A Espanha venceu a França por 2 a 0 nesta terça-feira (14), no estádio de Dallas, e impedeu Kylian Mbappé de chegar à terceira final seguida do Mundial de Seleções. O atacante de 27 anos, artilheiro do torneio ao lado de Messi com oito gols, passa em branco e vê a campanha francesa terminar na semifinal.
Espanha domina, França para e recorde escapa
A seleção de Luis de la Fuente controla o jogo desde o início e transforma uma semifinal cercada de expectativa em demonstração de força coletiva. A Espanha dominou a França desde o primeiro minuto, venceu por 2 a 0 e está de volta à final do Mundial após 16 anos. Oyarzabal abre o placar de pênalti aos 19 minutos do primeiro tempo, e Pedro Porro amplia aos 13 da etapa final.
Oyarzabal assume a responsabilidade da marca da cal, desloca Maignan e confirma o bom momento. No segundo tempo, a equipe espanhola encontra espaço às costas da defesa francesa, Dani Olmo faz o pivô e deixa Pedro Porro na cara do gol para definir o resultado.
Do outro lado, o plano de Didier Deschamps implode. A França, campeã em 2018 e vice em 2022, sonhava com a terceira decisão consecutiva. O desfecho derruba também a busca pessoal de Mbappé, chegar a final do Mundial. Se chegasse à final, ele igualaria Cafu, presente em três decisões seguidas entre 1994 e 2002.
Mbappé anulado em campo, exposto pelo coletivo espanhol
Referência ofensiva da França, o camisa 10 encontra um cenário raro nesta edição do torneio. Até a semifinal, só não havia marcado em uma partida, contra a Noruega, quando Dembélé decide com três gols. Diante da Espanha, a história muda. “Artilheiro do Mundial ao lado de Messi com oito gols, Mbappé foi anulado, passou em branco e não balançou as redes”, relata o UOL.
Marcado de perto, ele finaliza apenas três vezes em toda a partida, duas delas nos minutos finais, já com o placar definido. A França só consegue acertar o gol de Unai Simón aos 35 minutos do segundo tempo, em chute de Doué após erro do goleiro fora da área. O próprio Simón se recupera e evita o gol, garantindo a Espanha como única seleção a não sofrer gols dos franceses no torneio.
O desempenho reforça a diferença de funcionamento coletivo entre as duas seleções. A Espanha pressiona alto, ocupa o campo ofensivo e impede as transições que alimentam a velocidade de Mbappé. Deschamps mexe no time, perde Saliba por lesão ainda no primeiro tempo e vê Dembélé, Olise, Barcola e o próprio Mbappé trombarem em uma muralha vermelha.
O triunfo leva a seleção espanhola de volta a uma final de Mundial depois de 16 anos, desde o título de 2010 sobre a Holanda. A equipe também escreve uma marca histórica: “A Espanha chegou a 37 jogos invicta, igualando a marca da Itália”, aponta o UOL. A última derrota acontece em março de 2024, em amistoso contra a Colômbia. Se não perder a decisão no MetLife Stadium, em Nova Jersey, no domingo (19), a equipe se isola como recordista com 38 partidas sem derrota.
Derrota em 2026, patrimônio em alta
A eliminação em Arlington derruba o projeto do tricampeonato consecutivo francês, mas não muda o lugar de Mbappé na elite econômica do esporte. “Kylian Mbappé está entre os atletas mais bem pagos do mundo deste ano, com ganhos totais de US$ 95 milhões”, informa a Forbes Brasil. O contrato com o Real Madrid, assinado em meados de 2024, e uma carteira crescente de patrocínios e negócios sustentam a cifra.
Esse dinheiro se materializa em tijolo e concreto. Em 2017, aos 18 anos, o atacante compra uma cobertura no 16º arrondissement de Paris, um dos endereços mais caros da capital francesa. Localizado perto do Arco do Triunfo, o imóvel resume a ascensão precoce do então fenômeno do Monaco. “A cobertura em Paris possui 850 metros quadrados, 12 quartos, quadra esportiva particular, banho turco e diversas áreas de lazer”, descreve a Forbes Brasil. A estimativa é de custo superior a R$ 54 milhões, com janelas voltadas para a Torre Eiffel.
Não há registro público de venda dessa propriedade, que segue como símbolo da fase parisiense de Mbappé, encerrada esportivamente com a saída do PSG rumo ao Real Madrid. Já instalado na Espanha, ele repete a estratégia: fixa residência em um enclave de luxo ainda maior.
La Finca, SCI e a blindagem do futuro
Ao chegar a Madri, Mbappé escolhe La Finca, condomínio de alto padrão em Pozuelo de Alarcón, região metropolitana da capital, endereço de empresários, figuras da nobreza espanhola e craques como Cristiano Ronaldo e Karim Benzema. Segundo o portal Idealista, especializado em mercado europeu, ele adquire justamente a antiga casa de Gareth Bale.
“A mansão em La Finca tem aproximadamente 1,2 mil metros quadrados, oito quartos, piscinas, academia, spa, sala de cinema e espaço para golfe”, detalha a Forbes Brasil. O terreno beira 3 mil metros quadrados e a avaliação varia entre R$ 64 milhões e R$ 75 milhões. A localização, a poucos minutos do centro de treinamento do Real Madrid, combina conforto e logística de rotina.
Imóveis de uso pessoal são apenas uma parte da estratégia. A mesma Forbes aponta que “Mbappé controla ao menos quatro empresas do tipo SCI, com imóveis em Paris e arredores”. As Sociétés Civiles Immobilières funcionam como holdings imobiliárias, usadas por famílias e investidores para comprar, administrar e transferir propriedades com mais eficiência tributária e sucessória.
Essas estruturas detêm terrenos e residências nos arredores da capital, em municípios como Les Pavillons-sous-Bois, Aulnay-sous-Bois e áreas nobres às margens do Sena. Paralelamente, o jogador centraliza investimentos empresariais na Coalition Capital, braço da Interconnected Ventures, com participações em negócios como Loewe Technology, o clube SM Caen e o time France SailGP.
Do ponto de vista esportivo, a queda em 2026 parece mais interrupção que ponto final. A seleção francesa tem média de idade em torno de 26,5 anos, com margem para brigar de novo em 2030 e 2034. “Na Copa de 2030, Mbappé terá 31 anos, ainda com idade para jogar”, lembra a Folha de S.Paulo. O Mundial de 2030 será dividido entre Espanha, Portugal e Marrocos, o que pode colocar o atacante em uma decisão em casa, em pleno Santiago Bernabéu.
Até lá, a frustração de Arlington convive com um patrimônio em expansão. Em campo, Mbappé deixa escapar a chance de igualar Cafu. Fora dele, constrói uma rede de empresas e imóveis que o protege de qualquer oscilação de resultado. A Espanha joga a final no domingo e pode se tornar recordista isolada de invencibilidade. A França e seu principal astro voltam para casa com uma eliminação precoce, mas ainda com tempo, dinheiro e estrutura para tentar reescrever a história na próxima década.