Tarifaço dos EUA acirra guerra política; Flávio culpa Lula e vira ‘Tariflávio’ entre petistas

Tarifas americanas elevam tensão política entre governo e oposição no Brasil.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A imposição de uma tarifa de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em vigor desde a noite desta quarta-feira (15), transferiu a crise comercial diretamente para o centro da disputa presidencial no Brasil. O senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou as redes sociais para culpar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo “tarifaço”. Em contrapartida, aliados do governo federal reagiram batizando o episódio de “tariflávio”, acusando o parlamentar de atuar contra os interesses nacionais.

A decisão de Washington encerra formalmente a investigação iniciada em julho de 2025 sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana. O estopim para a apuração da Casa Branca foi a tese, defendida por alas da oposição brasileira nos EUA, de que o governo Lula estaria promovendo uma “caça às bruxas” política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Troca de acusações e a influência de Marco Rubio

A crise ganhou contornos eleitorais quando o senador republicano Marco Rubio, um dos principais aliados de Donald Trump, publicou duras críticas à diplomacia brasileira, alegando falta de boa-fé nas tratativas bilaterais.

“O presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé. (…) No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, escreveu Rubio em suas redes sociais.

Flávio Bolsonaro endossou a publicação de Rubio e subiu o tom contra o Palácio do Planalto, tentando colar em Lula a pecha de negligência com o mercado internacional:

  • Ataque da Oposição: “Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil. Estamos num avião sem piloto. Enquanto eu estava nos EUA tentando evitar o tarifaço, Lula preferiu provocar Trump. (…) Quem paga essa conta é o povo brasileiro!”, disparou Flávio, rotulando o PT de “Partido do Tarifaço”.
  • Reação Governista: Integrantes do PT e partidos aliados reagiram de imediato. A militância governista resgatou o histórico das seis viagens que Flávio realizou a

Washington desde que anunciou sua pré-candidatura, acusando-o de usar audiências públicas e contatos com republicanos para inflar a narrativa de perseguição política que deu sustentação jurídica à investigação americana. Para os governistas, Flávio e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, atuaram como “traidores da pátria” ao municiar os EUA contra a economia nacional.

O impacto econômico e a resposta do Planalto

O tarifaço de 25% atinge diretamente setores vitais da economia brasileira voltados à exportação para os EUA, especialmente a agroindústria, o setor manufatureiro e as commodities de menor valor agregado. Empresas exportadoras já calculam os prejuízos e preveem a necessidade de renegociar contratos, redirecionar cargas e até cortar postos de trabalho.

Em resposta imediata à ofensiva de Washington, o governo brasileiro anunciou uma contraofensiva.

Lei de Reciprocidade

O Planalto confirmou que acionará de forma imediata o dispositivo legal, aprovado por unanimidade no Congresso Nacional, para aplicar sobretaxas equivalentes a produtos importados dos Estados Unidos.

Novas Parcerias

Como estratégia de médio prazo, o Ministério do Desenvolvimento e o Itamaraty informaram que vão acelerar missões comerciais para a Ásia, Europa e blocos de países emergentes, buscando reduzir a dependência comercial em relação ao mercado norte-americano.

A escalada protecionista preocupa diplomatas e economistas, que alertam para o risco de uma guerra tarifária aberta encarecer insumos importados, pressionar a inflação doméstica e afetar a imagem do Brasil como parceiro estável em cadeias globais de valor. A disputa de narrativas promete se estender como um dos temas centrais dos debates eleitorais ao longo de todo o ano.

Carregar Comentários