União Brasil rompe com Flávio Bolsonaro após prisão de aliado

União Brasil abandona apoio a Flávio Bolsonaro após prisão de candidato, impactando alianças para o Senado em 2026.
Redação NC News
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O União Brasil decidiu nesta quinta-feira (9 de julho de 2026) descartar o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Senado. A decisão, tomada em Brasília pela cúpula nacional da legenda, ocorre menos de 24 horas após a prisão preventiva de Canella, candidato do partido ao Senado na chapa fluminense. O episódio implode a aliança com o PL no Rio de Janeiro e obriga os partidos de centro-direita a redesenharem suas estratégias eleitorais na Região Metropolitana e no estado.

Fuzil, lavagem de dinheiro e silêncio de Flávio

A crise foi deflagrada na última quarta-feira (8), quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Unha e Carne. Canella foi detido em flagrante após os agentes federais encontrarem um fuzil em seu veículo. Ele é suspeito de integrar uma organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis.

O racha definitivo, contudo, foi impulsionado pela conduta do clã Bolsonaro diante do escândalo. Lideranças do União Brasil manifestaram profunda irritação com o isolamento imposto pelo senador do PL ao aliado.

“A cúpula do União esperava algum apoio do senador, mesmo que discreto, mas afirmam que nada veio por parte dele”, resume uma importante fonte partidária sob anonimato.

A insatisfação partidária cresceu acompanhada de relatos de bastidores apontando que o PL tentava usar a prisão para forçar a renúncia de Canella, de modo a encaixar um nome puramente bolsonarista na disputa pela vaga ao Senado.

Pressão do PP e o cálculo eleitoral para 2026

O movimento de isolamento a Flávio Bolsonaro ganha musculatura com o apoio do Progressistas (PP), partido que já vinha demonstrando desgaste na relação com o parlamentar. O presidente do PP, Ciro Nogueira — ele próprio alvo recente de investigações da PF envolvendo o setor financeiro —, já havia sinalizado o veto ao nome de Flávio na chapa majoritária antes mesmo da apreensão do fuzil.

Os impactos imediatos do racha partidário:

  • Isolamento do PL: Flávio Bolsonaro perde o palanque de uma das maiores legendas do país em termos de tempo de televisão e fundo eleitoral no Rio de Janeiro.
  • Autonomia do União: A sigla tenta se posicionar de forma independente, mirando o eleitorado conservador fluminense que rejeita a submissão cega ao bolsonarismo.
  • Fortalecimento do PP: O partido de Ciro Nogueira passa a capitanear a busca por uma alternativa de direita tradicional, distanciando-se das crises policiais do PL.

Entenda o Caso

As costuras políticas para as eleições de 2026 no Rio de Janeiro vinham sendo desenhadas sob a premissa de um bloco unificado entre PL, União Brasil e PP. O arranjo garantiria palanque forte e estabilidade política para a centro-direita no Sudeste. Contudo, a entrada da Polícia Federal no circuito expôs fraturas profundas de lealdade partidária.

Agora, o União Brasil avalia dois cenários para o futuro de sua nominata: sustentar juridicamente a elegibilidade de Canella caso ele obtenha liberdade provisória nos próximos dias, ou indicar um novo nome substituto de seus próprios quadros. O desfecho da crise enfraquece a costura de uma frente ampla de oposição no plano nacional e pulveriza o voto da direita nas eleições gerais de 2026.

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