Pessoas pretas e pardas representam 84,78% dos presos em flagrante atendidos pela Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) no primeiro semestre de 2026. O dado faz parte do 5º Relatório das Audiências de Custódia, que analisou 2.365 entrevistas e identificou um perfil marcado pela baixa renda, informalidade no mercado de trabalho e dificuldades de acesso à educação.
O levantamento mostra que 64,27% dos entrevistados se declararam pardos, enquanto 20,51% se identificaram como pretos. Outros 14,38% disseram ser brancos. A maior parte dos atendidos era formada por homens, que representavam 89,54% do total, e 69,05% declararam ser solteiros.
As condições econômicas também aparecem entre os principais indicadores da pesquisa. Segundo a Defensoria, 86,6% das pessoas entrevistadas não tinham carteira de trabalho assinada, 48,84% não haviam concluído o ensino fundamental e 28,29% informaram receber até um salário mínimo por mês.
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Relatório revela situações de vulnerabilidade social
Entre os atendimentos classificados com indicadores específicos de vulnerabilidade, pessoas em situação de rua representaram 49,53% dos registros. O estudo também identificou atendimentos a pessoas com deficiência, que corresponderam a 17,45%, e a indivíduos em crise de saúde mental, com 10,85%.
Outros grupos acompanhados incluíram idosos, com 4,72%, pessoas transgênero, com 2,36%, e migrantes, com 1,41%. Esses percentuais se referem ao recorte de situações de vulnerabilidade analisado pela Defensoria, e não necessariamente ao conjunto de todas as pessoas presas no Distrito Federal.
A pesquisa também examinou os tipos de ocorrência que levaram às prisões. Os crimes contra o patrimônio praticados sem violência corresponderam a 39,47% dos casos analisados. Além disso, 56,69% das pessoas entrevistadas eram primárias, ou seja, não possuíam condenação criminal definitiva anterior considerada para caracterizar reincidência.