Documento mostra que Jeffrey Epstein comprou imóvel em bairro nobre de São Paulo

Escritura de 2003 revela aquisição de apartamento de alto padrão em Vila Olímpia pelo financista já falecido.
Redação NC News
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Documentos cartoriais obtidos por veículos de imprensa indicam que o financista norte-americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes de abuso sexual e tráfico de menores nos Estados Unidos, adquiriu um apartamento em São Paulo, no bairro de Vila Olímpia, na zona sul da capital paulista. A escritura pública data de 5 de maio de 2003 e mostra que o imóvel, em condomínio de alto padrão, ficou registrado em nome de Epstein por cerca de dois anos antes de ser vendido a uma terceira pessoa.

Segundo o registro oficial, o apartamento tinha cerca de 93 metros quadrados de área privativa, com dois quartos, dois banheiros e duas vagas de garagem. No documento, Epstein aparece descrito como “consultor”. Após mantê-lo em seu nome até 2005, ele vendeu o imóvel à modelo e empresária do setor da moda Ana Maria Gomes Macedo, que ainda figura como proprietária conforme os registros mais recentes.

A revelação da compra ocorre no contexto de uma maior exposição de documentos relacionados ao caso Epstein nos últimos meses, que também indicam a existência de um Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ativo no Brasil em nome do financista. A emissão do CPF era requisito legal para que estrangeiros pudessem adquirir bens imóveis no país.

Além do registro imobiliário, os arquivos liberados pelas autoridades norte-americanas têm mostrado que Epstein manteve contatos com diversas brasileiras, inclusive modelos, e tentou investimentos ou relações comerciais vinculadas ao Brasil. Essas trocas de mensagens e evidências levaram o Ministério Público Federal a instaurar procedimentos para investigar possíveis tentativas de aliciamento de mulheres brasileiras, em especial no âmbito do tráfico internacional de pessoas.

Embora a existência da escritura não comprove, por si só, qualquer crime no Brasil, a descoberta de que Epstein teve vínculos patrimoniais no país amplia o escopo das apurações e levanta novos questionamentos sobre as relações do financista com território brasileiro.

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