Vice-governador de SP diz que patrimônio milionário da esposa em declaração do IR foi erro de digitação; entenda o caso

Documento apontava R$ 4,7 milhões em dinheiro vivo, mas vice-governador Felício Ramuth afirma que houve erro de digitação e informa que valor correto é de R$ 47 mil após retificação.
Redação NC News
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A declaração de Imposto de Renda da segunda-dama de São Paulo, Vanessa Ramuth, passou a chamar atenção após indicar inicialmente a existência de R$ 4,7 milhões em dinheiro em espécie. O valor constava na declaração referente ao ano-base de 2024, entregue em 2025, e representaria um aumento superior a 31 vezes em relação aos R$ 149 mil em espécie informados no documento do ano anterior.

Após a divulgação das informações, o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (MDB), afirmou que houve um erro de digitação na declaração apresentada à Receita Federal. Segundo ele, o valor correto seria de R$ 47 mil em dinheiro vivo. Para comprovar a correção, foi apresentada uma nota assinada pelo escritório de contabilidade responsável e um trecho da declaração já retificada.

O que aconteceu?

A divergência surgiu porque a declaração inicialmente registrada indicava R$ 4,7 milhões mantidos em espécie, valor considerado incomum em declarações patrimoniais. Segundo a versão apresentada posteriormente pela defesa da família, o número teria sido inserido incorretamente durante o preenchimento do documento.

De acordo com o vice-governador, a declaração foi corrigida junto à Receita Federal assim que o equívoco foi identificado.

Qual é o patrimônio declarado?

Mesmo com a correção informada para o valor em dinheiro vivo, a declaração de Vanessa Ramuth aponta um patrimônio expressivo.

Entre os bens e ativos declarados estão:

  • investimentos bancários de aproximadamente R$ 2,3 milhões;
  • crédito de cerca de R$ 850 mil a receber do próprio marido;
  • participação avaliada em R$ 9,6 milhões na empresa Visio Panamá Corporation S.A., sediada no Panamá.

Os documentos apresentados foram confirmados junto ao sistema da Receita Federal.

Como evoluiu o patrimônio?

Os documentos mostram uma evolução patrimonial significativa desde o início do atual mandato estadual. Em janeiro de 2023, quando Felício Ramuth assumiu o cargo de vice-governador ao lado do governador Tarcísio de Freitas, Vanessa Ramuth havia declarado patrimônio de aproximadamente R$ 2,1 milhões.

Na época, os bens incluíam:

  • uma casa avaliada em R$ 325 mil;
  • créditos de R$ 1,6 milhão a receber de empresa da qual é sócia;
  • cerca de R$ 7 mil em títulos;
  • R$ 91 em conta bancária.
  • Na declaração referente ao exercício seguinte, o patrimônio informado passou para aproximadamente R$ 18,3 milhões, considerando os valores inicialmente declarados antes da retificação apresentada pela defesa.

Quais empresas fazem parte do patrimônio?

No Brasil, Vanessa Ramuth aparece como sócia de três empresas:

  • Direct Serviços Digitais e Sistema Ltda;
  • Magic Drone Show de Luzes Ltda;
  • Rpiovesan Empreendimentos Ltda.
  • Além disso, a declaração informa participação societária na empresa panamenha Visio Panamá Corporation S.A.

O que diz a defesa?

A versão apresentada pelo vice-governador é de que não houve alteração patrimonial relacionada aos R$ 4,7 milhões inicialmente informados em espécie, mas sim um erro material de preenchimento da declaração.

Segundo a nota assinada pelo escritório de contabilidade responsável, o documento foi retificado e o valor correto registrado passou a ser de R$ 47 mil em dinheiro vivo.

Até o momento, não há informação sobre abertura de investigação relacionada exclusivamente à divergência apontada na declaração.

Entenda o contexto

A legislação brasileira permite que contribuintes retifiquem suas declarações de Imposto de Renda para corrigir erros de preenchimento ou atualizar informações, desde que as alterações sejam realizadas conforme as regras da Receita Federal.

A divulgação da evolução patrimonial da segunda-dama ocorre em meio ao aumento da atenção pública sobre declarações de bens de autoridades e familiares de ocupantes de cargos públicos. Nessas situações, especialistas destacam que divergências podem decorrer tanto de erros formais quanto de mudanças patrimoniais efetivas, cabendo aos responsáveis apresentar documentação que comprove as informações declaradas.

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