Erling Haaland, 25, marca os dois gols da vitória da Noruega por 2 a 1 sobre o Brasil, em 5 de julho de 2026, e elimina a seleção nas oitavas do Mundial de Seleções. Em menos de dois dias, transforma a atuação em capital digital e vira um dos personagens centrais da campanha, enquanto rasga elogios a Ronaldo Fenômeno, seu ídolo declarado.
Da queda em Miami ao novo protagonista do torneio
No Hard Rock Stadium, em Miami, a noite termina com a seleção de Carlo Ancelotti fora do torneio e Haaland alçado a vilão esportivo e herói global. A Noruega, tratada como coadjuvante diante da pentacampeã, sai classificada para enfrentar a Inglaterra nas quartas de final, no mesmo estádio, em 11 de julho, às 18h (de Brasília).
A derrota brasileira nas oitavas muda a dinâmica do Mundial. Sem o peso do favoritismo verde-amarelo, seleções como a própria Noruega ganham espaço esportivo, midiático e comercial. Ao mesmo tempo, a eliminação intensifica o debate sobre a capacidade de renovação do futebol brasileiro, coloca Ancelotti sob pressão e abre uma janela para novas narrativas fora do eixo tradicional.
Explosão nas redes e o “efeito Brasil”
Fora de campo, a atuação em Miami aciona uma máquina global de engajamento. Segundo a plataforma Social Blade, Haaland ganha 6,1 milhões de seguidores no Instagram em apenas 48 horas após a partida. Em 30 dias, são 13 milhões de novos seguidores. Quase metade desse salto, 47%, se concentra justamente no período em que ele enfrenta e elimina o Brasil.
Para André Eler, diretor técnico da consultoria Bites, a participação brasileira é decisiva na curva de crescimento. “A repercussão no Brasil é um dos principais motores. Ela é excepcional porque os brasileiros respiram futebol o tempo inteiro e dão uma atenção muito grande ao torneio”, afirma.
Memes com Haaland, Vini Jr. e outros jogadores brasileiros alimentam o fenômeno. O vídeo mais popular, criado com inteligência artificial, recria uma cena da comédia “As Branquelas”, com Vini no papel de Latrell Spencer e o norueguês caracterizado como uma das protagonistas do filme, ao som de “A Thousand Miles”, de Vanessa Carlton. Em uma das postagens, o meme alcança 94,1 milhões de visualizações e 9,1 milhões de curtidas.
O próprio atacante entra na brincadeira, comenta a publicação, marca Vini Jr. e escreve: “Precisamos recriar isso”. O movimento ajuda a humanizar a figura do algoz esportivo e fortalece a identificação com o público brasileiro, que passa a segui-lo também pelo humor e pela postura respeitosa.
“Ele tem a vantagem de sempre ter sido simpático e respeitoso ao falar do Brasil. Isso aumenta um pouco essa identificação, mesmo ele tendo sido o algoz da seleção”, analisa Eler. Segundo o especialista, os brasileiros já são o segundo principal público de Haaland nas redes e tendem a se tornar o maior após o Mundial.
Ronaldo Fenômeno, Cruzeiro e a linhagem dos atacantes
Enquanto a timeline se enche de piadas, Haaland reforça uma conexão mais profunda com o futebol brasileiro. Em seu canal oficial no YouTube, ele volta a apontar Ronaldo Fenômeno como referência máxima na carreira. Não fala só de gols, mas de estilo.
“Ronaldo é um jogador muito especial, todos sabemos. O ‘Fenômeno’. Ele é a inspiração para todo mundo que começa a jogar futebol por conta do jeito que ele driblava e do jeito que aproveitava o futebol”, diz o norueguês.
O elogio ressoa num país em que Ronaldo ainda ocupa um lugar central no imaginário. Revelado pelo Cruzeiro e estreante como profissional em 1993, o ex-atacante parte de Belo Horizonte para dominar a Europa e, mais tarde, volta ao clube como dirigente. Entre 2021 e 2024, atua como acionista majoritário da SAF cruzeirense, conduz a reestruturação financeira e esportiva da equipe, recoloca o time na Série A e, depois, vende sua participação.
Ao se declarar herdeiro simbólico desse legado, Haaland reforça a ponte afetiva com torcedores brasileiros. Também contrasta com a frustração pós-eliminação, em que parte do debate público recorre a qualificações duras sobre a seleção dirigida por Ancelotti. “Dá vontade de vomitar quando se vê esse Brasil”, dispara um campeão francês, em comentário reproduzido pela CNN Brasil.
Impacto esportivo, econômico e simbólico
A vitória norueguesa em Miami traz efeitos que vão além da chave do torneio. Na prática, a saída precoce do Brasil mexe com projeções de audiência, receita publicitária e planos de marketing construídos em torno da seleção. Patrocinadores, emissoras e plataformas digitais ajustam estratégias em tempo real, agora guiados pelo magnetismo de Haaland e por narrativas alternativas que ganham força no Mundial.
O movimento alcança também companheiros de equipe. Protagonista ao defender um pênalti, discutir com Neymar e segurar a pressão brasileira, o goleiro Ørjan Nyland vê sua base digital explodir. De 93,6 mil seguidores na véspera da partida, salta para 287,7 mil no dia seguinte. O crescimento, de mais de 194 mil pessoas em 24 horas, nasce tanto de elogios quanto de cobranças.
Eler lembra que até esse engajamento negativo empurra perfis para cima. Comentários indignados, críticas e debates prolongam a vida útil de cada postagem, alimentam o algoritmo e, no fim, também se convertem em alcance e potencial de monetização. Para clubes, empresários e plataformas, o Mundial funciona como vitrine compacta de audiência global e como laboratório de campanhas digitais.
No Brasil, a eliminação nas oitavas empurra a confederação, o próprio Ancelotti e o elenco para um processo antecipado de revisão de estratégias. A distância entre a tradição de pentacampeã e o desempenho recente entra em discussão, enquanto a hegemonia europeia no futebol de seleções se consolida com mais uma campanha forte de times do continente.
Noruega em ascensão e um Mundial redesenhado
Com a Inglaterra no caminho, em 11 de julho, a Noruega testa se a noite de Miami foi ponto fora da curva ou início de uma nova fase. Haaland chega às quartas como principal estrela do torneio, com valor de mercado e força comercial turbinados. A performance em campo e nas redes reabre discussões sobre contratos de imagem, bônus atrelados a engajamento e novos formatos de exposição para atletas.
O Brasil observa de fora enquanto o Mundial avança redesenhado. A queda da seleção mais tradicional abre espaço para histórias improváveis, como a própria Noruega, e reforça o peso da cultura digital nas carreiras de jogadores. Entre gols, memes e elogios a Ronaldo, Haaland se coloca no centro dessa transição, em que influência global e desempenho esportivo caminham juntos e passam a orientar também o próximo ciclo da seleção brasileira.
Por que Haaland ganhou tantos seguidores brasileiros?
O salto combina a vitrine do Mundial, o confronto direto com o Brasil, a avalanche de memes com jogadores da seleção e a postura respeitosa do norueguês ao falar do país.
Como a eliminação do Brasil afeta o Mundial de Seleções?
A saída precoce derruba projeções de audiência centradas na seleção, abre espaço para equipes menos tradicionais e fortalece a hegemonia europeia nas fases decisivas.
Qual é a relação de Haaland com Ronaldo Fenômeno?
Haaland o trata como principal inspiração. Destaca o modo como Ronaldo driblava e “aproveitava o futebol” e se coloca explicitamente na linhagem do brasileiro.