A seleção da França vence Marrocos por 2 a 0 nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, em Foxborough, e avança às semifinais do Mundial de Seleções. Mbappé e Dembélé marcam no Gillette Stadium e mantêm os atuais vice-campeões entre os favoritos ao título.
Mbappé decide de novo, mesmo após pênalti perdido
O roteiro da noite em Massachusetts gira em torno do camisa 10 francês. Kylian Mbappé sofre pênalti, desperdiça a cobrança diante de Bono, volta do intervalo sob pressão e responde com gol e assistência. Sai aos 31 minutos do segundo tempo, com gelo no tornozelo, mas já tem o placar definido.
A partida começa com a França em ritmo alto. Em quatro minutos, Mbappé e Upamecano obrigam Bono a duas boas defesas. A posse de bola se equilibra ao longo do duelo, 52% para os franceses, 48% para os marroquinos, mas o time de Didier Deschamps dita o jogo e passa mais tempo no campo de ataque.
Aos 25 minutos do primeiro tempo, Mbappé parte para cima de Noussair Mazraoui, entra na área e cai após o contato. Facundo Tello aponta o pênalti. O próprio atacante assume a cobrança, bate firme, e Bono defende, mantendo o 0 a 0.
O erro não abala o domínio francês. Doué, Dembélé e Lucas Digne testam os reflexos de Bono, que vira protagonista da primeira etapa. Marrocos responde em faltas e contra-ataques isolados, sem transformar a velocidade em chances claras.
Golaço, calcanhar e classificação em 6 minutos
O intervalo não muda a lógica. A França segue empurrando Marrocos para trás, enquanto o time africano tenta acelerar pelos lados. Doué chuta, Olise encontra Mbappé em posição de impedimento, e o gol parece questão de tempo.
Aos 14 minutos do segundo tempo, o placar enfim se move. Désiré Doué recebe na entrada da área e rola para Mbappé. O atacante ajeita o corpo e finaliza colocado, de lado de pé, no canto. Um golaço, que destrava o jogo e reacende o estádio.
Seis minutos depois, o lance que sela a classificação. Mbappé sai da área, recebe, escora de calcanhar e aciona Ousmane Dembélé em velocidade. O ponta entra livre pela direita e bate cruzado, no cantinho, para fazer 2 a 0 aos 20 minutos. O brilho do camisa 10 vira resumo da atuação francesa.
Com a vantagem, Deschamps ajusta o time. Mateta entra no lugar de Mbappé aos 31 minutos, enquanto Koundé dá espaço a Malo Gusto. A câmera de TV flagra o artilheiro sentado, com gelo no tornozelo, mas ainda sorridente.
Marrocos cai, mas consolida feito histórico
O fim da partida expõe o contraste entre frustração e orgulho marroquinos. A equipe não repete o impacto defensivo de 2022, quando chega à semifinal, mas estabelece novo marco para o continente. Pelo segundo Mundial seguido, um país africano aparece nas quartas de final, desta vez com o peso da expectativa de repetir o milagre.
O esforço não é suficiente para furar a barreira francesa. Maignan trabalha pouco, mas aparece com segurança nos minutos finais, em chute de Azzedine Ounahi e cabeceio de Neil El Aynaoui. A tentativa de reação marroquina termina na linha da grande área, travada pelo controle francês e pelo relógio.
Os 6 minutos de acréscimo assinalados por Tello não mudam o cenário. O apito final sintetiza uma campanha digna, mas interrompida. Marrocos deixa o torneio como a primeira seleção africana a alcançar as quartas de final em duas edições seguidas, resultado que alimenta debates internos sobre investimento em categorias de base, estrutura de clubes e formação de treinadores no norte da África e além.
O goleiro Bono sai valorizado. A defesa do pênalti em Mbappé, somada à série de intervenções nos dois tempos, sustenta a imagem de um dos arqueiros mais seguros do futebol mundial. O desempenho ajuda a manter o interesse de clubes europeus e reforça o argumento de que a distância técnica entre as principais ligas e o talento africano diminui ano a ano.
França mantém hegemonia recente e aquece mercado
A classificação francesa tem impacto que extrapola o gramado. Para a seleção de Deschamps, o 2 a 0 representa mais do que um lugar entre os quatro melhores.
Mbappé encosta em um patamar raro. Com o gol em Foxborough, chega a 8 tentos e empata com Lionel Messi na artilharia do Mundial. A disputa direta com o argentino, que vive sua “última dança” em torneios de seleções, mantém o interesse do público global.
O desempenho da França e de suas estrelas respinga em direitos de transmissão, patrocínios e no mercado de jogadores. A presença do time nas semifinais prolonga a exposição de marcas ligadas à seleção, amplia a audiência nos principais mercados e valoriza ativos individuais. Mbappé, Dembélé e companhia seguem no centro da narrativa esportiva e comercial do torneio.
Marrocos, mesmo eliminado, volta para casa com capital simbólico e político. O feito de repetir uma campanha de destaque coloca pressão sobre federações vizinhas e governos interessados em usar o futebol como vitrine internacional. Aumenta também o apetite de investidores por parcerias em academias, ligas locais e projetos de infraestrutura.
Próximo capítulo: Espanha ou Bélgica no caminho francês
Com a vaga garantida, a França aguarda o vencedor de Espanha x Bélgica, que se enfrentam nesta sexta-feira, 10 de julho, às 16h (horário de Brasília), no SoFi Stadium, em Los Angeles. A escolha do adversário define o tipo de desafio tático que Deschamps terá pela frente: posse prolongada e jogo entrelinhas dos espanhóis, ou transições rápidas e física intensa dos belgas.
O apito de Facundo Tello encerra o jogo em Foxborough, mas não o enredo do Mundial. O duelo em Los Angeles, um dia depois, completa o quadro e alimenta a expectativa por um desfecho que envolve não só taças, mas também audiências recordes, movimentação bilionária e a definição de novos protagonistas do futebol global.