O Comandante do Exército, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, reforça nesta semana a aposta na modernização da Força ao vistoriar a 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, em Dourados (MS), e anunciar a pré-qualificação de 12 sistemas de drones de ataque para futuras aquisições militares.
A movimentação combina presença na linha de frente da fronteira oeste e avanço em tecnologia bélica, com impacto direto na prontidão da tropa e na indústria de defesa nacional.
Comandante vai à fronteira e testa prontidão da tropa
A visita à brigada ocorre nos dias 20 e 21 de julho e se desdobra em uma agenda típica de inspeção operacional. O general Tomás Paiva chega a Dourados acompanhado do Comandante Militar do Oeste, general Alcides Valeriano de Faria Júnior, responsável pela área que cobre a faixa de fronteira em Mato Grosso do Sul.
Logo na chegada, a comitiva participa de uma formatura com o efetivo das organizações militares subordinadas à 4ª Brigada. O ato, mais que protocolar, serve para medir o nível de disciplina, coesão e presença de pessoal. Em seguida, o comando acompanha um treinamento físico militar centralizado, em que a tropa é submetida a atividades de esforço intenso sob supervisão direta da alta cúpula.
O roteiro inclui ainda o apronto operacional do elemento logístico do 28º Batalhão Logístico, unidade responsável por manter munição, combustível e suprimentos em condições de uso imediato. Ao verificar esse apronto, o comando busca saber se a brigada consegue sustentar operações por períodos prolongados, sem depender de reforços externos.
No Centro de Operações da 4ª Brigada, o general Tomás Paiva observa como as ações em campo são planejadas e controladas em tempo real. As telas exibem mapas da região e fluxos de informações que integram tropas, sensores e meios aéreos, dentro de um modelo de combate cada vez mais baseado em dados.
SISFRON ganha protagonismo na faixa de fronteira
Um dos pontos centrais da visita é a apresentação do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, o SISFRON. O complexo de radares, sensores, câmeras e comunicações mostra, em tempo quase real, o movimento na faixa de fronteira oeste, onde a criminalidade transnacional tenta explorar brechas do Estado.
Militares da brigada demonstram como os recursos do sistema detectam deslocamentos suspeitos em terra e em rotas clandestinas, permitindo interceptações mais rápidas e cirurgias de apoio a outros órgãos de segurança. A avaliação do comando é que a tecnologia amplia a capacidade de controle territorial sem depender apenas de patrulhas tradicionais.
Ao sair da apresentação, oficiais presentes descrevem uma orientação clara do alto comando. “O SISFRON é peça-chave para garantir presença efetiva na fronteira, com menor exposição da tropa e maior eficiência operacional”, afirma o general Tomás Paiva, segundo militares que acompanham a visita.
O Comandante Militar do Oeste reforça a mesma linha. Para o general Alcides Valeriano de Faria Júnior, “a combinação de cavalgaria mecanizada e sensores de última geração dá à região de Dourados uma capacidade de resposta que poucos exércitos no continente possuem hoje”.
Do campo à bancada de testes: 12 drones de ataque avançam
Enquanto o Comando centraliza atenções na fronteira, a Diretoria de Fabricação, órgão do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, conclui uma etapa estratégica no processo de modernização: a pré-qualificação de 12 sistemas de drones de ataque.
Os equipamentos são desenvolvidos por seis empresas brasileiras e uma estrangeira, todas submetidas a avaliações técnicas rígidas. Os testes abrangem drones lançadores de munição e sistemas de munições remotamente pilotadas, categoria que inclui os chamados drones kamikazes, projetados para se lançar diretamente sobre o alvo.
A pré-qualificação funciona como um filtro técnico. Apenas os sistemas que cumprem critérios de desempenho, segurança e integração com os meios do Exército entram nessa lista. Isso não significa compras imediatas, mas habilita esses equipamentos a participar de futuras licitações e contratos, reduzindo riscos de aquisição de produtos imaturos.
Na prática, o Exército começa a desenhar um arsenal em que drones de ataque operam ao lado de blindados, artilharia e infantaria. O objetivo é ampliar o leque de opções de emprego da força, com ataques mais precisos, maior alcance e menor exposição de soldados em cenários de alto risco.
Indústria de defesa ganha fôlego, mas disputa espaço
A decisão de pré-qualificar 12 sistemas impulsiona diretamente a indústria de defesa nacional. As seis empresas brasileiras envolvidas ganham um selo de competitividade que pode se traduzir em contratos internos e parcerias externas, num mercado global em que drones de ataque se tornam peça central das doutrinas militares.
A presença de uma empresa estrangeira na lista sinaliza abertura a cooperações internacionais, mas também alimenta o debate sobre autonomia tecnológica. Oficiais próximos ao processo defendem que a combinação de projetos nacionais e soluções importadas acelera a curva de aprendizado e evita dependência excessiva de um único fornecedor.
O movimento, porém, pressiona setores tradicionais de armamentos menos tecnológicos, que tendem a perder prioridade orçamentária. Parte da estrutura logística e do treinamento precisa ser redesenhada para acomodar os novos sistemas, desde a formação de operadores especializados até a criação de protocolos de segurança para munições inteligentes.
Na 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, em Dourados, a expectativa é que a modernização chegue de forma gradual, começando por exercícios de integração entre o SISFRON e futuros drones de vigilância e ataque. A unidade, já vocacionada para resposta rápida na fronteira, se prepara para operar em um ambiente em que informação e tecnologia pesam tanto quanto o poder de fogo clássico.
Modernização contínua e próximos passos
Os movimentos desta semana indicam uma estratégia de longo prazo. O comando visita a linha de frente, testa a prontidão da tropa e, em paralelo, avança na seleção de novas armas inteligentes. A mensagem interna é de que o Exército precisa manter o passo com as transformações do campo de batalha contemporâneo.
A etapa seguinte, segundo oficiais envolvidos, passa por novas rodadas de testes, ajustes de requisitos e, mais adiante, abertura de processos de aquisição que podem injetar recursos significativos na indústria de defesa. O SISFRON, por sua vez, tende a ser ampliado e aprofundado, com maior integração a outras regiões de fronteira.
À medida que a tropa em Dourados treina sob a supervisão do comandante e que os 12 sistemas de drones pré-qualificados aguardam os próximos chamamentos, o Exército Brasileiro tenta equilibrar tradição de presença física com uma aposta consistente em tecnologia. A fronteira oeste se consolida como laboratório dessa transição.
Quais são os planos do Exército Brasileiro para a força blindada e o uso de drones?
Os planos atuais do Exército Brasileiro priorizam a modernização da força blindada com maior integração a sistemas digitais de comando e controle e a incorporação gradual de drones de vigilância e ataque, exemplificada pela pré-qualificação de 12 sistemas de drones de ataque que devem apoiar blindados em reconhecimento, proteção e fogo de precisão.