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Bolsa de Valores vira para queda após abrir em alta e mercado reage à decisão do Banco Central

Ibovespa perde força após decisão do Banco Central sobre os juros, enquanto a renúncia do presidente do Paraguai, em meio a uma crise bancária, amplia as preocupações econômicas na região
Redação NC News
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A Bolsa de Valores brasileira perdeu força e passou a operar em queda nesta quinta-feira (5), depois de começar o dia em alta e superar os 168 mil pontos. Às 15h10, o Ibovespa, principal índice da B3, recuava 0,41%, aos 166.880 pontos. A mudança de direção ocorreu em uma sessão marcada pela cautela dos investidores diante dos juros brasileiros e das perdas nas bolsas americanas.

O movimento interrompeu, pelo menos durante a tarde, a tentativa de recuperação iniciada na quarta-feira (4), quando o Ibovespa subiu 1,23% e encerrou seis pregões consecutivos de perdas. Pela manhã, o índice chegou aos 168.820 pontos, mas perdeu os ganhos e passou a registrar desvalorização.

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A principal preocupação no mercado brasileiro é a trajetória dos juros. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo uma sequência de cinco cortes consecutivos.

A decisão foi tomada em meio à piora das expectativas para a inflação e às incertezas sobre as contas públicas. O Banco Central elevou suas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), estimando inflação de 5,6% em 2026 e 4,7% em 2027.

Com os juros elevados, aplicações de renda fixa continuam oferecendo retornos atrativos, o que pode reduzir o interesse por investimentos considerados mais arriscados, como as ações. O custo do crédito também permanece alto para empresas e consumidores.

Outro indicador que pesou nas avaliações foi a produção industrial brasileira, que recuou 0,8% em setembro na comparação com agosto. O resultado reforçou os sinais de desaceleração da atividade econômica.

Bolsas americanas também pressionam o mercado brasileiro

A queda ganhou força em meio ao desempenho negativo de Wall Street. As ações de empresas de tecnologia enfrentaram uma sessão de perdas, com investidores reavaliando os riscos e as perspectivas de crescimento do setor de inteligência artificial.

O cenário internacional também é influenciado pelo resultado das eleições legislativas dos Estados Unidos, nas quais o Partido Democrata conquistou o controle das duas Casas do Congresso.

A nova composição do Legislativo americano pode dificultar a aprovação de propostas do presidente Donald Trump e alterar as expectativas sobre a política econômica dos Estados Unidos.

Embora o resultado eleitoral tenha favorecido a recuperação dos mercados na quarta-feira, a cautela voltou a predominar nesta quinta.

Crise política e bancária no Paraguai aumenta atenção do mercado brasileiro

A crise no Paraguai também entrou no radar dos investidores nesta quinta-feira (5), após o anúncio de renúncia do presidente Santiago Peña em meio a problemas no sistema bancário do país. A instabilidade gera preocupação com possíveis reflexos sobre o comércio bilateral, os investimentos e as empresas brasileiras que mantêm operações no território paraguaio. Apesar disso, ainda não há evidências de que a situação no país vizinho tenha influenciado diretamente a queda do Ibovespa, movimento associado principalmente à política de juros do Banco Central e ao desempenho negativo dos mercados internacionais.

Dólar oscila próximo de R$ 5,49

No mercado de câmbio, o dólar também apresentou oscilações ao longo do dia. A moeda americana começou a sessão em queda, chegou a ser negociada perto de R$ 5,43 e voltou a ganhar força durante a tarde.

Às 15h25, uma das atualizações de mercado apontava o dólar comercial em R$ 5,4865, praticamente estável naquela referência de cotação.

O comportamento da moeda é acompanhado especialmente por empresas importadoras, exportadoras e investidores estrangeiros. A valorização do dólar pode elevar custos de produtos e insumos importados, além de aumentar a pressão sobre a inflação.

Resultados de empresas movimentam ações na B3
Além dos indicadores econômicos, a divulgação dos balanços do terceiro trimestre de 2026 influencia as negociações.

A Vibra Energia informou lucro líquido de R$ 2,46 bilhões, enquanto a PRIO apresentou lucro de US$ 521 milhões. Os resultados das companhias estão entre os números analisados pelos investidores nesta semana.

No varejo e na construção civil, os balanços também provocaram reações. A Tenda divulgou lucro de R$ 57,3 milhões, mas suas ações registraram forte queda durante a manhã. Já a C&A apresentou lucro líquido de R$ 170,3 milhões, com avanço expressivo na comparação anual, embora o resultado ajustado tenha recuado.

As diferenças de desempenho mostram que, mesmo em dias de queda do Ibovespa, algumas ações podem avançar de acordo com seus resultados e perspectivas.

Mercado acompanha os próximos sinais da economia

Os investidores seguem atentos às declarações da equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e às discussões sobre o controle da dívida pública, a sustentabilidade fiscal e os compromissos do governo para os próximos quatro anos.

A reunião realizada nesta quinta-feira com ministros, ex-ministros e economistas colocou essas questões novamente no centro das atenções.

 

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