Espanha, Bélgica, Inglaterra e Noruega garantiram as vagas nas quartas de final do Mundial de Seleções, em uma rodada que derrubou o Brasil e Portugal e encerrou a trajetória de Cristiano Ronaldo no torneio.
Despedida de Cristiano e Espanha em alta
Na segunda-feira, 6, Espanha e Portugal travaram o duelo mais carregado de simbolismo das oitavas. O jogo seguiu tenso, amarrado, com as duas seleções cuidadosas na defesa. A prorrogação pareceu certa até que, nos acréscimos finais, surgiu o golpe espanhol.
“Merino marcou, nos acréscimos finais, e garantiu a vitória magra para os espanhóis”, registra o portal GZH. Em segundos, o silêncio toma conta da torcida portuguesa. O placar curto basta para empurrar a Espanha às quartas e empurrar Cristiano Ronaldo para fora do grande palco global.
“Cristiano Ronaldo se despede da Copa do Mundo” e “a eliminação marcou o fim da trajetória de Cristiano Ronaldo em Copas”, anotam as mesmas reportagens. Aos 41 anos, o camisa 7 sai de cena depois de manter Portugal competitivo até as oitavas, mas sem repetir o título europeu de 2016.
A seleção espanhola chegou fortalecida por uma campanha sólida desde a fase de grupos. Em 2 de julho, venceu a Áustria por 3 a 0, em Los Angeles, e selou a classificação às oitavas. Oyarzabal marca duas vezes, Pedro Porro completa o placar e o time passa sem sustos.
Mais do que o resultado, o jogo entra para a história pela atuação de Unai Simón. O goleiro bate o recorde de invencibilidade em Mundiais: “Unai Simón, que chegou a 519 minutos sem sofrer gols em Copas do Mundo e superou a marca de 517 minutos do italiano Walter Zenga”, lembra o G1. A defesa espanhola vira referência do torneio.
Tecnologia decide e Portugal para nas oitavas
A própria presença de Portugal nas oitavas nasceu da tecnologia. Em 2 de julho, a seleção vence a Croácia por 2 a 1, em um jogo que testa os limites dos sistemas de impedimento e do chip na bola.
Os croatas abrem o placar no segundo tempo. Cristiano empatou em seguida, mas o gol caiu pelo semiautomático de impedimento. Pouco depois, o atacante voltou à marca do pênalti, agora validado pelo vídeo, e igualou de novo o duelo. Nos acréscimos, “Gonçalo Ramos marcou o gol da virada aos 48 minutos”, registra o G1, garantindo a vaga. Um gol croata já no desespero é anulado após o chip detectar toque mínimo e posição irregular.
O caminho português, porém, para na muralha espanhola quatro dias depois. A derrota enxuta, mas definitiva, impede Cristiano de disputar novas quartas e abre espaço para outros personagens do Mundial ganharem protagonismo.
Bélgica atropela EUA e marca encontro com Espanha
Enquanto a Espanha atropelou adversários com controle de posse e defesa sólida, a Bélgica se apoiou em força ofensiva para avançar. Nas oitavas, também na segunda-feira, 6, os belgas goleiaram os Estados Unidos e encerraram a campanha americana.
De Ketelaere marcou duas vezes, Vanaken e Lukaku ampliam, Tillman desconta. O placar elástico escancaram a diferença de maturidade entre uma geração belga veterana, ainda ancorada em Lukaku, e uma equipe americana em formação, empurrada por um calendário doméstico em crescimento, mas longe da elite europeia.
Com o resultado, Espanha e Bélgica se cruzam nas quartas, na sexta-feira, 10, às 16h. O duelo opõe o time de melhor defesa até aqui a um dos ataques mais eficientes do Mundial e recoloca em evidência uma Bélgica que muitos já tratavam como geração tardia.
Inglaterra sobrevive ao temporal e tira o México em casa
No domingo, 5, outro jogo mexeu com tradições. Inglaterra e México entraram em campo no Estádio Azteca, na Cidade do México, sob uma tempestade de raios. O protocolo de segurança segurou a bola por uma hora. Quando o gramado enfim liberou, o roteiro se impõe.
O México começou em cima, empurrado pela lotação do Azteca e pela melhor campanha de sua história recente. A Inglaterra pareceu acuada até que, aos 36 minutos, a partida muda. “Bukayo Saka avançou pela direita e cruzou na segunda trave para Jude Bellingham cabecear e abrir o placar”, descreve a Exame. Dois minutos depois, Bellingham volta a marcar e coloca 2 a 0 no marcador.
Os anfitriões descontaram antes do intervalo, e o segundo tempo traz mais drama. O zagueiro Jarell Quansah é expulso aos 9 minutos, e os ingleses se veem com dez jogadores diante de um estádio em ebulição. O México se lança, mas cede espaço para o contra-ataque.
Anthony Gordon sofre pênalti e, a partir da marca, “Harry Kane converteu o pênalti para ampliar: 3 a 1”, registra a mesma publicação. Raúl Jiménez ainda diminuiu em outro pênalti, e o jogo terminou em 3 a 2. O resultado derrubou a invencibilidade mexicana no torneio e quebra uma escrita: o país nunca havia perdido uma partida de Mundial no Azteca.
A Inglaterra avança às quartas para enfrentar a Noruega no sábado, 11, às 18h, no Hard Rock Stadium, em Miami. A classificação inglesa vem acompanhada de uma preocupação logística: a tempestade que atrasa o pontapé inicial expõe as dificuldades climáticas em sedes altas e reforça a necessidade de protocolos robustos em eventos desse porte.
Noruega elimina Brasil e entra na briga pela Chuteira de Ouro
A adversária inglesa chegou embalada pela vitória mais dolorosa para os brasileiros. A Noruega vence o Brasil por 2 a 1 e encerrou a campanha da seleção pentacampeã já nas oitavas, algo raro na história recente. A última conquista verde-amarela em Mundial ocorre em 30 de junho de 2002, no Japão e na Coreia do Sul, e o hiato se alonga.
O resultado alimentou críticas internas à preparação brasileira e reforçou o peso europeu nas fases decisivas. O grande nome da noite é o centroavante norueguês, que atinge 7 gols no torneio e entra de vez na disputa pela Chuteira de Ouro. A performance recoloca a Noruega, ausente por décadas do primeiro escalão, entre as histórias centrais do Mundial.
O impacto vai além do campo. Eliminações de seleções de massa, como Brasil e Portugal, mexem com audiências globais, renegociam expectativas de patrocinadores e redistribuem holofotes. Países classificados, como Noruega, Bélgica, Espanha e Inglaterra, ganham espaço em grades de TV, redes sociais e vitrines de mercado para seus jogadores.
Recordes, tecnologia e bastidores das oitavas
Antes das decisões de 5 e 6 de julho, outras partidas completaram o quadro das oitavas. A Suíça vence a Argélia por 2 a 0, em 3 de julho, com gols de Embolo e Ndoye, e confirmou a tradição recente de avançar à fase eliminatória mesmo sem protagonismo midiático. A vitória se soma à classificação espanhola e portuguesa e ajuda a compor um mapa com forte presença europeia.
A tecnologia semiautomática de impedimento e o chip na bola aparecem como personagens silenciosos dessa etapa. Da anulação e validação de gols na virada de Portugal sobre a Croácia à segurança nos pênaltis de Inglaterra x México, o sistema reduz margens de erro e reforça a confiança nas decisões.
Com o avanço do Mundial, o impacto tende a ser duradouro. Federações nacionais e organizadores de ligas acompanham a implementação em tempo real, de olho em custos, aceitação pública e capacidade de evitar polêmicas históricas. O acerto aparente desta edição pode acelerar a adoção dos recursos em torneios continentais e ligas domésticas.
As quartas de final, marcadas para 10 e 11 de julho, cristalizam um novo desenho competitivo: Espanha x Bélgica de um lado, Inglaterra x Noruega de outro, com seleções tradicionais machucadas e novos protagonistas em ascensão. As próximas noites definirão se a renovação anunciada nas oitavas se confirma com uma troca efetiva de comando no topo do futebol de seleções.