Quase metade dos moradores do Norte e Centro-Oeste ignora principal sintoma do câncer colorretal

Apesar de a doença ser a segunda mais incidente no Brasil, 43% dos entrevistados da região não buscam ajuda médica ao notar sangramento nas fezes, aponta estudo inédito do A.C.Camargo e Nexus.
Redação NC News
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Uma pesquisa nacional conduzida pelo A.C.Camargo Cancer Center, em parceria com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, revelou um cenário preocupante sobre o diagnóstico do câncer colorretal no Brasil. O levantamento “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos” aponta que o desconhecimento dos sintomas atrasa a busca por tratamento, com destaque crítico para as regiões Norte e Centro-Oeste.

Nessas localidades, 43% da população afirma não tomar nenhuma atitude ao notar a presença de sangue nas fezes, o maior índice de inação do país, optando por apenas esperar o sintoma passar.

O paradoxo regional: Proximidade vs. Ação

Os dados evidenciam um forte contraste. O Norte e o Centro-Oeste lideram o índice nacional de contato próximo com a doença: 25% dos moradores relatam ter um parente (19%) ou amigo (6%) que já enfrentou o tumor, superando a média brasileira, que é de 21%.

Apesar dessa vivência, a região registra a menor taxa de busca por socorro. Apenas 39% procuram assistência médica imediata ao identificar o sangramento. Para efeito de comparação, a média nacional de busca por ajuda é de 59%, distribuída da seguinte forma nas demais regiões:

  • Sudeste: 72%
  • Sul: 53%
  • Nordeste: 49%

Enquanto a taxa de “não fazer nada” diante do sintoma chega a 43% no eixo Norte/Centro-Oeste, nas outras regiões a inação é significativamente menor: 23% no Nordeste, 10% no Sudeste e apenas 3% no Sul.

Percepção de gravidade e desinformação

O atraso no diagnóstico não ocorre por falta de preocupação do paciente. A pesquisa revela que 76% dos entrevistados do Norte/Centro-Oeste consideram grave (32%) ou muito grave (44%) a presença de sangue nas fezes ou uma mudança no ritmo intestinal persistente.

O problema principal reside na falta de associação desses sinais com o câncer colorretal. Apenas 62% ligam o sintoma à doença — o menor nível de reconhecimento do país —, em comparação com a média nacional de 67% e o pico de 70% registrado no Sudeste. A combinação de alta percepção de risco com a falta de clareza sobre o que ele significa ajuda a explicar a paralisação dos pacientes.

Prevenção e Exames

O desconhecimento também afeta os métodos de prevenção. Cerca de 68% dos moradores do Norte/Centro-Oeste nunca ouviram falar do exame de “Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes” (PSO), um recurso laboratorial simples capaz de detectar vestígios da doença antes mesmo de sintomas visíveis aparecerem.

Curiosamente, a região detém o maior percentual de realização desse procedimento (13%), sugerindo que, quando devidamente informada e orientada, a população local não hesita em realizar a testagem.

Cenário Nacional

A urgência em debater o tema reflete as estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Divulgados em fevereiro deste ano, os números preveem o surgimento de 53.810 novos casos anuais no Brasil para o triênio 2026-2028, o que consolida o câncer de intestino como o segundo tumor de maior incidência no país.

Diante do crescimento da doença, especialistas do A.C.Camargo reforçam que sinais como sangramento, dor abdominal persistente, alteração no ritmo intestinal e perda de peso sem causa aparente jamais devem ser ignorados. Os exames preventivos são recomendados a partir dos 45 anos, ou antes, dependendo do histórico familiar.

“O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, afirma o Dr. Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center.

Metodologia A pesquisa da Nexus realizou entrevistas presenciais com 2.015 cidadãos a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação, entre os dias 25 e 30 de junho de 2026. A margem de erro da amostra é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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