O São Paulo acerta nesta segunda-feira (13) os detalhes finais para contratar o lateral-direito Aurélio Buta, 29, livre desde o fim do vínculo com o Eintracht Frankfurt. O acordo verbal está fechado e o clube espera apenas a troca de documentos para oficializar o jogador como reforço para a temporada 2026.
A diretoria tricolor trata a chegada de Aurélio Buta como movimento estratégico em um mercado inflacionado e com pouco espaço para grandes investimentos. O português, nascido em Angola, chega sem custo de aquisição e assina por uma temporada, modelo visto no Morumbis como forma de controle de risco e de folha salarial.
O formato do negócio atende à necessidade imediata de reforçar a lateral direita sem comprometer o orçamento em longo prazo. A próxima janela de transferências abre em 20 de julho, e o plano é ter o jogador regularizado já nos primeiros dias do período.
O São Paulo aguarda documentação vinda de Portugal para concluir o processo.
Rafinha assume bastidor e Dorival avalia reforço
A negociação marca também uma mudança de bastidores no departamento de futebol. Depois da saída do executivo Rui Costa, o ex-capitão Rafinha, agora gerente esportivo, assume protagonismo na montagem do elenco ao lado do advogado Felipe Carvalho.
A dupla identificou em Buta o perfil buscado pela comissão técnica: atleta experiente, com histórico sólido na Europa e possibilidade de chegada sem pagamento de taxa de transferência.
A movimentação responde diretamente a uma lacuna aberta no elenco. Durante a intertemporada, o clube liberou Cédric Soares, até então reserva imediato de Lucas Ramon. O português está fora dos planos, treina em horários alternativos e é oferecido em negociações. Buta entra justamente nesse espaço, para disputar posição com os jovens Maik e Igor Felisberto.
Carreira europeia e números de base por Portugal
Revelado pelo Benfica, Aurélio Buta fez praticamente toda a carreira no futebol europeu. Passando pelas divisões de base do clube lisboeta, mas não se firma no time principal. Ganha espaço em outras ligas e constrói trajetória em quatro países diferentes do continente.
O lateral atua no Royal Antwerp, da Bélgica, no Stade de Reims, da França, e no Eintracht Frankfurt, da Alemanha, clube com o qual mantém vínculo até o fim de junho de 2026. Na reta final da última temporada, é emprestado ao FC Copenhagen, da Dinamarca, onde disputa seus últimos jogos antes de ficar livre no mercado.
Na formação, ainda passa por todas as seleções de base de Portugal, do sub-16 ao sub-20, somando 39 jogos oficiais. Esse histórico ajuda a construir a imagem de jogador rodado, acostumado a ambientes competitivos, o que pesa na análise do São Paulo.
Impacto imediato na lateral e na política de reforços
A tendência é que o português brigue imediatamente por espaço na rotação e, a depender da adaptação ao futebol brasileiro, possa assumir a titularidade. Dorival ganha um atleta com leitura tática europeia, capacidade de apoiar o ataque e experiência em contextos de pressão.
Na prática, o São Paulo troca um lateral europeu por outro, mas em condições financeiras mais favoráveis. Cédric chegou com status alto, mas não se consolidou. Buta chega com investimento bem menor e contrato curto, o que reduz o peso de uma eventual aposta frustrada e, ao mesmo tempo, abre possibilidade de renovação em caso de desempenho acima da média.
A contratação também se encaixa em um movimento mais amplo de remodelação do elenco para o segundo semestre de 2026. O clube já anuncia Victor Sá, para o ataque, e o volante Newton, além de avançar na negociação com o zagueiro Domingos Duarte, outro nome avalizado por Dorival. A diretoria tenta montar um núcleo mais experiente em setores-chave, combinando jogadores rodados com pratas da casa.
Desafio de adaptação e próximos passos do São Paulo
O sucesso da operação passa agora por dois fatores: o desfecho burocrático da documentação internacional e a adaptação rápida de Aurélio Buta ao calendário brasileiro. O lateral vem de anos em ligas com ritmo e estilo de jogo diferentes. Vai encarar viagens longas, gramados de qualidade variável e sequência intensa de partidas pelo Brasileirão, Copa do Brasil e competições continentais.
Internamente, a avaliação é que o jogador chega motivado por um novo ambiente e pela chance de atuar em um clube de grande visibilidade no cenário sul-americano. O contrato de apenas uma temporada funciona como teste para ambos os lados: o São Paulo observa desempenho, minutagem e condição física; o atleta mede sua adaptação ao país, ao estilo de jogo e à pressão da arquibancada.
Se a experiência der certo, o caminho natural é discutir renovação ainda antes da abertura do mercado de 2027. Em caso de dificuldade de adaptação, o clube mantém flexibilidade para buscar outro perfil no exterior ou no próprio mercado nacional. Enquanto isso, a diretoria corre para registrar o reforço a tempo da reestreia no calendário pós-intertemporada, que deve marcar também a consolidação da nova cara do elenco tricolor.