‘Orelhões’ começam a ser retirados do Brasil e extinção total deve ocorrer até 2028

Os telefones públicos, popularmente conhecidos como orelhões, estão com os dias contados no Brasil
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Os telefones públicos, popularmente conhecidos como orelhões, estão com os dias contados no Brasil. Ícone da comunicação urbana por décadas, o equipamento começa a ser retirado de forma definitiva a partir de 2026, com extinção total prevista até o fim de 2028.

A decisão acompanha a queda acentuada no uso do serviço, impulsionada pela popularização dos celulares e pela expansão da internet móvel em todo o país.

Anatel autoriza retirada definitiva dos telefones públicos

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) confirmou que cerca de 30 mil orelhões ainda existentes serão desinstalados de forma gradual até 31 de dezembro de 2028. A remoção em massa de aparelhos desativados e carcaças já começou em capitais e grandes centros urbanos.

Com o encerramento das concessões de telefonia fixa, as operadoras deixam de ter obrigação legal de manter a infraestrutura dos telefones públicos.

Operadoras deixam de manter o serviço

Cinco empresas que historicamente operaram o serviço de orelhões no país — Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica — não são mais obrigadas a conservar os equipamentos nas vias públicas.

Segundo a Anatel, o custo de manutenção tornou-se incompatível com a baixa demanda, já que a maioria da população utiliza celulares para comunicação cotidiana.

Onde os orelhões ainda serão mantidos

Apesar da retirada progressiva, os orelhões não desaparecerão de forma imediata em todo o território nacional. Em regiões sem cobertura de telefonia móvel, o serviço ainda poderá ser mantido temporariamente.

Nesses locais, os aparelhos devem continuar funcionando até 2028, garantindo chamadas locais e nacionais gratuitas para telefones fixos, especialmente onde não há acesso a cartões telefônicos, cuja produção já foi encerrada.

Do auge ao declínio: quantos orelhões o Brasil já teve

O Brasil chegou a contar com mais de 1,2 milhão de telefones públicos espalhados pelas cidades. Em 2020, esse número já havia caído para cerca de 200 mil. Atualmente, pouco mais de 33 mil aparelhos estão ativos, enquanto milhares já se encontram fora de operação ou em manutenção.

Quem criou o orelhão: a história por trás do design icônico
O famoso orelhão brasileiro foi criado pela arquiteta e designer Chu Ming Silveira, profissional sino-brasileira que atuava na Companhia Telefônica Brasileira (CTB). O primeiro modelo foi instalado em 1971, no centro de São Paulo.

Batizado oficialmente de Chu II, o equipamento foi produzido em fibra de vidro, com versões nas cores azul e laranja, e ficou conhecido pelo formato semelhante a um ovo, pensado para melhorar a acústica e proteger o usuário do ruído externo.

Design pensado para o Brasil

Além da eficiência sonora, o projeto foi desenvolvido para resistir às condições climáticas brasileiras, como sol intenso, chuvas frequentes e altas temperaturas. O formato envolvente também ajudava a preservar a privacidade das ligações.

A arquiteta faleceu em 1997, mas seu trabalho permanece como um dos maiores símbolos do design urbano nacional.

Investimentos migram para internet e telefonia móvel

Como contrapartida ao fim dos orelhões, a Anatel determinou que as operadoras redirecionem recursos para expansão da banda larga e das redes móveis, priorizando a modernização da infraestrutura de telecomunicações no país.

A agência também disponibiliza uma ferramenta online que permite consultar a localização dos últimos orelhões ainda ativos em cada município.

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