O governo federal paga nesta quinta-feira (25) um novo lote do dinheiro esquecido do antigo fundo PIS/Pasep a trabalhadores e servidores que atuaram entre 1971 e 1988. O repasse contempla quem pediu ressarcimento até 31 de maio e abre uma corrida contra o relógio para quem ainda tenta garantir a liberação dos valores.
Corrida por ressarcimento antes do fim do prazo
O pagamento desta semana marca uma nova etapa na devolução de recursos considerados abandonados e transferidos para o caixa do Tesouro Nacional. Na prática, é a chance de recuperar parte de uma poupança formada ao longo da vida profissional e esquecida por milhares de pessoas.
Segundo o governo, “o saldo médio disponível para saque é de R$ 2,8 mil por pessoa, mas o montante varia conforme o tempo trabalhado e o salário recebido na época”. Em um cenário de juros altos e orçamento comprimido, esse valor pode aliviar dívidas, reforçar a reserva de emergência ou simplesmente dar fôlego a famílias apertadas.
Quem ainda não pediu o ressarcimento tem até 30 de junho para entrar com a solicitação e receber o dinheiro em 27 de julho. O calendário de pagamentos segue até fevereiro de 2027, e os pedidos podem ser feitos até 31 de dezembro de 2026. O prazo máximo para requerer é setembro de 2028; depois disso, não há mais volta.
Do fundo extinto ao caixa do Tesouro
O antigo fundo PIS/Pasep nasce nos anos 1970 para reforçar a renda de trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos. A partir de 1975, os dois programas se juntam em um único fundo, que funciona até 1988, quando o modelo é substituído pelo abono salarial atual. As contas antigas, porém, permanecem abertas por décadas.
Em 2020, as cotas ainda não sacadas migram para o FGTS. Três anos depois, em agosto de 2023, todo o dinheiro não resgatado segue para a conta única do Tesouro Nacional e passa a ser tratado como recurso abandonado. O ressarcimento atual é justamente a devolução desse saldo a quem nunca retirou o que tinha direito.
A disputa agora é por tempo. O Ministério da Fazenda reforça que “se o ressarcimento não for solicitado até setembro de 2028, os valores serão definitivamente incorporados ao Tesouro Nacional, sem possibilidade de saque”. Em outras palavras, quem perder o prazo abre mão do dinheiro para sempre.
Como consultar se há dinheiro esquecido
A porta de entrada é o site Repis Cidadão, do Ministério da Fazenda, no endereço eletrônico repiscidadao.fazenda.gov.br. O trabalhador acessa o serviço com CPF e senha do gov.br, nos níveis prata ou ouro, e informa o NIS, que é o mesmo número do PIS.
O NIS aparece em extratos do FGTS, no Cartão Cidadão, no cadastro do Meu INSS e no registro de programas sociais do governo. Assim que o login é concluído, o sistema mostra se há cotas a ressarcir e indica os próximos passos para a solicitação do saque.
A dinâmica se soma a outras iniciativas de localização de recursos parados, como a busca por dinheiro esquecido em bancos e o uso da plataforma gov.br para concentrar serviços públicos. O acesso digital também reduz filas presenciais, mas ainda exige internet estável e familiaridade com aplicativos, o que pode excluir parte do público-alvo mais velho ou com baixa renda.
Pedido pelo app do FGTS ou em agências da Caixa
Depois de confirmar que tem dinheiro a receber, o beneficiário precisa pedir o ressarcimento. Há duas rotas principais: o aplicativo do FGTS ou as agências da Caixa Econômica Federal. Em ambos os casos, é necessário apresentar documento de identidade e informar os dados de conta.
Quem optar pelo app do FGTS deve fazer login, acessar o menu “mais”, selecionar a opção de ressarcimento do PIS/Pasep e anexar os documentos pedidos. Herdeiros também podem entrar com o pedido, desde que apresentem certidão PIS/PASEP/FGTS da Previdência Social com a relação de dependentes ou documentos equivalentes que comprovem o direito ao saque.
A Caixa detalha que “o pagamento ocorre exclusivamente por crédito em conta, quando o beneficiário possuir conta corrente ou poupança ou Conta Digital, ou por crédito em Conta Poupança Social Digital, aberta automaticamente pela instituição e sem custos adicionais”. Quem não tem conta na Caixa passa a ter uma poupança social aberta de forma automática para receber o valor.
Quem ganha, quem perde e o que está em jogo
O ressarcimento atinge diretamente trabalhadores e servidores que contribuíram entre 1971 e 1988 e nunca mexeram nessas cotas. Também beneficia herdeiros de quem morreu sem sacar, desde que a documentação esteja em ordem. Para famílias endividadas, os R$ 2,8 mil médios podem significar a quitação de um empréstimo, a regularização do nome ou o início de uma pequena reserva.
Do lado do governo, cada saque reduz o volume disponível na conta única do Tesouro Nacional, que é o caixa central usado para pagar despesas federais. O impacto não é homogêneo: quanto maior a adesão e a divulgação do programa, menos recursos permanecem com a União. A médio prazo, os valores que não forem resgatados reforçam o caixa público.
A Caixa, por sua vez, consolida o papel de intermediária financeira entre governo e beneficiários. A instituição amplia o uso de canais digitais, ao mesmo tempo em que precisa manter estrutura física apta a atender quem não consegue resolver tudo pelo celular. O aumento previsto nas consultas e pedidos até 2028 tende a pressionar tanto o sistema on-line quanto o atendimento nas agências.
Pressão do calendário até 2028
O calendário atual prevê pagamentos mensais até fevereiro de 2027 e aceitação de novos pedidos até 31 de dezembro de 2026. O limite definitivo, em setembro de 2028, funciona como uma linha final de chegada. A partir daí, nenhum pedido é aceito e o dinheiro restante fica com a União.
O sucesso da devolução depende de dois fatores: informação e acesso digital. Quem não sabe que tem dinheiro esquecido ou não consegue navegar pelo Repis Cidadão e pelo app do FGTS corre o risco de perder o benefício. O desafio do Ministério da Fazenda e da Caixa é transformar um direito ainda invisível em dinheiro real na conta dos brasileiros que trabalharam entre 1971 e 1988.
Até lá, a recomendação é direta: consultar o CPF e o NIS no Repis Cidadão, checar se há valores a receber e, em caso positivo, protocolar o pedido o quanto antes. A cada lote pago, diminui o grupo de quem ainda pode transformar um saldo esquecido em alívio imediato no orçamento.
Como saber se o meu CPF tem valores a receber?
É preciso acessar o site Repis Cidadão (repiscidadao.fazenda.gov.br), entrar com CPF e senha do gov.br (nível prata ou ouro), informar o NIS/PIS e verificar se há cotas liberadas.
Para onde vai o dinheiro se eu não pedir o ressarcimento?
Os valores já estão na conta única do Tesouro Nacional. Se o pedido não for feito até setembro de 2028, eles ficam definitivamente com a União, sem possibilidade de saque.