e acelera na hora certa.
Os números recentes explicam a confiança. No returno, o Flamengo soma 33 pontos em 14 jogos, com dez vitórias, três empates e apenas uma derrota, desempenho de 79%. No Maracanã, já fez 39 pontos em 16 partidas, dividindo a ponta entre os melhores mandantes do Brasileirão.
Grêmio volta a se complicar e sente pressão contra o rebaixamento
Do outro lado, o Grêmio deixa o Rio em alerta. Com 37 pontos, o time segue colado na zona de rebaixamento e vê a sequência positiva ser interrompida de forma dura justamente contra o líder.
O técnico gremista mexeu bastante na equipe ao longo do jogo. Tete, Pedro Gabriel e Marcos Rocha deram lugar a Amuzu, Enamorado e João Pedro. Antes, Caio Paulista e Braithwaite haviam tentado construir alguma coisa nos contra-ataques, mas quase sempre parando em Rossi ou na zaga formada por Léo Pereira e Léo Ortiz.
As melhores chegadas gaúchas saíram em bolas paradas e em raras escapadas. Villasanti, Braithwaite e Caio Paulista até finalizaram, mas sem transformar as oportunidades em pressão real. A defesa sofreu com a troca de passes rápida do Flamengo e teve dificuldades para sair jogando, com Kannemann e Gustavo Martins muitas vezes obrigados a rifar a bola.
Para completar o cenário de preocupação, o Grêmio ainda lidou com dúvidas físicas, como a situação do lateral Marlon, que sentia dores na perna esquerda antes do confronto. A atuação fraca, somada à tabela apertada na parte de baixo, deve intensificar a cobrança interna por ajustes táticos e, a médio prazo, por reforços para a próxima temporada.
Entenda o contexto
A vitória desta quarta-feira reforça o momento do Flamengo na briga pelo título. Líder com 73 pontos, o time se isola três à frente do Palmeiras e confirma o rótulo de principal candidato à taça, embalado pelo melhor ataque do campeonato, com 68 gols marcados, e líder em grandes chances criadas, com 114.
O Maracanã, mais uma vez cheio e barulhento, jogou junto. Houve cobrança e festa antes da bola rolar, mas a resposta em campo foi imediata. O clima lembra outras noites marcantes do clube, e a torcida passa a enxergar cada rodada como decisiva na caminhada para levantar o Brasileirão.
Para o Grêmio, o impacto vai além da tabela. A permanência na Série A é vital esportiva e financeiramente, envolvendo desde patrocínios até planejamento de elenco. Com 37 pontos, o Tricolor sabe que precisa reagir nas últimas rodadas para evitar o rebaixamento e suas consequências esportivas e econômicas.
Na prática, o Flamengo sai do Maracanã com moral elevada, elenco fortalecido e vantagem ampliada na liderança. O Grêmio, com a mesma pontuação e mais pressão, volta a campo sob a missão clara de somar pontos e virar a chave para que a derrota no Rio não marque uma virada negativa na reta final do campeonato.