Moraes aciona Ministério Público para investigar Flávio Bolsonaro por suposta propaganda eleitoral antecipada

Alexandre de Moraes afirma que Flávio Bolsonaro pode ter usado uma carta escrita por Jair Bolsonaro para promover sua pré-candidatura antes do período permitido pela legislação eleitoral.
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou o envio de informações ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para apurar se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) praticou propaganda eleitoral antecipada ao divulgar, em suas redes sociais, uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em apoio à sua pré-candidatura à Presidência da República.

Na decisão publicada nesta segunda-feira, Moraes afirma que a divulgação de vídeos no Instagram e no Youtube extrapolou o direito de visita ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar, e passou a configurar um ato de promoção política antes do período autorizado pela legislação eleitoral.

Segundo o ministro, o conteúdo da carta apresenta expressões que equivalem a um pedido explícito de voto. No texto, Jair Bolsonaro pede que apoiadores deixem divergências de lado e se mobilizem em favor da pré-candidatura de Flávio, apontado por ele como a melhor opção para o país.

Visitas suspensas e prazo para a defesa

Além de acionar o MPE, Moraes suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai. O ministro entendeu que o senador utilizou o encontro para obter um documento destinado à divulgação nas redes sociais, descumprindo as restrições impostas ao ex-presidente.

A decisão também determina que a defesa de Jair Bolsonaro informe, em até 48 horas, se ele tinha conhecimento de que a carta seria publicada.

Moraes ainda encaminhou o caso à Procuradoria Geral da República (PGR) e afirmou que a conduta pode representar reincidência, lembrando que situação semelhante ocorreu em agosto de 2025 e contribuiu para a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente.

Entenda o caso

A decisão foi tomada após Flávio Bolsonaro publicar um vídeo em que lê uma carta de Jair Bolsonaro. No texto, o ex-presidente o apresenta como seu porta-voz e manifesta apoio à sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.

A divulgação ocorreu poucos dias depois da troca pública de críticas entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro. Em meio ao desgaste, Michelle deixou a presidência do PL Mulher, cargo que ocupava dentro do partido.

A publicação da carta provocou reações de parlamentares da oposição e também de aliados do ex-presidente. O PT apresentou uma representação ao STF pedindo a revogação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, sob o argumento de que ele teria descumprido medidas impostas pela Corte.

Jair Bolsonaro cumpre atualmente em prisão domiciliar sua pena de 27 anos e três meses de prisão, por ser apontado como líder de uma organização criminosa que tentou realizar um golpe de estado para mantê-lo na presidência após a derrota nas eleições de 2022.

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