Brasil registra recorde de feminicídios em 2025 e tem média de quatro mulheres mortas por dia

Dados do Ministério da Justiça mostram 1.470 casos em 2025, o maior número desde a criação da tipificação penal, com média de quatro mulheres mortas por dia no país
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O Brasil registrou em 2025 o maior número de feminicídios desde a criação da tipificação penal, em 2015.

De janeiro a dezembro, foram contabilizados 1.470 casos, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O total supera os 1.464 registros de 2024, que até então representavam o recorde histórico.

Os números indicam que, ao longo do ano passado, quatro mulheres foram mortas por dia no país pelo fato de serem mulheres.

As estatísticas ainda devem crescer, já que os dados referentes ao mês de dezembro do estado de São Paulo não foram totalmente atualizados na base federal.

Mesmo sem os dados consolidados de dezembro, São Paulo lidera o número absoluto de feminicídios em 2025, com 233 casos.

Em seguida aparecem Minas Gerais, com 139, e o Rio de Janeiro, com 104 registros.

Os dados são levantados pelos governos estaduais e posteriormente enviados ao governo federal, responsável pela consolidação e divulgação das estatísticas nacionais.

Criada em 2015, a tipificação do feminicídio passou a reconhecer oficialmente os assassinatos de mulheres motivados por violência doméstica, discriminação ou menosprezo à condição feminina.

Naquele primeiro ano, foram registrados 535 casos. Ao comparar esse número com os 1.470 feminicídios de 2025, observa-se um crescimento de 316% em uma década.

Ao todo, 13.448 mulheres foram assassinadas no Brasil nos últimos dez anos por razões de gênero, o que representa uma média de 1.345 crimes por ano. No acumulado da década, os estados com mais registros são São Paulo (1.774), Minas Gerais (1.641) e Rio Grande do Sul (1.019).

Casos que marcaram o ano

Ao longo de 2025, uma série de casos chamou a atenção pela brutalidade e pelo histórico de violência anterior aos crimes.

Em São Paulo, Tainara Souza Santos, de 31 anos, morreu após quase um mês internada em estado grave. Ela foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na Marginal Tietê pelo ex-ficante.

A vítima passou por ao menos cinco cirurgias de alta complexidade. Inicialmente tratado como tentativa de feminicídio, o caso passou a ser investigado como feminicídio após a confirmação da morte.

No Recife, um episódio igualmente chocante terminou com a morte de Isabele Gomes de Macedo, de 40 anos, e de seus quatro filhos, com idades entre 1 e 7 anos.

As vítimas morreram carbonizadas após o companheiro de Isabele atear fogo na casa depois de uma discussão e agressões. O suspeito foi preso.

Diante do avanço dos casos, em outubro de 2025 o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que aumenta as penas para feminicídio e outros crimes cometidos contra mulheres.

Com a nova legislação, a pena para assassinatos motivados por violência doméstica ou discriminação de gênero passou a ser de 20 a 40 anos de prisão. Antes da mudança, a punição prevista era de 12 a 30 anos.

A legislação também prevê aumento de pena em situações específicas. A punição será ampliada em um terço quando a vítima estiver grávida ou até três meses após o parto, assim como nos casos em que a vítima for menor de 14 anos ou maior de 60.

Outro agravante ocorre quando o crime é cometido na presença de filhos ou dos pais da vítima, reforçando o entendimento de que o impacto da violência vai além da mulher assassinada e atinge todo o núcleo familiar.

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