O café com pão de queijo pode até ser uma tradição, mas outro símbolo da mesa mineira também entrou na conta da inflação. O preço do doce de leite subiu 25% em apenas um ano, enquanto o queijo Canastra apresentou mudanças diferentes conforme a região de produção. Os dados fazem parte de um novo levantamento que criou indicadores próprios para acompanhar a variação dos preços de dois dos produtos mais tradicionais de Minas Gerais.
A pesquisa foi realizada pelo MercadoMineiro, entre os dias 8 e 10 de julho de 2026, no Mercado Central de Belo Horizonte. Foram analisados preços de doces típicos, queijos artesanais e frutas secas, com comparação em relação aos valores registrados no mesmo período de 2025.
Doce de leite fica 25% mais caro em um ano
O levantamento apontou que o preço médio do quilo do doce de leite passou de R$ 29,41 em julho de 2025 para R$ 36,77 em julho de 2026, uma alta de 25,03%.
Além da elevação no preço médio, a pesquisa encontrou uma grande diferença entre os estabelecimentos. O produto foi encontrado por R$ 28,00/kg no menor valor e R$ 39,90/kg no maior, uma variação de 42,5%.
Entre outros doces tradicionais, o maior aumento foi registrado pelo doce de cidra, que teve alta de 51,09%, passando de R$ 23,43 para R$ 35,40 por quilo.
Na sequência aparecem:
- Doce de mamão ralado: alta de 44%;
- Doce de leite especial: aumento de 33%;
- Cocada branca: alta de 32,92%;
- Goiabada lisa: aumento de 29,30%;
- Doce de laranja: alta de 28,90%.
Pesquisa revela diferença de quase 50% nos preços dos doces
Além da inflação dos produtos, o levantamento mostrou que o consumidor pode pagar valores bem diferentes dependendo do local escolhido para comprar.
O doce de leite com coco, por exemplo, apresentou preços entre R$ 30,00 e R$ 43,90/kg, uma diferença de 46,33%.
Já alguns doces como laranja, goiabada lisa, goiabada cascão, mamão anel e mamão ralado chegaram a variar 47,60% entre os estabelecimentos pesquisados, com valores entre R$ 25,00 e R$ 36,90 por quilo.
Queijo Canastra tem comportamento diferente conforme a região
Enquanto o doce de leite apresentou uma alta generalizada, os preços do queijo Canastra tiveram comportamentos diferentes conforme a origem do produto.
O maior aumento foi registrado pelo Queijo Canastra produzido na Serra do Salitre, que passou de R$ 46,00 para R$ 52,90/kg, alta de 15% em 12 meses.
O Queijo Canastra feito em São Roque também ficou mais caro, mas com reajuste menor: passou de R$ 44,68 para R$ 46,90/kg, aumento de 4,97%.
Por outro lado, algumas variedades tiveram redução de preço:
- Queijo Canastra de Araxá: queda de 3,92%, de R$ 42,42 para R$ 40,76/kg;
- Queijo Canastra São Roque Extra: redução de 8,41%, de R$ 52,57 para R$ 48,15/kg.

Queijo Canastra pode variar mais de R$ 10 entre lojas
A pesquisa também identificou diferenças importantes entre os estabelecimentos.
O Queijo Canastra São Roque apresentou a maior variação, sendo encontrado entre R$ 42,90 e R$ 52,90/kg, diferença de 23,31%.
Já o Canastra Araxá teve preços entre R$ 39,90 e R$ 42,90/kg, enquanto o São Roque Extra variou de R$ 46,90 a R$ 49,90/kg.
Alguns produtos, porém, mantiveram o mesmo preço em todos os pontos pesquisados: o Canastra Serra do Salitre (R$ 52,90/kg), o Queijo Minas Serro (R$ 39,90/kg) e o Queijo Parmesão (R$ 59,90/kg).
Mercado Central continua como referência dos sabores mineiros
Segundo o levantamento, os números mostram que pesquisar antes da compra pode representar economia, principalmente em produtos artesanais, que sofrem influência de fatores como origem, qualidade da matéria-prima, tempo de maturação e processo de fabricação.
O Mercado Central de Belo Horizonte segue como um dos principais centros da gastronomia mineira, reunindo produtores tradicionais e consumidores em busca de produtos típicos do estado.
Novo índice mede a inflação dos produtos mineiros
Inspirado no conhecido Índice Big Mac, criado para acompanhar variações de preços ao redor do mundo, o levantamento criou dois indicadores regionais: o Índice do Doce de Leite e o Índice do Queijo Canastra.
A proposta é acompanhar, ao longo dos anos, como os custos de produção, a oferta e outros fatores econômicos influenciam o valor de produtos que fazem parte da identidade gastronômica de Minas.