Brigitte Bardot: musa quase entrou na capa de álbum dos Beatles.

Brigitte Bardot era musa de bandas como os Beatles que desejam colocar a atriz na capa do Sgt. Pepper.
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Antes de dominarem as paradas de sucesso mundiais, os rapazes de Liverpool eram apenas adolescentes fascinados pelo brilho das telas de cinema. Entre cartazes e sonhos de juventude, uma figura se destacava como o símbolo máximo de desejo e estilo: a francesa Brigitte Bardot. Essa admiração não apenas moldou o gosto estético de John Lennon e Paul McCartney, mas também gerou episódios que misturam idolatria, frustração e uma curiosa conexão com o Brasil.

Para os jovens John e Paul, Bardot não era apenas uma atriz; ela era o arquétipo da mulher moderna. No livro biográfico de Paul McCartney, escrito por Philip Norman, há relatos de reuniões em quartos fechados onde os futuros Beatles gritavam nomes de divas como Gina Lollobrigida e, invariavelmente, Brigitte Bardot, em masturbações coletivas.

Essa obsessão transbordou para a vida real de forma quase impositiva. Lennon, em sua busca por materializar o mito, convenceu sua namorada (e futura primeira esposa) Cynthia Powell a tingir os cabelos de loiro e adotar o estilo da atriz. Paul seguiu o exemplo, fazendo o mesmo pedido a sua namorada da época, Dorothy. Bardot era o padrão de perfeição que os jovens músicos tentavam replicar em seu cotidiano.

O desencontro na França e o refúgio em Búzios

Em 1964, no auge da “Beatlemania”, o grupo tentou realizar o sonho de conhecer a musa durante uma passagem por Paris. No entanto, o destino os levou para direções opostas. Enquanto os Beatles levavam milhares ao delírio na Europa, Brigitte Bardot buscava refúgio e anonimato no Brasil.

Foi nessa época que a atriz descobriu o vilarejo de Búzios, no Rio de Janeiro. A passagem dela transformou a pacata vila de pescadores em um destino internacional de luxo. A ligação foi tão profunda que, décadas depois, a cidade inaugurou a Orla Bardot e instalou uma estátua de bronze em sua homenagem, eternizando a presença da diva em solo brasileiro.

O encontro de 1968: Ácido, silêncio e desconforto

O encontro que levou anos para acontecer finalmente ocorreu em 1968, intermediado pelo assessor de imprensa dos Beatles, Derek Taylor. Mas a realidade foi cruel com a expectativa de Lennon.

Sentindo-se extremamente intimidado pela presença da mulher que idolatrava desde os 15 anos, John tomou uma decisão drástica: consumiu LSD antes do encontro. O resultado foi um desastre social. Enquanto Bardot conversava animadamente em francês com seus amigos, Lennon, paralisado pelo efeito da droga e pelo nervosismo, mal conseguia articular palavras.

“A única coisa que eu disse para Bardot a noite toda foi ‘oi’, quando apertei a mão dela. Foi uma noite horrível, pior do que conhecer Elvis”, desabafou Lennon anos mais tarde.

O “quase” na capa do Sgt. Pepper

A influência de Bardot sobre a banda quase foi imortalizada na obra-prima Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Paul McCartney sugeriu que a imagem da atriz fizesse parte da icônica colagem de personalidades na capa do disco.

Contudo, a burocracia do mercado fonográfico falou mais alto. A gravadora EMI barrou a ideia devido aos altos custos dos direitos de imagem de Brigitte. No lugar da musa francesa, foi incluída a atriz britânica Diana Dors, mantendo o espírito das “loiras fatais”, mas com um orçamento mais acessível.

Brigitte Bardot faleceu neste domingo, 28 de dezembro, na França.

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