Morre aos 95 anos Azulão, ícone do Ratinho Livre que emocionou gerações

A partida de Mário Pereira, conhecido como Azulão, revive lembranças da TV popular e do icônico Ratinho Livre.
Redação NC News
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Mário Pereira, o Azulão, ex-assistente de palco do Programa do Ratinho Livre e figura histórica da TV popular, morreu aos 95 anos em São Paulo. A notícia da morte do músico e animador, ocorrida na última sexta-feira, comoveu fãs do programa e profissionais da televisão.

Uma perda sentida na TV e na música
A morte de Azulão atingiu em cheio uma geração que cresceu com o Programa do Ratinho Livre nas noites da TV aberta. O assistente de palco se tornou um personagem fixo no imaginário do público que acompanhava a atração na Record, em uma época em que o auditório virou sinônimo de confusão divertida, música alta e bordões que invadiram o dia a dia.

O impacto extrapolou a lembrança pontual de um coadjuvante. A ausência de Azulão reabriu a discussão sobre a importância de personagens que não ocupavam o centro do palco, mas ajudavam a definir o clima e a identidade de um programa. O caso também reforçou a tendência de resgate da história da televisão brasileira, em meio à migração de audiência para o streaming e às transformações da TV aberta.

Do bairro à fama nacional
Mário Pereira construiu sua trajetória longe dos holofotes antes de se tornar Azulão. Morador de São Paulo, querido na Vila Santa Catarina, ele trabalhou por décadas na Record até ser incorporado ao elenco de apoio do Programa do Ratinho Livre, no fim dos anos 1990. Na atração, assumiu o papel de ajudante de palco expansivo, sempre pronto para interagir com a plateia, atender aos pedidos do apresentador e embarcar nas brincadeiras.

Azulão se consolidou como marca registrada, apoiado no visual chamativo e nas intervenções espontâneas durante o programa. O carisma lhe rendeu espaço cativo em quadros de apelo popular, nos quais o público passou a reconhecer instantaneamente a figura ao lado do apresentador. Em uma TV então dominada por grandes auditórios, Azulão personificou o funcionário que virou personagem, uma ponte entre bastidor e espetáculo.

A projeção nacional o levou também para a música. Em 1998, ele lançou o álbum Azulão, que levou para o estúdio o clima de festa do programa. Uma das faixas, “Solta o Azulão”, aproveitou diretamente o bordão do apresentador Ratinho, transformando um chamado de palco em refrão de canção. A aposta mostrou a versatilidade típica dos artistas de auditório, que cantavam, dançavam, improvisavam e se adaptavam ao que a TV pedia.

Legado no Programa do Ratinho Livre
O Programa do Ratinho Livre se apoiava fortemente em seu elenco para construir identidade. Azulão fazia parte de um grupo de assistentes, produtores e humoristas que assumia o papel de personagens recorrentes, ao lado de jurados, repórteres de rua e figuras do elenco feminino e masculino. A fórmula criava familiaridade com o público, que aprendia a chamar cada um pelo apelido.

Azulão se destacava nesse conjunto pela proximidade física com o apresentador. Sempre a poucos passos do centro do palco, ajudava a organizar a movimentação de convidados, plateia e atrações musicais. Também se tornava alvo frequente de brincadeiras, broncas encenadas e improvisos que alimentavam o ritmo acelerado do Ratinho Livre.

A presença constante fez dele uma espécie de termômetro do auditório. Quando Azulão entrava em cena, o público já sabia que vinha confusão, piada interna ou participação em algum quadro. A função, que poderia ser puramente operacional, ganhou contornos de performance. O assistente saiu do anonimato técnico e se tornou elemento narrativo do programa.

Memória afetiva e cultura televisiva
A notícia da morte de Azulão reacendeu a memória afetiva de quem acompanhou o auge do Programa do Ratinho Livre na Record. Em redes sociais e rodas de conversa, fãs resgataram imagens de um período em que a TV aberta dominava a rotina noturna das famílias, com grandes plateias, atrações musicais ao vivo e humor improvisado.

O falecimento também jogou luz sobre o papel de figuras secundárias na construção da cultura televisiva. Sem o brilho dos protagonistas, assistentes de palco como Azulão ajudavam a costurar o cotidiano dos programas, seguravam as pontas nos intervalos, faziam a plateia reagir e, muitas vezes, se tornavam o rosto mais próximo do público comum no estúdio.

Para o setor de mídia e entretenimento, a morte de um personagem tão identificado com a TV popular abriu espaço para homenagens e retrospectivas. Emissoras e plataformas digitais tenderam a revisitar trechos antigos do programa, reexibir quadros e mergulhar na trajetória de profissionais que, como Azulão, atravessaram décadas de bastidores antes de ganhar projeção nacional.

Repercussão e próximos passos
Nos próximos dias, a expectativa era de que colegas de profissão, ex-integrantes do Programa do Ratinho Livre e fãs organizassem tributos, tanto presenciais quanto nas redes sociais. A Record, emissora em que Azulão trabalhou por décadas, tinha material abundante de arquivo que poderia abastecer especiais, reportagens e conteúdos comemorativos.

O interesse renovado pela figura de Azulão também tendia a ressuscitar o álbum lançado em 1998. Em plataformas digitais e coleções físicas, a procura por Azulão e por “Solta o Azulão” deveria crescer, impulsionada pela curiosidade de novas gerações e pela nostalgia dos antigos telespectadores do Programa do Ratinho Livre.

No médio prazo, a morte de Mário Pereira alimentou uma discussão mais ampla sobre como a televisão brasileira preservava sua própria história. Arquivos incompletos, fitas perdidas e a falta de catalogação ainda dificultavam o acesso a registros de atrações que marcaram época, como o Ratinho Livre. A comoção em torno de Azulão poderia pressionar emissoras e produtores a investir mais na organização de acervos e na valorização de seus antigos elencos.

Azulão morreu sem ver plenamente reconhecida, em vida, a importância de seu trabalho para a cultura popular brasileira. O desafio passou a ser transformar a comoção em memória duradoura, capaz de registrar, para além da saudade, o papel de quem ajudou a construir, com humor e presença de palco, um capítulo inteiro da televisão no país.

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