“Se nós morrermos, o Brasil para”, alerta líder caminhoneiro sobre ameaça de greve geral

Em entrevista ao NC News Acontece, Francisco Dalmauro, o Chicão Caminhoneiro, cobrou o cumprimento de acordos pelo Senado Federal e avisou que a categoria vai escalar os bloqueios pelo país caso a MP do frete não seja votada até esta quinta-feira.
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A paralisação dos caminhoneiros autônomos, que já afeta os acessos aos portos de Santos, Paranaguá e Itajaí, pode ganhar proporções nacionais severas nos próximos dias. A advertência foi feita por Francisco Dalmauro, o “Chicão Caminhoneiro”, líder da União Brasileira dos Caminhoneiros, em entrevista ao vivo para o NC News Acontece. Segundo o representante sindical, a paciência da categoria esgotou diante dos atrasos do Congresso Nacional.

A mobilização tem um alvo direto: pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), a colocar em votação a Medida Provisória 1343/2026, cujo prazo de validade expira nesta quinta-feira, 16 de julho.

Quebra de acordo e cobrança aos políticos

Durante a entrevista, Chicão revelou que os bloqueios atuais são uma resposta direta a uma promessa descumprida pela liderança do Senado. A categoria possuía um alinhamento prévio com o Senado para que a MP fosse pautada no dia 1º do mês, garantindo tempo hábil para discussões e eventuais ajustes. O compromisso, no entanto, foi quebrado. Com a validade da MP se encerrando no dia 16, a não votação faria com que o projeto retornasse “à estaca zero”, anulando as conquistas negociadas.

“O que os caminhoneiros do Brasil precisam é que os políticos cumpram com a palavra. Como parece que eles não dão valor para a nossa categoria, até parece que não somos importantes no processo, não votaram na semana passada. A coisa pode complicar muito se ele não colocar em votação”, declarou o líder sindical.

O impacto de uma paralisação total

Questionado sobre os efeitos que a greve gera na vida da população, prejudicando o abastecimento de feiras e supermercados, Chicão Caminhoneiro lamentou os danos colaterais, mas foi enfático ao defender a sobrevivência financeira da categoria. Ele classificou o modal rodoviário como a “engrenagem principal da máquina chamada Brasil”.

Para ilustrar o peso do setor, ele rebateu argumentos de que alternativas logísticas poderiam suprir a demanda. Ele destacou que até mesmo o agronegócio é inteiramente dependente dos caminhões para transportar sementes, fertilizantes e maquinário pesado.

“Não se faz limonada sem espremer limão. A gente sabe que poderemos trazer dificuldades para as pessoas, mas elas precisam entender que se nós não tomarmos as rédeas dessa situação, nós morreremos. E se nós morrermos, o povo do Brasil morre. O Brasil para”, cravou.

Entenda o Caso

A Medida Provisória 1343/2026, foco da atual disputa entre caminhoneiros e o Senado, traz alterações profundas nas regras e garantias do transporte rodoviário de cargas. Entre as principais demandas que a categoria tenta salvar da expiração estão:

  • Piso para longas distâncias: Aumento do piso do frete para R$ 5.000 em viagens longas que deixem o motorista mais de 24 horas longe da base.
  • Fluxo de caixa: Redução do prazo máximo para o pagamento do frete pelas empresas, caindo de três meses para apenas 30 dias.
  • Anistia: O texto prevê o perdão de multas aplicadas a motoristas e empresas que participaram das paralisações nacionais após as eleições de 2022.
  • Punições mais duras: Multas de R$ 100 mil a R$ 1 milhão para contratantes que descumprirem as novas referências de preços.

Caso o Senado não anuncie a pauta de votação imediatamente, a União Brasileira dos Caminhoneiros ameaça que o movimento deixará de ser regional e fechará as principais rotas de escoamento e abastecimento de todo o país.

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