Entre janeiro e junho de 2026, a Prefeitura de Vitória da Conquista amplia a presença no campo e mantém cerca de 1.400 quilômetros de estradas vicinais em condições de uso. A estrutura das Subprefeituras instaladas em José Gonçalves, Inhobim e Bate-Pé leva também água, serviços sociais, Correios e cursos para produtores a moradores de 11 distritos e mais de 300 povoados.
Estradas melhores, menos isolamento
O movimento muda a rotina de quem vive longe da sede do município, no sudoeste baiano. Estradas patroladas e cascalhadas encurtam o tempo de deslocamento até escolas, postos de saúde e o comércio na cidade. Para agricultores familiares, o impacto aparece no frete mais barato e na redução de perdas na hora de escoar a produção.
Em José Gonçalves, o poder público recupera 653 quilômetros de estradas vicinais no semestre. O distrito concentra uma das frentes mais intensas de trabalho e serve como vitrine da estratégia das Subprefeituras, chamadas oficialmente de Postos Avançados de Atendimento ao Cidadão (PAACs).
Morador do povoado de Itapirema há seis décadas, José Aldemar Gomes Silva resume a mudança na paisagem e na relação com a Prefeitura. “A Subprefeitura aqui para nós é muito boa, porque a gente tem uma assistência maior. Antigamente para ter um benefício da prefeitura aqui era com muito trabalho. Mas hoje as estradas estão perfeitas, tudo patrolado e cascalhado”, afirma.
Subprefeituras como ponte com o campo
Os PAACs I, II e III começam a funcionar entre julho de 2019 e outubro de 2020. A ideia é simples: levar para dentro dos distritos parte dos serviços que antes exigiam longas viagens até o centro urbano. Atendimentos sociais, cadastramento em programas federais, emissão de documentos, organização de cursos, entrega de correspondências e pedidos de água passam a ser resolvidos ali mesmo.
O secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Breno Farias, define essa estrutura como peça-chave da política para a zona rural. “As subprefeituras são fundamentais para aproximar a gestão municipal das comunidades rurais. Com essa estrutura, conseguimos acompanhar de perto as necessidades de cada região, agilizar o atendimento das demandas e oferecer respostas mais rápidas à população. É uma forma de fortalecer a presença da Prefeitura na zona rural e garantir que os serviços cheguem com mais eficiência a quem vive no campo”, diz.
O desenho reduz a distância entre gabinete e roça, mas também exige coordenação local. Em José Gonçalves, o PAAC registra 62 solicitações de fornecimento de água potável, 1.083 atendimentos do programa de transferência de renda, 513 do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e 22 do INSS ao longo do semestre. A unidade ainda organiza a entrega de 1.454 itens pelos Correios e 126 resultados de exames.
“A Subprefeitura é essa ponte entre o poder público e a população, levando serviços, ouvindo as necessidades das comunidades e trabalhando para promover desenvolvimento, dignidade e melhores condições para quem vive e produz no campo”, afirma o coordenador local, Gustavo Barros.
Água, cursos e atendimentos em Inhobim e Bate-Pé
Em Inhobim, a estratégia combina estrada, limpeza e assistência social. A Prefeitura mantém 360 quilômetros de vias vicinais e realiza 49 ações de limpeza de lotes e 8 de aguadas, fundamentais em uma região que convive com estiagens. No balcão de atendimento, o PAAC soma 768 registros do programa de transferência de renda, 695 cadastros em programas sociais, 215 atendimentos do CRAS e 650 emissões ligadas ao Cartão SUS. O posto também entrega 446 encomendas dos Correios e organiza três cursos para produtores rurais.
Segundo o coordenador Osmário Lacerda, o resultado só aparece porque há estrutura fixa na região. “A Subprefeitura é uma estrutura muito importante para a zona rural. Atualmente nós temos duas patróis nessa região, retroescavadeira, pá carregadeira, caminhões-pipa e realizamos atendimentos dos serviços assistenciais toda quarta-feira”, relata.
No distrito de Bate-Pé, o foco recai sobre o acesso e a conservação de espaços públicos. Ali, a gestão municipal recupera 163,5 quilômetros de estradas, executa oito serviços de manutenção em áreas públicas, dois em quadras e terrenos e promove uma ação de limpeza de tanque. O braço social registra 395 atendimentos do CRAS e 293 do programa de transferência de renda. A logística de comunicação ganha fôlego com 2.978 entregas dos Correios intermediadas pela Subprefeitura.
Para o coordenador Augusto Cardoso, a experiência mostra que a presença física do Estado na comunidade ainda é determinante. “O governo chega até as pessoas com mais agilidade. Portanto, esses espaços não podem deixar de existir em hipótese alguma, haja vista que as pessoas estão lá e precisam do nosso atendimento”, afirma.
Vida cotidiana em transformação
Para a população, a mudança aparece em gestos simples do dia a dia. Em Boa Sorte, na região de José Gonçalves, a moradora Cleuma Vieira Santos conta que a relação com a Prefeitura deixa de ser distante. “Facilita bastante e as nossas reivindicações chegam até mais rápido! Sempre fomos muito bem atendidos. Estão sempre fazendo manutenção em nossas estradas e preocupados com o homem do campo”, diz.
A malha de 1.400 quilômetros de estradas mantidas no semestre é o dado mais visível. Mas a rede de serviços que nasce em torno dos três PAACs mexe também com indicadores menos palpáveis, como permanência no campo, acesso a benefícios e inserção em políticas públicas. Moradores passam a resolver cadastro em programas sociais sem depender de transporte até a sede, retiram cartas e encomendas sem atrasos e recebem cursos que podem ampliar a renda na propriedade.
O modelo, no entanto, cobra preço da administração. A Secretaria de Desenvolvimento Rural precisa manter patrulhas mecanizadas em funcionamento, garantir combustível para caminhões-pipa, renovar equipamentos e manter equipes de assistência presentes nos distritos. A continuidade das ações depende de orçamento estável e planejamento de médio prazo.
Se o ritmo se sustenta, a tendência é que os efeitos se acumulem nos próximos anos, com maior dinamismo econômico local e redes de cooperação mais fortes entre produtores, associações e poder público. Caso falte recurso ou coordenação, o risco é ver estradas se deteriorarem novamente e a confiança da população rural se esvaziar.
O primeiro semestre de 2026 encerra com balanço positivo entre gestores e moradores. A disputa agora é menos sobre o mérito da descentralização e mais sobre a capacidade da Prefeitura de Vitória da Conquista de proteger, no orçamento e na rotina da máquina pública, a estrutura que colocou o campo mais perto da cidade.
Quais melhorias a Prefeitura de Vitória da Conquista levou aos distritos e povoados da zona rural?
No primeiro semestre de 2026, a Prefeitura mantém cerca de 1.400 km de estradas vicinais, amplia atendimentos sociais, leva água potável, cursos, entrega de exames e encomendas pelos Correios.
Como a SMDR está atuando na zona rural de Vitória da Conquista?
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural coordena as Subprefeituras de José Gonçalves, Inhobim e Bate-Pé, organiza patrulhas mecanizadas, caminhões-pipa e centraliza atendimentos sociais e de apoio aos produtores.