Mensagem de WhatsApp expõe contrato de R$ 131 milhões enviado pela esposa de Moraes a VorcaroUma investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero revelou detalhes de uma negociação milionária envolvendo o escritório de advocacia da mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A advogada Viviane Barci de Moraes enviou pelo WhatsApp a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a minuta de um contrato de honorários advocatícios no valor de R$ 131,2 milhões.
De acordo com mensagens recuperadas do celular do empresário — apreendido em novembro de 2025 —, o documento foi encaminhado no dia 17 de janeiro de 2024. Na ocasião, Viviane escreveu: “Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço”. Cinco dias depois, Vorcaro respondeu perguntando como procederiam com a assinatura, oferecendo a opção de vias físicas ou assinatura eletrônica.

O contrato e os valores repassados
O acordo firmado estipulava que o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos para a prestação de serviços jurídicos ao Banco Master. Caso chegasse ao fim do período previsto (início de 2027), o montante totalizaria R$ 131.275.071,72.
No entanto, a Receita Federal identificou que foram efetivamente pagos R$ 80,2 milhões ao escritório durante os anos de 2024 e 2025. Os repasses milionários só foram interrompidos quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master. O contrato, que antecedeu a representação de interesses do banco junto a órgãos como Banco Central e Receita Federal, nunca foi divulgado na íntegra.
Serviços prestados e erro no Código de Ética
Em nota, a defesa de Viviane Barci de Moraes justificou os honorários afirmando que o escritório realizou 94 reuniões de trabalho (incluindo dezenas de encontros presenciais) e elaborou 36 pareceres legais nas áreas de compliance, proteção de dados e crédito. O gabinete do ministro Alexandre de Moraes informou que o escritório nunca atuou na operação de venda do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB).
Um dos trabalhos prestados ao banco foi a elaboração de seu Código de Ética, escrito pela advogada Ana Claudia Consani de Moraes, cunhada do ministro Alexandre de Moraes e consultora do escritório de Viviane. O documento, no entanto, continha um erro grave de revisão. Na página 17, o texto orientava o colaborador afirmando: “você não deve – impedir que sejam utilizadas informações inverídicas e atividades de negociação fraudulentas”. A orientação correta seria exatamente o oposto: impedir tais práticas.
O caso segue sendo investigado pelo STF, sob a relatoria do ministro André Mendonça, e integra as apurações da Operação Compliance Zero, que já prendeu Vorcaro e mirou executivos e políticos suspeitos de fraudes contra o sistema financeiro.