Amin vê desmoralização da Justiça após negativas de extradição

Senador Esperidião Amin critica rejeição de pedidos de extradição por países estrangeiros, destacando impacto na credibilidade do sistema judicial.
Redação NC News
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O senador Esperidião Amin (PP-SC) usa o plenário do Senado, em 30 de junho de 2026, para acusar a Justiça brasileira de perder credibilidade no exterior. Em discurso de quase uma hora, ele liga decisões de tribunais da Espanha, Argentina, Itália e Estados Unidos ao que chama de “processo arbitrário” nos julgamentos dos atos de 8 de janeiro de 2023 e dos inquéritos das fake news.

Negativas em série e alerta sobre imagem do país

Amin afirma que o Brasil passa a ser visto com desconfiança quando pede a extradição de investigados e condenados ligados aos ataques às sedes dos Três Poderes. Para ele, a recusa sucessiva de cooperação judicial abre uma crise silenciosa na relação entre o Judiciário brasileiro e cortes estrangeiras.

“Pelo menos quatro países produziram recentemente decisões que demonstram a não aceitação de julgamentos brasileiros com reflexo internacional, com base no 8 de janeiro”, diz o senador, citando reportagem da revista Veja. “Nós estamos invadindo uma seara muito perigosa, que vai nos levar a sermos discriminados por tolerarmos um processo arbitrário de justiça aplicada de acordo com interesses que não são do direito, e, sim, de natureza político-pessoal”, completa.

As decisões estrangeiras envolvem nomes centrais do bolsonarismo. A ex-deputada Carla Zambelli tem a extradição negada pela Justiça italiana, mais uma vez, em 1º de julho de 2026. Blogueiros como Oswaldo Eustáquio e Allan dos Santos, também citados pelo parlamentar, seguem amparados por decisões de Espanha, Argentina e Estados Unidos que rejeitam pedidos do Brasil.

Casos concretos e questionamento ao STF

Amin concentra suas críticas nas decisões do Supremo Tribunal Federal, em especial as conduzidas no âmbito dos inquéritos das fake news e dos atos de 8 de janeiro. Ele acusa a Corte de produzir condenações com base frágil, o que, em sua avaliação, abre espaço para desconfiança externa.

“Cada argumentação negando extradição é um libelo contra a Justiça, contra o sistema do Judiciário e contra o Estado. Nos encontramos numa precariedade de fundamentação jurídica para condenações”, afirma no plenário.

O caso do motorista Joel Borges Corrêa ganha destaque no discurso. Condenado no Brasil a 14 anos e seis meses de prisão por participação nos ataques, ele recebe da Comissão Nacional de Refugiados da Argentina o status de refugiado. O órgão argentino conclui que não houve tentativa de golpe por parte dos manifestantes, leitura oposta à adotada pelo STF.

Na Itália, a corte responsável manda reiniciar o processo que discute a extradição de Carla Zambelli, depois de rejeitar pela segunda vez o pedido brasileiro. Em outros casos, decisões na Espanha e nos Estados Unidos apontam dúvidas sobre a natureza criminal e o ambiente político dos processos. Para Amin, esse conjunto de recusas “vai desmoralizando no cenário mundial a Justiça brasileira”.

Ataques a Lula e defesa de Santa Catarina

O pronunciamento não se limita ao campo judicial. Logo no início, o senador reage a falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita a Santa Catarina, em 27 de junho de 2026. Segundo Amin, o petista sugere que o estado vive sob influência de racismo, o que o parlamentar classifica como injusto e ofensivo.

Ele lembra que Santa Catarina está entre os estados que mais recebem migrantes de outras regiões. Usa esse dado para rebater qualquer leitura de isolamento ou hostilidade à diversidade. “Lamento profundamente e espero que numa próxima ocasião o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reflita, inclusive sobre êxitos eleitorais que ele teve em Santa Catarina e, portanto, não incentive palavras que execrem o povo catarinense”, declara.

O episódio adiciona um componente regional à disputa. O senador tenta transformar a polêmica em bandeira local, num momento em que o Planalto busca ampliar presença política no Sul e no Centro-Oeste. A reação catarinense às falas de Lula, avaliam aliados de Amin, pode pesar nas urnas em 2026.

Anistia, recalculo de penas e freio do STF

No plano legislativo, o discurso funciona também como plataforma de campanha para reabrir o debate sobre anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Amin é autor de um projeto que perdoa os participantes dos ataques. A proposta perde força no início do ano, mas volta ao radar com as negativas de extradição e o avanço do calendário eleitoral.

Como alternativa à anistia ampla, o Congresso aprova uma lei que recalcula penas e unifica crimes como golpe e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A mudança, apelidada de Lei da Dosimetria, beneficia diretamente figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de reclusão, e Débora Rodrigues dos Santos, a “Débora do Batom”, sentenciada a 14 anos de prisão.

O alívio, porém, não chega às celas. O ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos no STF, suspende a aplicação da nova lei até que o plenário julgue sua constitucionalidade. A decisão trava, por ora, qualquer redução de pena e mantém o impasse entre Congresso e Supremo sobre os limites da resposta penal aos atos de 8 de janeiro.

Amin usa o veto provisório como exemplo do que enxerga como interferência excessiva da Corte. Para seus aliados, o embate alimenta uma narrativa de que o STF resiste a ajustes legislativos que possam corrigir exageros nas condenações.

Cooperação em risco e disputa prolongada

As negativas de extradição expõem uma fissura na cooperação jurídica do Brasil com outros países. Quando cortes estrangeiras recusam pedidos baseados em decisões do STF, a mensagem implícita é de desconfiança no sistema brasileiro. O efeito imediato é prático: investigados e condenados que deixam o país ganham margem para permanecer fora do alcance das autoridades nacionais.

Esse cenário favorece personagens como Carla Zambelli, Oswaldo Eustáquio e Allan dos Santos, que tentam consolidar refúgio em diferentes jurisdições. Cada decisão contrária ao Brasil encoraja novas estratégias de fuga e prolonga a dificuldade de responsabilização.

Do outro lado, o governo Lula e setores do Judiciário defendem que as condenações e os inquéritos são resposta necessária para conter ameaças ao regime democrático. Para essa ala, revisões amplas de pena ou anistias enviariam sinal de impunidade a futuros golpistas.

O desfecho dessa disputa tende a se arrastar. A análise da Lei da Dosimetria pelo STF, a tramitação do projeto de anistia de Amin e novas decisões de cortes estrangeiras formam um tabuleiro em movimento. A maneira como o país equilibra punição, revisão legal e respeito a garantias processuais deve influenciar não só as eleições de outubro de 2026, mas também a imagem do Brasil como parceiro confiável em matéria de Justiça.

O que exatamente Esperidião Amin criticou no STF?

O senador diz que as condenações ligadas a 8 de janeiro e aos inquéritos das fake news sofrem de “precariedade de fundamentação jurídica” e seriam movidas por motivações político-pessoais.

Quem foi beneficiado pelas negativas de extradição até agora?

Entre os nomes citados estão a ex-deputada Carla Zambelli, que tem pedido de extradição rejeitado pela Justiça italiana, e os blogueiros Oswaldo Eustáquio e Allan dos Santos, amparados por decisões de Espanha, Argentina e Estados Unidos.

O que é a Lei da Dosimetria mencionada no debate?

É a lei aprovada pelo Congresso que recalcula e unifica penas para crimes ligados ao golpe e à abolição violenta do Estado Democrático de Direito, permitindo reduções que alcançariam condenados como Jair Bolsonaro e Débora do Batom.

O projeto de anistia de Amin ainda pode avançar?

Sim. O texto segue em tramitação e tende a ganhar fôlego se candidatos de direita, como Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado, tiverem bom desempenho nas eleições de 2026, reabrindo o debate no Congresso.

 

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