O chefe de um grupo conhecido como “arrastadores”, suspeito de aplicar golpes em passageiros no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, foi preso nesta sexta-feira (26). A ação faz parte de uma investigação que apura um esquema de extorsão praticado por motoristas clandestinos que atuavam nos terminais de desembarque do maior aeroporto do país.
Segundo as autoridades, o investigado era apontado como uma das lideranças da organização criminosa responsável por abordar turistas, idosos, estrangeiros e passageiros desavisados, oferecendo falsas corridas por aplicativo ou táxi e cobrando valores muito acima dos praticados no mercado.
O que aconteceu?
A prisão ocorreu após semanas de investigação conduzidas pela Polícia Civil, que identificou a estrutura e o funcionamento do grupo criminoso conhecido como “arrastadores”.
Os suspeitos atuavam principalmente nas áreas de desembarque do aeroporto, abordando passageiros antes mesmo que eles conseguissem solicitar transporte pelos aplicativos oficiais ou utilizar táxis credenciados.
Segundo a investigação, as vítimas eram convencidas a aceitar a corrida e, ao final do trajeto, eram coagidas a pagar quantias consideradas abusivas, muitas vezes sob ameaças e intimidação.
Quem são os “arrastadores”?
Os chamados “arrastadores” são motoristas clandestinos que trabalham sem autorização dentro do entorno do aeroporto e utilizam estratégias para se passar por profissionais regularizados.
De acordo com as investigações, o grupo operava de maneira organizada, com divisão de funções e atuação coordenada nos terminais de desembarque. Alguns integrantes ficavam responsáveis por identificar possíveis vítimas, enquanto outros realizavam o transporte e a cobrança dos valores extorsivos.
O esquema já era monitorado pelas forças de segurança havia anos e vinha gerando reclamações frequentes de passageiros e de profissionais legalizados do setor.
Como funcionava o golpe aplicado aos passageiros?
Segundo as autoridades, o golpe começava logo após o desembarque.
Os criminosos abordavam os passageiros oferecendo corridas supostamente mais rápidas ou mais baratas que as disponíveis nos aplicativos e nos pontos oficiais de táxi.
Depois que a vítima aceitava o serviço, os valores cobrados chegavam a ser dezenas de vezes superiores aos preços normais praticados no mercado.
Em alguns casos, passageiros relataram intimidações, ameaças e dificuldades para deixar o veículo sem efetuar o pagamento exigido pelos suspeitos. As investigações apontam que pelo menos 30 boletins de ocorrência foram registrados contra integrantes do grupo.
Quem eram as principais vítimas?
A investigação indica que os criminosos escolhiam preferencialmente passageiros considerados mais vulneráveis.
Entre as vítimas aparecem:
- idosos;
- turistas nacionais;
- estrangeiros;
- pessoas que visitavam São Paulo pela primeira vez;
- passageiros com dificuldade para utilizar aplicativos de transporte.
O objetivo era aproveitar a falta de familiaridade com o funcionamento do aeroporto para aplicar os golpes com menor risco de resistência ou denúncia.
O que diz a Polícia Civil?
Segundo a investigação, a organização possuía estrutura criminosa consolidada e atuava de forma sistemática dentro do principal terminal aéreo do país.
Os investigadores identificaram pelo menos seis integrantes diretamente envolvidos no esquema e cumpriram mandados de prisão e busca em diferentes regiões da Grande São Paulo.
As autoridades afirmam que novas diligências continuam sendo realizadas para localizar outros suspeitos e reunir provas adicionais sobre o funcionamento da quadrilha.
Como evitar golpes em aeroportos?
Especialistas em segurança recomendam algumas medidas simples para evitar esse tipo de situação:
- Solicitar corridas apenas por aplicativos oficiais;
- Confirmar placa e nome do motorista antes do embarque;
- Utilizar pontos credenciados de táxi;
- Desconfiar de abordagens insistentes dentro dos terminais;
- Procurar funcionários do aeroporto em caso de dúvida;
- Acionar a polícia imediatamente diante de qualquer ameaça.
As orientações valem especialmente para turistas e passageiros que não conhecem a cidade ou o funcionamento do aeroporto.
O que acontece agora?
Com a prisão do suspeito apontado como líder dos arrastadores, a Polícia Civil pretende aprofundar as investigações para identificar outros integrantes e possíveis ramificações do esquema.
Os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, extorsão e outras infrações que venham a ser confirmadas durante o andamento do processo.
As autoridades também reforçam o pedido para que novas vítimas procurem a polícia e registrem boletins de ocorrência, contribuindo para ampliar as investigações e evitar novos golpes.
Entenda o contexto
A atuação de motoristas clandestinos no Aeroporto Internacional de Guarulhos é alvo de reclamações há vários anos. O crescimento dos aplicativos de transporte não eliminou completamente o problema, que continua afetando passageiros brasileiros e estrangeiros.
Nos últimos meses, operações policiais intensificaram o combate aos chamados “arrastadores”, considerados responsáveis por uma série de extorsões e cobranças abusivas dentro do terminal.
A prisão do suspeito apontado como chefe do grupo representa um novo capítulo no enfrentamento a esse tipo de crime, mas as autoridades reconhecem que a fiscalização permanente e a conscientização dos passageiros continuam sendo fundamentais para impedir a continuidade dos golpes.