Pai de Henry Borel cobra investigação após celular ser encontrado na cela de Jairinho

Leniel Borel afirma que o aparelho encontrado na prisão pode revelar privilégios, possíveis irregularidades e novas informações sobre a atuação do ex-vereador enquanto estava custodiado.
Redação NC News
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A apreensão de um celular na cela do ex-vereador Dr. Jairinho, condenado pela morte do menino Henry Borel, reacendeu o debate sobre a segurança no sistema prisional do Rio de Janeiro. Nesta quinta-feira (2), Leniel Borel, pai da criança, cobrou uma investigação rigorosa para identificar como o aparelho entrou no presídio, há quanto tempo era utilizado e quais atividades teriam sido realizadas por meio dele.

Jairinho cumpre pena no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. O aparelho foi encontrado durante uma revista realizada por agentes penitenciários.

“Privilégio que sempre teve”, diz pai de Henry

Para Leniel Borel, a descoberta do celular reforça a tese de que Jairinho continuou tendo benefícios indevidos mesmo após ser preso.

Segundo ele, o acesso ao aparelho pode ter contribuído para estratégias que atrasaram o andamento do processo judicial.

“Esse é o sistema do qual ele faz parte, que lhe permite estrutura para que o presídio funcione como um escritório de articulação criminosa. Esse privilégio se manifestou na protelação do processo e do próprio julgamento”, afirmou Leniel.

O pai de Henry também pediu que as investigações identifiquem quem permitiu a entrada do celular na unidade prisional.

“Como pai do Henry, exijo que sejam apuradas as responsabilidades, há quanto tempo esse aparelho estava lá, quem deixou entrar e quais mensagens e demais ações ele tomou por meio desse celular”, declarou.

Relembre o caso Henry Borel

reprodução

Henry Borel Medeiros morreu em 8 de março de 2021, aos quatro anos, após dar entrada em um hospital da Zona Oeste do Rio de Janeiro com múltiplas lesões pelo corpo.

As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público concluíram que a criança foi vítima de agressões dentro do apartamento onde morava com a mãe, Monique Medeiros, e o então padrasto, o ex-vereador Dr. Jairinho.

O caso teve grande repercussão nacional e mobilizou autoridades, especialistas e a sociedade em debates sobre violência contra crianças.

Após uma longa investigação e diversas etapas processuais, Jairinho foi levado a júri popular. O Conselho de Sentença o condenou por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e outros crimes relacionados ao caso. Ele permanece preso cumprindo pena.

Situação de Monique Medeiros

No mesmo julgamento, Monique Medeiros teve sua conduta desclassificada pelos jurados de homicídio doloso para homicídio culposo. Com isso, recebeu o perdão judicial e não foi condenada pelo homicídio.

A decisão motivou recursos apresentados pelo Ministério Público e pela assistência de acusação, representada por Leniel Borel.

Os recursos pedem a anulação da decisão em relação a Monique para que ela seja submetida a um novo julgamento.

Desde o dia 15 de junho, o processo aguarda análise da juíza Elizabeth Machado Louro, que verificará se os recursos atendem aos requisitos legais antes de encaminhá-los ao Tribunal de Justiça.

O que acontece agora?

Além da análise dos recursos sobre o julgamento de Monique Medeiros, a Secretaria de Administração Penitenciária deverá apurar como o celular entrou no presídio e se houve participação de terceiros na entrada do aparelho.

O conteúdo do telefone também poderá ser periciado para verificar eventuais mensagens, contatos ou outras informações que possam auxiliar nas investigações sobre o caso e sobre possíveis irregularidades dentro da unidade prisional.

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