Kimi Antonelli conquistou no último sábado, 4, a pole position para o GP da Grã-Bretanha de Fórmula 1 ao liderar a sprint e a classificação. Charles Leclerc sai em segundo, com Lewis Hamilton em terceiro. O brasileiro Gabriel Bortoleto larga em 11º.
Líder do campeonato larga na frente em etapa crucial
A nona etapa da temporada coloca o líder do Mundial em posição privilegiada em um dos palcos mais tradicionais da categoria. Antonelli chega a Silverstone com 179 pontos e vê os principais rivais, George Russell, com 136, e Hamilton, com 132, partirem atrás, obrigados a arriscar ultrapassagens em uma pista veloz e exigente.
A corrida deste domingo, às 11h (horário de Brasília), terá 52 voltas no traçado de 5,891 km e 18 curvas do antigo aeródromo britânico. O resultado da classificação, somado à vitória na sprint, reforça o momento da Mercedes na disputa entre equipes e pressiona Ferrari, McLaren e Red Bull a reagir em um dos fins de semana mais expostos da temporada.
Pole com autoridade em dia de vento traiçoeiro
Antonelli domina o sábado em Silverstone. Pela manhã, o italiano vence a corrida sprint após superar Hamilton, que largara na pole da prova curta. À tarde, na classificação, resiste às rajadas de vento que varrem o circuito plano e aberto e fecha duas voltas quase idênticas no Q3, a melhor delas em 1m28s111.
O tempo garante a quinta pole do ano para o piloto da Mercedes, que já sai na frente na China, Japão, Miami e Mônaco. Leclerc fica 0,175 segundo atrás com a Ferrari, enquanto Hamilton, também de Ferrari, completa o top-3. Russell, depois de um susto no Q1, fecha a segunda fila em quarto.
Antonelli admite o desafio imposto pelas condições, mas exibe confiança. “A última volta foi muito certinha, para ser honesto, conseguimos encaixar tudo. Foi desafiador por causa do vento, [que é] imprevisível. Fazer a pole é sempre muito satisfatório. Conseguimos achar um bom acerto [em relação ao dia anterior] e fazer essa boa classificação”, diz o italiano.
Leclerc, que vive início de ano irregular, celebra o retorno à briga direta pela primeira fila. “Têm sido corridas difíceis, estava com dificuldades para encaixar tudo, em algumas vezes não consegui marcar pontos. É bom estar de volta, ter um bom sentimento dentro do carro. A gente conseguiu melhorar. Sei o quão difícil tem sido para ser consistente, mas a gente está na direção certa”, afirma o monegasco.
Bortoleto reage a problema, mas fica fora do Q3
Bortoleto volta ao Q2 em Silverstone, mas sai da pista com a sensação de chance perdida. Um problema técnico no início da classificação obriga o brasileiro da Audi a ficar nos boxes enquanto os rivais abrem voltas rápidas. Quando enfim entra na pista, tem tempo apenas para uma tentativa e ainda assim avança com folga para o Q2.
Na fase intermediária, o paulista chega a figurar entre os dez primeiros na primeira volta rápida. Com a evolução do asfalto e rivais em pneus mais frescos, cai para 11º e perde o acesso ao Q3 por 32 milésimos de segundo. Ao voltar aos boxes, assume a responsabilidade. “Desculpa, fui eu. O carro tinha mais que isso. Desculpe à equipe”, diz pelo rádio.
A posição obriga a Audi a adotar uma estratégia agressiva na corrida principal. De 11º, Bortoleto tem a zona de pontos ao alcance, mas dependerá de largada limpa e leitura precisa do desgaste dos pneus em um traçado que cobra caro qualquer erro nas curvas de alta, como Copse e a sequência Maggots-Becketts.
Red Bull sente pressão, Hadjar brilha e Verstappen sofre
O sábado também expõe uma nova dinâmica na Red Bull. Isack Hadjar encaixa um Q3 sólido, aproveita bem o carro em meio ao vento e garante o quinto lugar no grid, atrás apenas das Mercedes e das Ferrari. Max Verstappen não consegue repetir o desempenho do companheiro e larga em sétimo, depois de reclamar do comportamento do carro em diferentes trechos.
É a primeira vez desde 2015, ano de estreia na categoria, que o holandês é superado por um colega de equipe em Silverstone. O resultado alimenta o debate interno sobre o acerto do carro e tira conforto da equipe austríaca em um circuito que costuma expor a eficiência aerodinâmica de cada projeto.
Entre os demais brasileiros do pelotão, Franco Colapinto, da Alpine, tem escapada impressionante no Q1, chega a decolar em uma zebra e retorna ao boxe sob atenção da equipe. O argentino termina eliminado, assim como Esteban Ocon, Valtteri Bottas, Sergio Pérez, Lance Stroll e Fernando Alonso. O incidente de Colapinto ainda provoca atraso no início do Q2 para limpeza de brita na pista.
Silverstone mantêm tradição e coloca Hamilton sob holofotes
Silverstone sustenta desde 1987 o papel de casa fixa do GP britânico e guarda estatísticas que alimentam o imaginário da categoria. Hamilton, dono de nove vitórias no circuito até 2024, busca um décimo triunfo histórico com a Ferrari, agora partindo da terceira posição. No ano passado, a McLaren faz a festa, com Lando Norris vencendo sob chuva intermitente e Oscar Piastri em segundo, enquanto Nico Hulkenberg enfim sobe ao pódio pela primeira vez após 239 corridas.
O traçado atual, com 5,891 km e 18 curvas, segue amado por pilotos e torcedores. As longas curvas de alta e as mudanças rápidas de direção aumentam a sensibilidade ao vento, que neste sábado exige ajustes finos nas asas e suspensão e favorece equipes com estrutura técnica robusta, como Mercedes e Ferrari.
Corrida promete impacto direto no campeonato
A formação do grid projeta um GP da Grã-Bretanha com peso direto na classificação do Mundial. Antonelli, em primeiro, tem chance real de abrir vantagem expressiva sobre Russell e Hamilton. O companheiro de Mercedes larga em quarto, cercado pelas Ferrari, e encara a missão de marcar pontos altos para manter a equipe na frente entre os construtores.
Ferrari aposta na dobradinha de experiência e carisma com Leclerc e Hamilton para impedir que a Mercedes dispare. McLaren, que sai mais atrás com Norris e Piastri, e Red Bull, dividida entre o brilho de Hadjar e o incômodo de Verstappen, correm contra o relógio estratégico para tentar virar o domingo com um pódio que mantenha viva a disputa a longo prazo.
A presença de Bortoleto no meio do pelotão, somada à transmissão ao vivo da TV Globo e do sportv3 e à cobertura em tempo real do ge, alimenta o interesse do público brasileiro em uma etapa que mistura história, pressão e incerteza climática. Nas próximas horas, as equipes definem escolha de pneus e mapeamento de consumo de combustível para 52 voltas que podem redesenhar a briga pelo título.
Se Antonelli confirmar o favoritismo, consolidará em Silverstone um início de era com a Mercedes. Se o vento mudar a história mais uma vez, como em tantas corridas marcantes neste circuito, a temporada de 2026 ganhará um novo capítulo de tensão antes de rumar para a segunda metade do calendário.