Flávio Bolsonaro culpa governo Lula por tarifas da China e barreiras da União Europeia à carne brasileira

Senador e pré-candidato à Presidência classifica como incompetência a falta de acordo para barrar a alíquota de 55% sobre o excedente da cota pecuária. Parlamentar cita suspensão de exportações ao bloco europeu prevista para setembro.
Redação NC News
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O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), criticou duramente a política externa e comercial do governo federal nesta sexta-feira (10). A manifestação ocorre após a divulgação de que o Brasil preencheu 98,5% da cota de carne bovina isenta de taxas adicionais para a China, ativando uma alíquota protecionista de 55% sobre o excedente. O parlamentar atribuiu o esgotamento do limite e o início de férias coletivas em frigoríficos à falta de articulação do Palácio do Planalto e associou a crise ao recente bloqueio sanitário imposto pela União Europeia.

Críticas ao sistema de cotas e alerta ao agronegócio
Em pronunciamento oficial, Flávio Bolsonaro argumentou que a administração federal falhou ao não negociar a flexibilização das barreiras alfandegárias de Pequim para 2026. O modelo implementado pelos chineses estabelece uma tarifa padrão de 12% até o teto de 1,1 milhão de toneladas; uma vez superado o volume, a incidência da sobretaxa de 55% eleva o custo tributário total dos embarques adicionais para 67%, inviabilizando o lucro dos produtores nacionais.

“Será que o Lula também vai dizer que eu sou responsável pelas tarifas da China? Há poucos dias a Europa tirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne para lá. A irresponsabilidade do governo está colocando em risco os produtores brasileiros, justamente o nosso agro, que é um setor tão importante da economia e empregabilidade do nosso país”, disparou o senador do PL.

O impasse sanitário com o mercado europeu
Para endossar as críticas sobre a suposta fragilidade diplomática do governo, o pré-candidato evocou as recentes sanções comerciais anunciadas pela comunidade europeia. A União Europeia determinou a exclusão do Brasil da lista de nações autorizadas a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano.

Os detalhes da restrição na Europa:

Motivo do bloqueio: O governo brasileiro descumpriu o prazo regulamentar para apresentar as garantias técnicas exigidas pelo bloco sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção pecuária.

Prazo de vigência: A suspensão das compras pelo mercado europeu está programada para entrar em vigor em 3 de setembro de 2026, caso o Ministério da Agricultura não reverta os apontamentos técnicos.

Prejuízo setorial: A combinação de restrições nos dois principais destinos globais estrangula o escoamento da produção e eleva o risco de desvalorização das  commodities agrícolas brasileiras.

Entenda o Caso
As discussões envolvendo as restrições ao agronegócio brasileiro ganharam contornos de palanque eleitoral. O esgotamento precoce da cota de 1,1 milhão de toneladas para a China em pleno mês de julho reflete, por um lado, o ritmo recorde de produção e exportação dos frigoríficos no primeiro semestre. Por outro, expõe a forte dependência do país em relação ao apetite do mercado asiático.

A exploração do tema pela oposição — conectando o teto tarifário chinês às exigências sanitárias pendentes da União Europeia — visa desgastar a imagem internacional do presidente Lula junto às lideranças do agronegócio, setor historicamente alinhado ao bolsonarismo. A interlocução comercial com Pequim e a adequação aos critérios de saúde animal da Europa passam a ser tratadas pela centro-direita como métricas centrais de eficiência econômica nas discussões para o pleito geral.

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