O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidiu adotar a tática de ignorar as movimentações políticas de seus adversários. Questionado sobre a possível chapa formada por Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB), além das recentes desistências de outros pré-candidatos na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio foi categórico ao desviar do assunto.
“Acho que não cabe para mim avaliar, cabe trabalhar”, disparou o governador. Em um longo discurso focado em prestação de contas, ele criticou o que chamou de “disputa fratricida” que tomou conta do Brasil nos últimos anos. “É uma pessoa falando mal do outro o tempo todo. Não quero saber disso, vou falar de projeto, vou falar de São Paulo. Toda hora tem uma provocação, eu ignoro”.
Corrida contra o relógio eleitoral
Com o prazo da legislação eleitoral se aproximando — que proíbe governantes de participarem de inaugurações de obras públicas a partir de 4 de julho em anos de eleição —, Tarcísio afirmou que o estado tem “mais entrega para fazer do que dia disponível”.
O governador listou uma série de projetos de infraestrutura e saúde que estão em fase final de conclusão ou já entregues:
Educação: Inauguração de escolas no modelo de Parceria Público-Privada (PPP) em cidades como Aguaí, São José dos Campos e Atibaia. Segundo ele, há mais 12 unidades prontas que não poderão ser inauguradas a tempo do prazo eleitoral.
Infraestrutura: Conclusão das obras nas marginais da Rodovia Castello Branco, duplicação de estradas, o derrocamento do canal de Nova Avanhandava e entregas de habitação para retirar famílias de áreas de palafitas.
Saúde: Três novos hospitais prontos, com inaugurações recentes em Pariquera-Açu e previsão de entrega em Várzea Paulista, além de um novo Centro TEA (Transtorno do Espectro Autista) anunciado para Barueri.
Visão de futuro: transição energética e inteligência artificial
Para fugir da polarização política com a chapa petista, Tarcísio dedicou a maior parte de sua fala a projetar o futuro econômico de São Paulo. Ele destacou o potencial do estado para liderar a transição energética no Brasil, citando o uso da biomassa da cana-de-açúcar e do biometano com o objetivo de substituir completamente o uso de diesel na frota paulista.
No campo da tecnologia e inovação, o governador prometeu o desenvolvimento do maior parque de biotecnologia do Brasil, capitaneado pelo Instituto Butantan, com foco na fabricação de medicamentos de alto custo (antecorpos monoclonais).
Tarcísio também ressaltou a atração de investimentos em data centers, mas pontuou que o estado precisa ir além. “Investir só em data center não resolve, a gente precisa gerar valor a partir do dado. Precisamos falar de computação de alto desempenho, trazer para cá a cadeia de semicondutores e treinar pessoas para a Inteligência Artificial. É com trabalho que a gente resolve as questões”, concluiu.