O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que os Estados Unidos estabeleceram junho como limite para que Rússia e Ucrânia alcancem um acordo capaz de encerrar o conflito iniciado em 2022. A declaração foi feita durante entrevista concedida na sexta-feira (6).
Segundo o líder ucraniano, a administração do presidente Donald Trump pretende acelerar as negociações e, caso não haja avanço dentro do prazo, deve pressionar os dois lados para forçar uma definição.
Exigência territorial da Rússia trava acordo
Um dos principais entraves nas negociações é a exigência de Moscou para que a Ucrânia abra mão de territórios ocupados, incluindo áreas estratégicas do Donbass e a Crimeia. Kiev, por sua vez, mantém posição inflexível e descarta qualquer concessão territorial como condição para o fim da guerra.
Zelensky reforçou que esse ponto segue sendo o mais sensível das tratativas e que decisões dessa natureza só poderiam ser debatidas em uma reunião direta entre chefes de Estado.
Nova rodada de negociações pode ocorrer nos EUA
De acordo com o presidente ucraniano, Washington sugeriu que a próxima rodada de negociações trilaterais aconteça nos Estados Unidos, possivelmente em Miami. Caso se concretize, será a primeira vez que o país sediará encontros diretos envolvendo representantes de Kiev e Moscou.
A Ucrânia já confirmou participação nas conversas, que devem abordar tanto aspectos diplomáticos quanto econômicos.
Proposta bilionária russa entra na mesa de negociações
Zelensky revelou ainda que a Rússia apresentou aos americanos uma proposta econômica estimada em US$ 12 trilhões, como parte do pacote de negociação. O plano, segundo ele, estaria ligado a acordos bilaterais mais amplos e à tentativa de destravar o diálogo político.
Enquanto as negociações avançam lentamente, a Ucrânia enfrenta uma nova ofensiva russa. Mais de 400 drones e dezenas de mísseis atingiram infraestruturas estratégicas, principalmente do setor energético, durante a madrugada de sábado.
Subestações e instalações de geração de energia foram danificadas em diversas regiões, forçando usinas nucleares a reduzir a produção e ampliando os cortes no fornecimento elétrico em todo o país.
Cessar-fogo energético volta a ser discutido
Zelensky afirmou que os EUA retomaram a proposta de um cessar-fogo voltado à proteção da infraestrutura energética, especialmente durante o inverno rigoroso. A Ucrânia se diz disposta a aderir à medida, desde que haja compromisso real por parte da Rússia.
O presidente, no entanto, demonstrou cautela ao lembrar que uma trégua semelhante, aceita anteriormente por Moscou, foi descumprida poucos dias depois.
Impasse persiste após reuniões internacionais
O prazo defendido pelos EUA surge após encontros diplomáticos realizados em Abu Dhabi, que não resultaram em avanços concretos. Além da disputa territorial, também não houve consenso sobre a gestão da usina nuclear de Zaporizhzhia, hoje sob controle russo.
Washington afirma que continuará atuando como mediador e que pretende ter papel central tanto nas negociações quanto na fiscalização de um eventual cessar-fogo.