A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (7), a 6ª fase da Operação Unha e Carne no Rio de Janeiro. A ação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro de origem ilícita por meio de uma gigantesca rede de postos de combustíveis. De acordo com as investigações, o esquema movimentou uma quantia impressionante que ultrapassa os R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Os agentes federais saíram às ruas para cumprir mandados de busca e apreensão contra figuras influentes do cenário político e da segurança pública fluminense. Entre os principais alvos estão o deputado estadual Márcio Canella, atual presidente do partido União Brasil no Rio de Janeiro, e o delegado Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do estado. A ofensiva marca um avanço crucial das autoridades sobre as engrenagens financeiras que sustentam grupos criminosos na Região Metropolitana.
O que aconteceu?
A Polícia Federal cumpriu diversos mandados judiciais de busca e apreensão na capital, na Baixada Fluminense e em outras regiões do estado. O foco desta nova etapa é colher provas sobre o uso de postos de gasolina para fazer o dinheiro do crime organizado parecer legalizado. Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores dos envolvidos, além da suspensão das atividades econômicas de empresas que estariam servindo como fachada para a bilionária lavanderia de recursos.
Quem são os envolvidos?
Os grandes nomes que aparecem no centro desta fase da investigação são o deputado estadual Márcio Canella e o delegado licenciado Marcus Amim. Canella é uma das figuras políticas mais expressivas da Baixada Fluminense e lidera um dos partidos com maior fatia do fundo partidário no país. Já Amim possui um histórico de destaque na cúpula da segurança fluminense, tendo comandado a Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ambos passam a ser tratados formalmente como investigados no inquérito.


Como funcionava o caso?
Conforme a denúncia e os relatórios de inteligência financeira encaminhados às autoridades, o esquema utilizava a alta circulação de dinheiro vivo nos postos de combustíveis para misturar valores lícitos com recursos vindos de atividades ilegais. O grupo contava com a suposta facilitação de agentes públicos que, em tese, deveriam fiscalizar ou combater a criminalidade. Essa blindagem política e policial permitia que a rede de postos operasse sem levantar suspeitas imediatas dos órgãos de controle locais.
O que dizem os investigadores?
Segundo os investigadores da Polícia Federal, a lavagem de dinheiro alcançou cifras alarmantes devido à capilaridade do grupo criminoso. Os relatórios financeiros apontam que a movimentação de R$ 7,6 bilhões seguiu um padrão de depósitos fracionados e transações entre empresas que simulavam a compra e venda de combustíveis. As autoridades afirmam que a participação de nomes de peso do Estado confere uma blindagem estrutural que dificultava o avanço de apurações anteriores.
O que dizem os investigados?
Por meio de nota, a assessoria do deputado Márcio Canella informou que o parlamentar está totalmente à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos e que sua trajetória é pautada pela transparência. A defesa do delegado Marcus Amim ressaltou que ele sempre atuou dentro da legalidade durante sua gestão na Polícia Civil e que sua inocência ficará provada ao longo das investigações. No padrão editorial adotado pela cobertura, todos os citados são considerados suspeitos até que haja uma conclusão judicial definitiva.
Qual o impacto político e econômico?
O impacto político é um verdadeiro terremoto no Rio de Janeiro. Como o União Brasil é uma legenda gigantesca nas negociações de apoios e chapas eleitorais, a mira sobre o seu presidente estadual mexe com todo o tabuleiro de alianças políticas. No campo econômico, o bloqueio bilionário de contas e bens asfixia a rede de postos e gera um alerta no mercado de distribuição de combustíveis.
Qual o impacto para a população?
Para o cidadão comum, morador das comunidades e bairros periféricos que o programa NC News acompanha diariamente na TV e na internet, o impacto se traduz em indignação. Quando o dinheiro público ou estruturas do Estado são capturados por esquemas criminosos, o policiamento falha, os serviços básicos não chegam e o preço dos insumos do dia a dia acaba sofrendo distorções. Ver o alto escalão da segurança e da política sob suspeita abala a confiança de quem trabalha duro e espera proteção das instituições.
O que acontece agora?
Todo o material apreendido nas primeiras horas de hoje — que inclui celulares, computadores, mídias digitais e documentos contábeis — passará por uma rigorosa perícia técnica nos laboratórios da Polícia Federal. Os depoimentos formais dos investigados devem ser agendados para os próximos dias. Dependendo do que for extraído das mensagens e arquivos recolhidos, os investigadores não descartam pedir novas medidas cautelares ou desdobrar a apuração em novas ramificações.
Entenda o contexto
A Operação Unha e Carne começou com foco no combate a fraudes contratuais e evoluiu para o sufocamento financeiro das milícias e do tráfico de drogas que atuam no Rio de Janeiro. A relevância dessa 6ª fase está em atingir o topo da pirâmide: os operadores de colarinho branco e os padrinhos políticos que dão sustentação ao crime.
Historicamente, o mercado de combustíveis no estado do Rio enfrenta problemas crônicos de sonegação e adulteração, tornando-se o ambiente perfeito para ocultar fortunas. Os próximos desdobramentos prometem redefinir os rumos da segurança pública fluminense e redesenhar as forças políticas que disputarão espaço no Congresso e nas assembleias nos próximos anos.