Eliana desembarca na Itália com a filha Manuela, de 8 anos, e registra a primeira visita ao Lago de Como. A viagem de lazer, em pleno verão europeu, vira vitrine de um destino sofisticado e caro para o bolso brasileiro.
Influência de celebridade acende alerta no bolso
A apresentadora da Globo escolhe o norte da Itália para alguns dias de descanso em família e divide a experiência com milhões de seguidores. A produção cuidadosa das imagens e o cenário que parece pintura alimentam o imaginário de quem sonha em cruzar o mapa da Europa em busca de paisagens cinematográficas.
Ao mesmo tempo, o detalhamento dos custos revela uma realidade menos idílica. Reproduzir, ainda que em versão enxuta, o roteiro de Eliana no Lago de Como exige um investimento mínimo estimado em R$ 12,7 mil por pessoa, considerando sete noites de estadia e saída de São Paulo em julho de 2023. Para hospedagem em um hotel três estrelas dentro da média da região, a conta sobe para cerca de R$ 16,9 mil.
Esse retrato interessa a um público que já se acostumou a ver a Itália ligada a grandes jogos da seleção nacional, duelos como Itália x Bósnia e clássicos que marcam o calendário do futebol europeu. Agora, o país aparece também como objeto de desejo para férias em família, longe dos estádios, mas com a mesma carga simbólica que a bandeira tricolor italiana carrega quando a nazionale entra em campo.
Do avião ao barco: o caminho até o Lago de Como
O ponto de partida do roteiro é São Paulo. Em julho, mês de alta temporada, passagens aéreas de ida e volta até Milão aparecem a partir de R$ 5.246. Fora do verão europeu, o mesmo trecho pode sair por menos de R$ 4 mil, sempre sujeito à combinação de datas, conexões e antecedência na compra.
O Lago de Como, apesar da fama que rivaliza com grandes capitais onde a Itália jogo após jogo escreve sua história esportiva, não tem aeroporto próprio. O desembarque costuma acontecer em Malpensa, principal porta internacional de Milão, a cerca de 50 quilômetros do centro. De lá, o turista segue de trem até a estação Milano Centrale.
A partir dali, o trajeto até a cidade de Como é direto. O trem entre Milano Centrale e Como San Giovanni leva por volta de 40 minutos e custa a partir de 5,20 euros por trecho, o equivalente a cerca de R$ 30 na cotação usada, com o euro próximo de R$ 5,84 em 10 de julho de 2023. São cerca de 17 partidas diárias, o que permite ajustar o horário à chegada do voo.
Na região do lago, o deslocamento se espalha por barcos que cruzam as águas e ligam cidades como Bellagio, Varenna, Menaggio e Tremezzo. Esses trechos não entram nos cálculos básicos, mas são praticamente inevitáveis para quem busca o cenário de cartão-postal que aparece nas redes de Eliana.

Hospedagem e refeições empurram orçamento para cima
O grande divisor de águas no orçamento está na hospedagem. Buscadores turísticos mostram hotéis em Como a partir de 116 euros por noite, algo em torno de R$ 680 com a cotação considerada. Em sete noites, apenas a diária mínima soma aproximadamente R$ 4,7 mil.
Quando se observa a média dos estabelecimentos, o salto é evidente. Hotéis três estrelas giram em torno de 218 dólares por noite, cerca de R$ 1,1 mil. Quatro estrelas chegam a US$ 508, e cinco estrelas custam, em média, US$ 1.151 por diária. A apresentadora não revela em qual hotel está hospedada, mas a paisagem à beira d’água sugere um recorte de alto padrão da hotelaria local.
Em cálculos que incluem passagens aéreas, sete diárias, alimentação, trem até Como e uma reserva para barcos e passeios, uma pessoa viajando sozinha, saindo de São Paulo e ficando sete noites, gasta a partir de R$ 12,7 mil. Ao optar por um hotel três estrelas dentro da média, o valor chega a cerca de R$ 16,9 mil.
Quando o roteiro é pensado para duas pessoas, o impacto cresce. Um casal dividindo uma hospedagem simples e mantendo o mesmo padrão de gastos desembolsa em torno de R$ 20,7 mil. O valor não inclui seguro-viagem, bagagem despachada, compras, transporte até o aeroporto no Brasil nem possíveis taxas cobradas pelos hotéis italianos.
Turismo de luxo ganha força com o apelo de Eliana
O movimento de Eliana ao expor sua viagem ao Lago de Como reforça uma tendência que já se nota em roteiros exclusivos vendidos por agências brasileiras. O país que domina manchetes esportivas, seja em amistosos como Itália vs seleções menores ou em duelos de grandes torneios, agora disputa espaço também nas aspirações de famílias em busca de experiências mais intimistas.
Ao publicar fotos e vídeos, a apresentadora comenta o deslumbramento com o cenário. “Estamos no Lago de Como, norte da Itália, um lugar que parece cenário de filme. É a nossa primeira vez por aqui e confesso que estamos completamente encantados”, escreve. O relato reforça o imaginário de um destino romântico, seguro e adequado para crianças, com passeios de barco, pequenas caminhadas e refeições à beira do lago.
O efeito prático dessa exposição tende a favorecer o turismo local. Hotéis de médio e alto padrão, empresas de transporte e operadoras de passeios em barco ou lancha devem sentir aumento na procura de brasileiros nos meses seguintes à viagem. Agências que já trabalham com pacotes para cidades tradicionais do mapa italiano, como Roma e Milão, passam a oferecer roteiros que incluem Como e suas vizinhas mais caras.
O outro lado desse movimento é a preservação do Lago de Como como nicho de alto padrão. Os valores elevados, em especial no auge do verão europeu, afastam quem viaja com orçamento mais apertado. A região se mantém associada a um público de maior poder aquisitivo, interessado em conforto, exclusividade e, muitas vezes, em registrar o roteiro para as redes sociais.
Euro caro, sonho distante e próximos passos
A cotação do euro, usada em R$ 5,84 nos cálculos, continua a ser o fator decisivo. Alterações cambiais podem aproximar ou afastar o sonho de repetir a viagem de Eliana. Um cenário de moeda europeia mais barata tende a atrair mais brasileiros; o contrário consolida o Lago de Como como um desejo distante, mais visto nas telas do que das margens do lago.
Nos bastidores do turismo, operadoras e hotéis monitoram a repercussão. Se o interesse se mantiver, pacotes personalizados para famílias podem ganhar força, inclusive combinando jogos de futebol da Itália nazionale em Milão com alguns dias de descanso no lago, aproveitando a boa estrutura de trens e estradas.
O futuro do destino para o público brasileiro depende de um equilíbrio delicado entre câmbio, preços locais e infraestrutura. O Lago de Como tem potencial para crescer no radar do turista que já conhece a Itália além dos estádios e dos clássicos Itália x rivais tradicionais. A pergunta que fica é se o bolso do brasileiro conseguirá acompanhar o ritmo desse encanto, sobretudo em tempos de moeda estrangeira volátil.
Quanto custa viajar para a Itália, destino da apresentadora Eliana?
Considerando saída de São Paulo, sete noites na região do Lago de Como em julho de 2023 e gastos básicos, o valor parte de cerca de R$ 12,7 mil por pessoa.
Quais cidades da Itália a apresentadora Eliana visitou?
O roteiro divulgado destaca o Lago de Como, no norte da Itália, com chegada por Milão. Outras cidades italianas não são mencionadas no material disponível.
Quais são os principais custos para quem quer viajar para a Itália como Eliana?
Os maiores gastos são a passagem aérea São Paulo-Milão, a hospedagem por sete noites na região do Lago de Como, alimentação, trem até Como e passeios de barco.
Qual é a melhor época para viajar para a Itália, segundo a experiência de Eliana?
A viagem de Eliana ocorre em julho, no verão europeu, quando o clima favorece passeios ao ar livre, mas os preços são mais altos. Fora da alta temporada, as passagens ficam mais baratas.