A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) determinou, nesta quinta-feira (5), o arquivamento da ocorrência envolvendo o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PT). Após analisar depoimentos e informações reunidas sobre uma suposta abordagem a crianças em Brasília, a corporação concluiu que não havia elementos mínimos que indicassem a prática de qualquer infração penal.
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O caso começou na noite de segunda-feira (2), nas proximidades do Centro Olímpico de Santa Maria, no Distrito Federal. Na ocasião, surgiram relatos de que Ricardo Coutinho teria acionado as luzes de seu veículo e feito gestos em direção a crianças que estavam no local. Também foi levantada a suspeita de que ele teria convidado menores a entrar no carro, informação que não foi confirmada pela investigação.
A decisão foi assinada pelo delegado Alexander Traback Amorim de Oliveira, da 33ª Delegacia de Polícia, por meio do Despacho nº 2094/2026. O documento aponta que as suspeitas estavam fundamentadas principalmente em interpretações de terceiros, sem elementos objetivos capazes de demonstrar comportamento criminoso.
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Polícia não encontrou provas de abordagem criminosa
A investigação analisou os relatos que motivaram a presença da Polícia Militar nas proximidades do centro esportivo.
Segundo o despacho, algumas testemunhas reproduziram informações atribuídas às crianças, mas os depoimentos não permitiram confirmar que Ricardo Coutinho tivesse realizado qualquer convite para que elas entrassem no automóvel.
A Polícia Civil também não identificou elementos que demonstrassem abordagem com finalidade sexual, aliciamento ou qualquer outra conduta criminosa.
“Não há confirmação segura de que o envolvido tenha efetivamente realizado convite para que ingressassem no veículo, tampouco de que tenha praticado qualquer ato de abordagem com finalidade sexual, libidinosa, de aliciamento ou de outra natureza criminosa.”
O delegado ressaltou que a investigação criminal exige elementos concretos e que suspeitas fundamentadas apenas em interpretações não são suficientes para caracterizar uma infração penal.
Depoimento de vigilante foi importante para arquivamento
Um dos elementos considerados relevantes pela Polícia Civil foi o depoimento de um vigilante do Centro Olímpico, pai de um dos adolescentes presentes no local.
Ouvido pela equipe responsável pela apuração, ele afirmou que Ricardo Coutinho não praticou qualquer comportamento que pudesse configurar crime.
O delegado destacou a importância desse relato por se tratar de uma pessoa que trabalhava no estabelecimento e tinha ligação direta com um dos adolescentes envolvidos na ocorrência.
Outros depoimentos também foram analisados antes da conclusão do procedimento.
A partir dessas informações, a Polícia Civil entendeu que não havia fundamento suficiente para dar continuidade à apuração criminal.
Ricardo Coutinho explicou por que estava no local
Em depoimento, o ex-governador afirmou que havia ido ao Centro Olímpico para levar seu filho a uma atividade esportiva.
Segundo sua versão, ele não conseguiu utilizar o estacionamento interno e, por isso, deixou o veículo nas proximidades do estabelecimento.
Ricardo explicou que permaneceu por pouco tempo dentro do carro e que as luzes foram acionadas quando utilizou o controle remoto para travar as portas.
Ele também negou ter realizado qualquer abordagem imprópria a crianças.
Em manifestações públicas anteriores, o ex-governador afirmou que as acusações não correspondiam ao que havia acontecido e disse ter solicitado imagens de câmeras de segurança para esclarecer a situação.
A versão apresentada por Ricardo foi considerada junto aos demais elementos reunidos pela Polícia Civil.
Polícia Militar reconheceu erro sobre suposta prisão
O arquivamento aconteceu um dia depois de a Polícia Militar do Distrito Federal divulgar uma nota oficial de retratação.
Na quarta-feira (4), a PMDF reconheceu que havia divulgado informações imprecisas sobre a ocorrência, especialmente em relação à situação dos envolvidos.
A corporação esclareceu que Ricardo Coutinho não foi preso e que nenhuma das pessoas relacionadas ao episódio teve a prisão efetuada.
Segundo a Polícia Militar, todos concordaram em comparecer à delegacia para prestar esclarecimentos.
“Diferentemente do que foi veiculado na difusão inicial, cumpre esclarecer que não houve prisão de nenhum dos envolvidos.”
A PMDF informou ainda que recebeu dois acionamentos pelo telefone 190 na noite de segunda-feira. O primeiro ocorreu às 19h07 e o segundo às 19h21.
Ao chegarem ao local, os policiais ouviram versões divergentes e decidiram encaminhar a situação à Polícia Civil para esclarecimento.
A retratação corrigiu a informação sobre a suposta prisão, mas não representou, naquele momento, uma conclusão sobre os fatos investigados.
Essa conclusão foi apresentada posteriormente pela Polícia Civil, no despacho de arquivamento.
Delegado afirma que gestos e sinais luminosos não caracterizam crime por si só
Na fundamentação da decisão, o delegado Alexander Traback Amorim de Oliveira explicou que comportamentos como fazer gestos com as mãos ou acionar as luzes de um veículo não configuram automaticamente uma infração penal.
Mesmo que determinadas atitudes possam despertar preocupação em pessoas que estejam próximas, é necessário identificar elementos concretos que demonstrem a prática de um crime.
No caso de Ricardo Coutinho, a investigação não encontrou essas evidências.
“Não se identificam elementos que indiquem a prática de ato executório de qualquer infração penal, tampouco circunstâncias concretas que permitam atribuir ao comportamento descrito significado criminoso.”
A Polícia Civil também considerou que o conjunto dos depoimentos, especialmente o relato do vigilante, não sustentava as suspeitas inicialmente apresentadas.
O que significa o arquivamento da ocorrência?
Com a decisão, a Polícia Civil encerrou a apuração no âmbito da 33ª Delegacia de Polícia por ausência de elementos mínimos que justificassem a continuidade da investigação.
O arquivamento significa que as informações reunidas não permitiram identificar uma conduta penalmente relevante atribuível ao ex-governador.
A conclusão também afasta, no procedimento analisado, as suspeitas de abordagem criminosa que haviam motivado a ocorrência.
A decisão não deve ser confundida com uma absolvição judicial, pois não houve julgamento criminal de mérito. Trata-se do encerramento da apuração policial diante da falta de elementos que caracterizassem crime.
O desfecho ocorre após três dias de repercussão pública do episódio e depois da correção oficial da Polícia Militar sobre a informação equivocada de prisão.