Os Estados Unidos terão um número recorde de mulheres no comando dos governos estaduais após as eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3). Pelo menos 17 dos 50 estados americanos serão governados por mulheres a partir de 2027, o equivalente a 34% do total. O resultado supera a marca anterior de 14 governadoras e inclui vitórias inéditas para mulheres negras, indígenas e latinas.
Segundo levantamento divulgado na quarta-feira (4) pelo Centro de Mulheres e Política Americana (CAWP), da Universidade Rutgers, 15 mulheres venceram disputas para governadora. Outras duas já ocupam o cargo e não precisaram disputar a reeleição neste ano. Entre as 17 futuras governadoras, 14 são democratas e três republicanas.
O número ainda pode aumentar, já que as disputas no Alasca e no Kansas permaneciam indefinidas no levantamento. Além do recorde nacional, as eleições marcaram mudanças históricas em estados que nunca haviam escolhido uma mulher para comandar o governo.
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Primeira governadora negra e primeira indígena fazem história
Uma das vitórias mais simbólicas ocorreu na Geórgia, onde a democrata Keisha Lance Bottoms foi eleita governadora. Ela será a primeira mulher negra a comandar um estado americano e também a primeira mulher a ocupar o governo da Geórgia.
No Novo México, a democrata Deb Haaland se tornou a primeira mulher indígena eleita governadora na história dos Estados Unidos. Integrante do povo Laguna Pueblo, Haaland já havia feito história ao assumir o Departamento do Interior durante o governo de Joe Biden, tornando-se a primeira indígena a ocupar um cargo de ministra no gabinete presidencial americano.
A eleição no Novo México também estabeleceu outro marco: Haaland e sua vice, Stephanie Garcia Richard, formarão a primeira chapa composta inteiramente por mulheres pertencentes a minorias raciais ou étnicas a assumir o governo de um estado americano.
No Texas, a democrata Gina Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott e se tornou a primeira mulher latina eleita para comandar o estado. A vitória também encerrou mais de três décadas sem um democrata no governo texano.
Quatro estados elegem mulheres pela primeira vez
As eleições de 2026 também garantiram conquistas inéditas na Geórgia, em Minnesota, Ohio e Tennessee.
Em Minnesota, a senadora democrata Amy Klobuchar venceu a disputa e será a primeira governadora da história do estado. No Tennessee, a republicana Marsha Blackburn também alcançou um feito inédito ao conquistar o governo estadual.
Em Ohio, a democrata Amy Acton tornou-se a primeira mulher eleita diretamente para o cargo de governadora. O estado já havia sido administrado brevemente por Nancy Hollister, que assumiu a função entre dezembro de 1998 e janeiro de 1999, após a saída do então governador.
Apesar dos avanços, a presença feminina ainda está longe de representar metade dos governos estaduais. De acordo com o CAWP, mesmo após a posse das eleitas, 14 estados americanos continuarão sem nunca ter registrado uma mulher no comando do Executivo estadual.
Mulheres também conquistam espaço no Congresso
O avanço da representação feminina não ficou restrito às eleições estaduais. As disputas para o Congresso americano também produziram resultados inéditos.
Em Minnesota, Peggy Flanagan foi eleita para o Senado e se tornará a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira na Casa. Já em Illinois, a eleição de Juliana Stratton fará com que o estado seja representado simultaneamente por duas senadoras pertencentes a minorias raciais ou étnicas, ao lado de Tammy Duckworth.
A partir de 2027, três mulheres negras ocuparão cadeiras no Senado ao mesmo tempo, outro recorde histórico. Além de Stratton, o grupo será formado por Angela Alsobrooks, de Maryland, e Lisa Blunt Rochester, de Delaware.
Na Câmara dos Representantes, as democratas também estabeleceram um novo recorde de representação feminina. O número total de mulheres eleitas para o Congresso ainda dependia da conclusão da apuração em algumas disputas.
O que explica o recorde de governadoras?
O resultado combina a vitória de candidatas que já ocupavam cargos públicos, a eleição de novas lideranças e a conquista de governos estaduais anteriormente comandados por homens.
O avanço ocorreu entre candidatas dos dois principais partidos americanos, embora as democratas representem a maior parte das governadoras que assumirão em 2027.
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, acontecem na metade do período presidencial e definem a composição da Câmara dos Representantes, parte do Senado e diversos governos estaduais.
Neste ano, a votação também foi marcada pelo avanço do Partido Democrata, que conquistou o controle das duas Casas do Congresso, alterando o equilíbrio de forças políticas durante a segunda metade do mandato do presidente Donald Trump.
Próximos passos
As governadoras eleitas estão previstas para assumir seus mandatos em janeiro de 2027, conforme os calendários de posse de cada estado.
Até lá, a conclusão das apurações no Alasca e no Kansas poderá elevar ainda mais o número de mulheres à frente dos governos estaduais americanos.
O resultado já representa a maior participação feminina simultânea nos governos estaduais da história dos Estados Unidos, embora os homens ainda devam ocupar aproximadamente dois terços desses cargos.