Após acordo de paz com EUA, Irã anuncia ‘taxa de serviço’ no Estreito de Ormuz

Donald Trump afirmou que via seria liberada sem cobranças, mas governo iraniano diz que exigirá pagamentos por 'serviços de navegação'. Presidente americano criticou Netanyahu e disse ter salvo Israel de 'ataque nuclear'.
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A tinta do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã ainda nem secou e já começam a surgir ruídos diplomáticos sobre os termos práticos do tratado. O fim da guerra no Oriente Médio foi anunciado no último domingo (14), com cerimônia oficial de assinatura marcada para a próxima sexta-feira (19) em Genebra, na Suíça.

No entanto, o ponto mais sensível do conflito, o controle do Estreito de Ormuz, rota por onde circulam cerca de 20% do petróleo e gás do mundo — já é alvo de interpretações conflitantes.

Em entrevista ao jornal The New York Times logo após o anúncio da paz, o presidente americano Donald Trump garantiu que o acordo previa a isenção total e permanente de qualquer pedágio na via marítima. O Ministério das Relações Exteriores do Irã, por sua vez, veio a público nesta segunda-feira (15) anunciar que passará a cobrar o que chamou de “taxas de serviço marítimo”.

“Sempre afirmamos que não pretendemos cobrar taxas de trânsito, mas serão cobradas taxas por serviços de navegação, proteção ambiental, seguro de navios e outros serviços necessários”, esquivou-se o porta-voz do ministério iraniano, Esmaeil Baqaei. A Casa Branca ainda não se manifestou oficialmente sobre a manobra tarifária de Teerã.

Bastidores da paz: Rússia, China e crise com Israel

Na mesma entrevista ao jornal americano, Donald Trump surpreendeu ao creditar parte do sucesso diplomático aos presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, agradecendo publicamente a ajuda de ambos nas tratativas com os iranianos.

Por outro lado, a relação entre Trump e  o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tem se deteriorado rapidamente devido à continuidade das ofensivas militares de Israel contra o Líbano.

Trump revelou que os dois chegaram a travar uma “discussão acalorada” por telefone na semana passada, e mandou um recado direto: “Apesar das objeções do primeiro-ministro israelense ao acordo, eu salvei Israel da destruição nuclear”.

O presidente americano finalizou as declarações com uma ameaça velada ao regime iraniano. Segundo ele, caso o aiatolá não assinasse o acordo mediado pelo Paquistão, os Estados Unidos assumiriam o papel de “guardiões do Oriente Médio”, com a pretensão de confiscar 20% de todas as receitas geradas na região.

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