O mercado global de energia reagiu de forma imediata e contundente ao anúncio de um acordo preliminar de paz entre os Estados Unidos e o Irã. Na manhã desta segunda-feira (15), os preços do petróleo despencaram cerca de 5%, aliviados pela perspectiva do fim da guerra no Oriente Médio e pela reabertura iminente do Estreito de Ormuz.
Por volta das 8h30 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent recuavam para US$ 83 o barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência no mercado americano, era cotado a US$ 80,33. Com o forte recuo (somado a uma queda de 3% já registrada na última sexta-feira), ambos os contratos atingiram os níveis mais baixos desde o dia 10 de março.
“Deixem o petróleo fluir”, diz Trump
O otimismo do mercado foi alimentado diretamente por publicações do presidente dos EUA. Em sua rede social, a Truth Social, Donald Trump celebrou o avanço diplomático após o anúncio feito pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador do acordo.
“O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído”, declarou Trump. O republicano confirmou que o Estreito de Ormuz — por onde transita um quinto de todo o petróleo consumido no planeta — será oficialmente reaberto na próxima sexta-feira (19) e garantiu o fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos. “Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, exaltou o presidente.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã também se manifestou, garantindo o fim definitivo das operações militares em todas as frentes, incluindo o território libanês. Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, os próximos 60 dias de cessar-fogo servirão para negociar um acordo mais amplo, que deverá abordar o alívio das sanções econômicas americanas e o destino do polêmico programa nuclear de Teerã.
O fator Israel e a tensão contínua
Apesar da euforia nos mercados de commodities, o cenário no Oriente Médio ainda não é de estabilidade plena. O governo de Israel recusa-se a acatar os termos do acordo envolvendo o Líbano.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, contrariou as premissas de Trump e do Irã ao afirmar que as forças militares israelenses não recuarão e permanecerão estacionadas “por tempo indeterminado” em zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza.
Katz ressaltou que a posição foi comunicada a Trump pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e fez um duro alerta a Teerã: “Se o Irã atacar Israel devido aos eventos no Líbano, nós o atacaremos com toda a nossa força e demonstraremos claramente a ele as disparidades de poder”.