Até o início de julho de 2026, o governo federal executou R$ 33,8 bilhões em emendas parlamentares, segundo dados do painel Siga Brasil, do Senado Federal. O valor, que inclui repasses do ano corrente (R$ 25,31 bilhões) e restos a pagar de anos anteriores (R$ 8,58 bilhões), representa um recorde histórico quando comparado a outros anos de eleições federais ou municipais.
Para efeito de comparação, nos primeiros seis meses de 2022 (ano de eleição presidencial), o governo havia liberado R$ 20,43 bilhões. Em 2018, o valor pago no mesmo período foi de R$ 6,41 bilhões. Mesmo corrigindo os valores pela inflação (IPCA), o montante de 2026 permanece significativamente superior aos repasses ajustados de 2022 (R$ 21,63 bilhões) e 2018 (R$ 9,6 bilhões).
Para onde está indo o dinheiro?
Os pagamentos das 23.752 emendas de deputados e senadores atendidas no semestre estão maciçamente concentrados no Ministério da Saúde, que absorveu a maior fatia dos recursos, seguido por transferências diretas aos entes federativos.
- Saúde: 21,79 bilhões
- Transferências a Estados, DF e Municípios: 4,54 bilhões
- Integração e Desenvolvimento Regional: 1,71 bilhão
- Desenvolvimento e Assistência Social: 1,08 bilhão
- Agricultura e Pecuária: 821,2 milhões
- Esporte: 757,1 milhões
- Educação: 706,9 milhões
Dentro das subfunções detalhadas, a Atenção Básica (R$ 10,93 bilhões) e a Assistência Hospitalar e Ambulatorial (R$ 10,73 bilhões) lideram os repasses, reforçando o uso do orçamento da saúde como principal destino das indicações políticas.
Histórico Anual de Pagamento de Emendas
O crescimento da execução orçamentária via emendas parlamentares tem sido constante ao longo da última década, ganhando tração especialmente a partir de 2019. Veja a evolução dos valores consolidados por ano fechado (com exceção de 2026, que contabiliza apenas o primeiro semestre):
Governo Lula
2026 (até julho): R$ 33,8 bilhões (Eleições Gerais)
2025: R$ 44,9 bilhões
2024: R$ 40 bilhões (Eleições Municipais)
2023: R$ 34,4 bilhões
Governo Bolsonaro
2022: R$ 28,0 bilhões (Eleições Gerais)
2021: R$ 25,1 bilhões
2020: R$ 21,5 bilhões (Eleições Municipais)
2019: R$ 9,9 bilhões
Governo Dilma/Temer
2018: R$ 9,8 bilhões (Eleições Gerais)
2017 : R$ 4,9 bilhões
2016: R$ 3,6 bilhões (Eleições Municipais)
2015: R$ 44,9 milhões