Trump e China fecham o cerco e ameaçam emprego e preço da comida no Brasil

O trabalhador brasileiro está no centro de uma perigosa guerra comercial global. Ao mesmo tempo em que os Estados Unidos aplicam um tarifaço de 25% sobre produtos nacionais, a China impõe uma taxa barreira de 55% sobre a nossa carne bovina, provocando férias coletivas em frigoríficos.
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A estabilidade econômica do Brasil está sob forte pressão em duas frentes internacionais simultâneas. O que antes parecia apenas uma disputa diplomática distante agora bate à porta do chão de fábrica e ameaça o emprego de milhares de trabalhadores.

Para o professor de economia da FGV, Joelson Sampaio, as barreiras adotadas pelas duas maiores potências do planeta abandonaram o caráter puramente técnico e entraram de vez na seara da pressão política e geopolítica, trazendo incerteza e graves desafios para o mercado nacional.

Alerta vermelho: férias coletivas nos frigoríficos

Se a pressão americana preocupa a médio prazo, o bloqueio vindo da Ásia já é uma realidade amarga e imediata para o campo. A China, principal parceira comercial do país, acionou um gatilho financeiro devastador contra a pecuária brasileira.

Segundo relatório técnico da consultoria StoneX, as exportações brasileiras de carne bovina atingiram rapidamente 98,5% da cota anual livre de tarifas estabelecida por Pequim. Com o limite praticamente esgotado, os chineses passaram a cobrar uma alíquota protecionista severa de 55% sobre qualquer volume excedente.

O impacto dessa barreira foi imediato no bolso do produtor e na vida do trabalhador:

  • Parada na produção: Frigoríficos em todo o país acenderam o sinal de alerta e frearam as atividades.
  • Corte nos abates: O ritmo de processamento de carne bovina despencou para evitar prejuízos com o imposto chinês.
  • Férias coletivas: Grandes indústrias do setor de proteína animal iniciaram a concessão de férias coletivas em massa, concentrando os prejuízos e a suspensão de postos de trabalho no estado de Mato Grosso.

O ‘alívio’ calculado de Washington

Do outro lado do hemisfério, o tarifaço de 25% assinado por Donald Trump ameaça estrangular indústrias nacionais de calçados, tecidos, móveis e máquinas agrícolas. Para evitar o desabastecimento em seu próprio país, no entanto, o governo americano poupou estrategicamente mais de 2 mil itens considerados essenciais para as fábricas de lá.

A lista de isenções do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) deixou de fora produtos do agronegócio e matérias-primas fundamentais, como café, mel orgânico, suco de laranja, pescados, couros, sucata de ferro e insumos farmacêuticos. O próprio governo norte-americano justificou que a taxação desses insumos geraria “indisponibilidade e perturbações” na sua economia interna.

O perigo do revide: inflação na mesa do trabalhador

Pressionado, o governo brasileiro estuda dar o troco usando a Lei de Reciprocidade Econômica para sobretaxar produtos importados dos EUA. No entanto, analistas alertam que o revide pode se transformar em um tiro no pé em pleno ano eleitoral, encarecendo insumos que a nossa própria indústria precisa para produzir.

O professor Joelson Sampaio reforça que a melhor saída para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ainda é a via diplomática, sob o risco de castigar o consumidor final:

“Se o Brasil avançar numa reciprocidade, isso pode também trazer impactos negativos internos, principalmente para o mercado consumidor via inflação. E aí, nesse cenário, o caminho mais difícil, o mais indicado seria uma negociação para reverter essas tarifas, esses cenários, e trazer ali um cenário de mais tranquilidade para os empresários brasileiros.”

O país agora enfrenta um dilema de alta voltagem: aceitar passivamente as perdas impostas pelas superpotências ou reagir e correr o risco real de ver a inflação explodir no prato de comida do trabalhador brasileiro.

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