Dois brasileiros condenados pela Justiça de Portugal por uma série de ataques a bancos voltaram ao centro das atenções após detalhes da investigação revelarem um esquema que envolvia sequestros de vítimas, uso de disfarces, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro para dificultar a ação das autoridades.
Akelson Rodrigues de Jesus, de 44 anos, natural do Pará, e Jhones dos Santos, de 43, foram condenados pelo Tribunal de Évora, em abril deste ano. Juntas, as penas chegam a 32 anos e seis meses de prisão. Segundo a decisão, os dois participaram de uma sequência de roubos que causou prejuízo estimado em 548 mil euros — cerca de R$ 3,22 milhões.
Como funcionava o esquema dos assaltos?
Segundo a Justiça portuguesa, a dupla utilizava um método planejado para atacar agências bancárias em diferentes regiões do país.
As investigações apontam que os criminosos agiam com alto grau de organização, utilizando disfarces, escolhendo cuidadosamente o momento das ações e recorrendo ao sequestro de vítimas para facilitar os roubos e impedir reações.
Após os ataques, o dinheiro era submetido ao chamado “branqueamento de capitais”, expressão utilizada em Portugal para o crime equivalente à lavagem de dinheiro no Brasil, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos valores.
Quantos crimes foram atribuídos aos brasileiros?
A maior parte das acusações recaiu sobre Akelson Rodrigues de Jesus.
Segundo a sentença:
- sete roubos;
- nove sequestros;
- um crime de lavagem de dinheiro;
- quatro falsificações de documentos.
Ao todo, ele foi condenado por 21 crimes.
Jhones dos Santos foi responsabilizado por:
- dois roubos;
- um sequestro;
- um crime de lavagem de dinheiro.
Somando as condenações dos dois brasileiros, o processo contabiliza 25 crimes.
Justiça chama dupla de “profissionais do crime”
Durante a leitura do acórdão, o presidente do colegiado responsável pelo julgamento afirmou que o caso envolvia roubos de grandes quantias e classificou os réus como “profissionais do crime”.
Segundo a decisão, os valores obtidos nos assaltos passaram por processos destinados a dar aparência legal ao dinheiro de origem criminosa.
Quem é Akelson Rodrigues de Jesus?
Natural de Tailândia, no interior do Pará, Akelson já possuía um histórico criminal em Portugal antes da nova condenação.
Documentos da Justiça brasileira registram condenações anteriores impostas por diferentes tribunais portugueses por crimes como:
- roubo;
- sequestro;
- coação;
- falsificação de documentos;
- condução sem habilitação;
- lavagem de dinheiro.
Ele chegou a permanecer preso em Portugal desde maio de 2016, com previsão inicial de cumprimento da pena até março de 2038.
Em 2022, porém, foi transferido ao Brasil para continuar cumprindo a condenação imposta pela Justiça portuguesa.
Os documentos analisados não esclarecem qual decisão permitiu que ele deixasse o sistema prisional brasileiro antes de retornar à Europa. Segundo a investigação portuguesa, foi justamente nesse período que ele teria participado dos assaltos ocorridos entre julho de 2023 e setembro de 2024.
Suspeita de identidade falsa para deixar o Brasil
Além dos crimes patrimoniais, Akelson também foi investigado no Brasil por suspeita de utilizar documentos falsos para conseguir um passaporte.
Segundo investigação da Polícia Federal, ele teria apresentado documentação adulterada utilizando outra identidade para obter o documento e embarcar rumo à Holanda em novembro de 2015.
Perícias papiloscópicas apontaram que as digitais vinculadas aos documentos pertenciam à mesma pessoa.
De acordo com o Ministério Público Federal, antes da viagem ele ainda tentou entrar na Europa duas vezes, pela Espanha e por Portugal, sem sucesso.
Depois dessas tentativas, conseguiu emitir um novo passaporte utilizando outra identidade e deixou o Brasil.
O processo acabou sendo remetido para a Justiça Federal no Maranhão, por entender que a maior parte das supostas fraudes ocorreu naquele estado.
E o outro brasileiro condenado?
Jhones dos Santos recebeu pena menor porque, segundo a Justiça portuguesa, participou apenas de parte dos crimes atribuídos à organização.
Durante o julgamento, o presidente do colegiado lembrou que Jhones já havia sido condenado anteriormente por homicídio, em 2009, e afirmou que a punição anterior não impediu sua participação em novos crimes.
Até o momento, os documentos analisados não apontam processos ou execução penal relacionados a ele no Brasil.
Entenda o contexto
A investigação da Justiça portuguesa concluiu que Akelson Rodrigues de Jesus e Jhones dos Santos integraram uma sequência de roubos a bancos marcada pelo uso de violência, sequestro de vítimas, disfarces e lavagem de dinheiro. As condenações somam 32 anos e meio de prisão e envolvem 25 crimes.
No caso de Akelson, o histórico criminal também inclui condenações anteriores em Portugal e uma investigação no Brasil por suspeita de fraude documental para obtenção de passaporte. Os processos mostram uma trajetória marcada por sucessivas acusações em diferentes países, enquanto as autoridades continuam esclarecendo toda a dinâmica dos crimes e do cumprimento das penas.