Jornalista deixa programa da TVE ao vivo acusando assédio

Marta Gómez Montero denuncia assédio moral e provoca crise na TVE durante transmissão ao vivo.
Redação NC News
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A jornalista espanhola Marta Gómez Montero abandona ao vivo, em lágrimas, o programa “Malas lenguas Noche”, da TVE, no sábado, 11 de julho de 2026. Na saída, acusa o apresentador Jesús Cintora de assédio moral e humilhação diante do público.

Explosão ao vivo expõe bastidor da TV pública

O rompimento acontece sem aviso, em plena transmissão do canal público espanhol. Em vez de comentar o tema em debate, Marta decide falar da relação com o colega de bancada.

A cena, registrada por milhões de espectadores e rapidamente replicada em redes sociais, transforma um programa de atualidades em palco de denúncia sobre o ambiente de trabalho na televisão pública. Em segundos, a discussão política sai de cena e entra a acusação de maus-tratos.

Enquanto o programa discute declarações do político Alberto Núñez Feijóo sobre absenteísmo, Cintora passa a palavra à comentarista. Marta recusa. Com a voz embargada, dispara: “Desculpa, você não vai me humilhar de novo. Sinto-me absolutamente humilhada. Aguentei muito tempo, aguentei para pagar as contas, pelos meus filhos, mas não aguento mais”.

O desabafo rompe a liturgia do estúdio. A jornalista chora, explica que suporta o que chama de abusos e maus-tratos por necessidade financeira, e afirma que perdeu o limite do aceitável.

“Prefiro comer merda”: ruptura sem volta no ar

Sem citar episódios específicos, Marta recorre à literatura para resumir o que sente. Ela parafraseia um trecho de “Ninguém escreve ao coronel”, de Gabriel García Márquez, no qual o protagonista, em extrema penúria, responde à esposa sobre o que vão comer.

“Bem, eu, Cintora, prefiro comer merda”, afirma, olhando para o apresentador. Em seguida, retira o microfone, recolhe seus papéis e deixa o estúdio. Não responde às tentativas de Cintora de entender o que ocorre nem à intervenção dos colegas. A transmissão continua sem ela.

Cintora tenta imediatamente enquadrar o episódio diante das câmeras. Diz ao público que a comentarista “decidiu sair” e afirma que “ninguém está sendo humilhado aqui”. O esforço para normalizar a situação contrasta com a imagem de ruptura que acaba de ir ao ar.

O vídeo circula em veículos espanhóis e internacionais ainda no fim de semana. Nas redes, o caso vira gatilho para relatos de telespectadores e profissionais sobre assédio moral em ambientes hierarquizados, sobretudo em redações e programas ao vivo.

Negativa, pedido de desculpas e retorno ao estúdio

A reação pública de Jesús Cintora vem nas horas seguintes, em suas redes sociais. Ele nega as acusações de assédio moral e maus-tratos e tenta enquadrar o episódio como um mal-entendido ligado à dinâmica do debate.

Segundo o apresentador, ele apenas faz um gesto para que Marta espere sua vez de falar. No texto, busca preservar a imagem da colega. “A Marta Gómez Montero é uma boa jornalista e colega que participa com muita frequência do nosso programa. Depois de ter dito em privado, quero apresentar-lhe as minhas desculpas pelo transtorno causado. A Marta conta com a minha amizade e as portas do programa estão abertas para ela”, escreve.

A emissora, pressionada pela repercussão, também entra em cena. O presidente da RTVE, José Pablo López, se manifesta oficialmente em 13 de julho de 2026, durante audiência na Comissão Parlamentar Mista de Controle da corporação no Congresso espanhol. Ele confirma que Marta permanece na grade e deve voltar ao ar.

O retorno acontece pouco depois. De volta à bancada de “Malas lenguas Noche”, a jornalista minimiza o rompimento em frente às câmeras e o descreve como um impulso momentâneo. “O importante não sou eu, a audiência que está nos assistindo”, afirma, num tom mais contido, tentando deslocar o foco de si.

Ela e Cintora dão as mãos diante das câmeras, gesto que busca sinalizar reconciliação e estabilidade. A imagem, porém, não encerra o debate iniciado no sábado.

Crise de bastidor vira debate sobre assédio moral

O episódio pressiona a TVE a rever práticas internas. Emissora pública, financiada com recursos do Estado espanhol, a RTVE responde a critérios de transparência mais rígidos e à vigilância direta do Parlamento.

A denúncia de Marta, feita em tempo real, expõe as assimetrias de poder em programas de auditório e noticiários. Comentadores e repórteres, muitas vezes em posições mais vulneráveis, dependem do emprego para sustentar famílias, como ela mesma enfatiza ao lembrar das contas e dos filhos.

Para especialistas em relações de trabalho ouvidos por veículos espanhóis, episódios desse tipo costumam acelerar ajustes de conduta em redações e equipes de TV. Códigos internos de ética, até então tratados como formalidade, passam a ser cobrados na prática. Programas de treinamento em gestão de equipe e comunicação ganham força.

Gestores e apresentadores, especialmente em canais públicos, enfrentam maior escrutínio sobre sua forma de conduzir debates, distribuir a palavra e reagir a conflitos ao vivo. A linha entre o embate editorial e a humilhação pública se torna tema central.

Para os profissionais mais expostos, o impacto é imediato. Casos como o de Marta tendem a encorajar denúncias de abusos semelhantes e exigem que as empresas ofereçam canais seguros de queixa, com proteção contra retaliações. Na prática, qualquer nova polêmica nesse campo passa a ser comparada ao que ocorreu em “Malas lenguas Noche”.

O que pode acontecer daqui para frente

A reconciliação pública entre Marta e Cintora reduz a temperatura imediata da crise, mas não encerra o capítulo. A RTVE é cobrada por sindicatos, entidades de classe e opinião pública a mostrar quais protocolos adota para investigar alegações de assédio moral.

O caso também deixa um marco na trajetória de Marta Gómez Montero. O gesto de abandonar o estúdio ao vivo, e as frases que pronuncia naquele 11 de julho de 2026, entram para a memória recente da televisão espanhola. A decisão de voltar ao programa, por sua vez, expõe o dilema de quem denuncia abusos e continua sob o mesmo guarda-chuva profissional.

Nos próximos meses, a emissora deve ser pressionada a detalhar treinamentos, revisões de código de conduta e mecanismos de proteção a colaboradores. Qualquer mudança servirá de termômetro para medir até onde o impacto desse sábado à noite, em um estúdio da TVE, altera de fato a cultura de trabalho na mídia espanhola.

Quem é Marta Gómez Montero?

Marta Gómez Montero é uma jornalista espanhola que atua como comentarista no programa de atualidades “Malas lenguas Noche”, exibido pelo canal público TVE.

Por que Marta Gómez Montero abandonou o programa ao vivo?

Ela disse sentir-se humilhada e vítima de assédio moral e maus-tratos por parte do apresentador Jesús Cintora e afirmou que não suportava mais a situação.

Quais acusações Marta Gómez Montero fez contra o apresentador?

Marta acusou Jesús Cintora de assédio moral, maus-tratos e humilhação reiterada durante o trabalho no programa, dizendo que suportou isso por necessidade financeira.

O que aconteceu durante a participação de Marta Gómez Montero no programa da TVE?

Em 11 de julho de 2026, ela chorou ao vivo, recusou-se a comentar o tema do debate, fez as acusações, tirou o microfone e saiu do estúdio.

Qual foi a reação da TVE após o abandono de Marta Gómez Montero?

O presidente da RTVE afirmou, em 13 de julho de 2026, que Marta continuaria no canal e confirmou seu retorno ao programa “Malas lenguas Noche”.

Houve alguma reviravolta no caso de Marta Gómez Montero?

Sim. Depois da acusação pública, Marta voltou ao programa, chamou a saída de impulso momentâneo e apareceu de mãos dadas com Jesús Cintora no estúdio.


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