PF mira elo entre Careca do INSS, Lulinha e desvios bilionários

PF investiga ligação entre Careca do INSS e Lulinha em esquema bilionário envolvendo desvios e contratos na Saúde.
Redação NC News
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Um esquema que desvia cerca de R$ 6 bilhões das aposentadorias do INSS coloca hoje no centro das investigações o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e o filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A Polícia Federal apura suspeitas de tráfico de influência, contratos públicos fraudulentos e pagamento de propina que atravessam ministérios, estatais e órgãos de controle.

As apurações correm no Supremo Tribunal Federal e na PF e já renderam três inquéritos formais contra Lulinha. As revelações atingem a estrutura de governo, envolvem viagens internacionais, lobistas com trânsito livre na Esplanada e acirram a pressão política sobre o Palácio do Planalto.

Testemunha-chave descreve engrenagem de R$ 6 bilhões

O fio da meada surge nos depoimentos de Edson Claro, ex-diretor comercial da World Cannabis, empresa ligada a Antunes. Ao todo, ele passa mais de 80 horas falando à PF e detalha como funcionam os desvios de recursos destinados a aposentados do INSS.

Edson entrega mensagens, planilhas, fotos e diálogos de celular que, segundo investigadores, permitem reconstruir pagamentos, encontros e tentativas de influência sobre contratos públicos. “A primeira coisa que falei é que muita gente grande estava envolvida”, afirma.

Entre os negócios descritos, aparece um contrato de R$ 1 bilhão no Ministério da Saúde para venda de testes rápidos de dengue e zika. De acordo com Edson, o acordo prevê uma comissão de R$ 25 milhões para Lulinha por viabilizar o negócio. “Falei sobre a comissão de 25 milhões que o Antonio disse que pagaria para o filho do presidente e também sobre o envolvimento de outras pessoas importantes, incluindo o senador Weverton Rocha”, diz.

O delator relata que Antunes ameaça matá-lo caso ele conte o que sabe. Segundo Edson, o empresário promete “meter uma bala” na cabeça do subordinado. Desde que rompe o silêncio, o ex-executivo passa a receber ligações de números do exterior e do interior de São Paulo, algumas com recados de que estaria “falando muito”.

Mesadas, viagens e lobistas na Esplanada

Os depoimentos levam a PF a rastrear uma rede de pagamentos e viagens de negócios. Edson afirma que Lulinha viaja com o Careca do INSS para Portugal, Alemanha, Suíça e Espanha para discutir projetos ligados a saúde e tecnologia.

Ele diz também que o filho do presidente recebe uma mesada de R$ 300 mil, paga pela lobista Roberta Luchsinger e pela publicitária Danielle Fonteles, que vive em Portugal. “Lulinha recebia uma mesada de 300 mil reais paga pela lobista Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente, e pela publicitária Danielle Fonteles”, relata Edson.

Roberta constrói influência em Brasília como dona de uma consultoria que representa empresas interessadas em contratos federais. Registros oficiais apontam oito agendas dela no Palácio do Planalto e ao menos 32 visitas a gabinetes de ministérios e órgãos públicos entre 2023 e 2025, incluindo Saúde, Desenvolvimento Social e BNDES.

Nesse período, o Careca do INSS repassa R$ 1,5 milhão à lobista, em cinco parcelas de cerca de R$ 300 mil. A PF encontra um contrato entre a empresa de Roberta e a consultoria de Antunes, com previsão de pagamentos de R$ 100 mil por projeto, que incluíam iniciativas na área de energia, saúde e tecnologia.

Pressão sobre Ministério da Saúde e Dataprev

Conversas interceptadas pela PF indicam que o grupo tenta abrir portas no Ministério da Saúde e na Anvisa para projetos de testes rápidos e medicamentos à base de cannabis no SUS. Em um áudio, Roberta orienta Antunes sobre como contornar uma licitação. “É contratação, sim. Ele sabe que é dispensa. É a nova lei das licitações… Podemos criar um documento bem robusto pedindo a dispensa de licitação”, afirma.

Investigadores apuram também tentativas de influência sobre a Dataprev, estatal responsável por dados da Previdência. O objetivo seria explorar contratos de tecnologia ligados à folha de pagamento de benefícios e ao cruzamento de informações de aposentados.

O nome do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, surge nas conversas. Ele nega encontros com a lobista na atual gestão. “Não recebi Roberta nenhuma vez no Ministério da Saúde após ter assumido a pasta em março de 2025”, diz. Segundo a PF, o contrato para medicamentos de cannabis não chega a ser assinado.

Ex-assessor do Planalto, empresários e senadores na mira

As investigações alcançam o ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que deixa o cargo recentemente. A PF identifica pagamentos feitos por Roberta a ele. Marcola afirma que não há irregularidade. “Ele recebeu os valores na forma de um empréstimo, posteriormente quitado”, diz, sem informar o montante.

Empresários da área de tecnologia também entram no radar. Em nota, o executivo Cléber Ribas nega ter negócios com o Careca do INSS. “Nem Cleber Ribas nem a empresa da qual é CEO celebraram qualquer acordo ou contrato com Antonio Camilo Antunes”, afirma a defesa.

O senador Weverton Rocha aparece nas declarações de Edson como um dos políticos supostamente envolvidos na articulação de contratos. Ele não se manifesta publicamente sobre o conteúdo da delação até agora. O caso alimentar discussões na CPMI do INSS, instalada para investigar desvios na Previdência e tentar garantir proteção a testemunhas.

A comissão busca incluir Edson no programa de proteção, mas ele segue fora do sistema formal e relata se sentir vulnerável. As ameaças e a circulação de nomes ligados ao alto escalão acendem o alerta sobre a capacidade do Estado de proteger delatores em casos de corrupção bilionária.

Defesas falam em ‘pesca probatória’ e PF amplia inquéritos

A defesa de Lulinha ataca o rumo das apurações e classifica os inquéritos como tentativa de vasculhar a vida do cliente sem base concreta. “Não tem relação direta ou indireta com os negócios de Roberta Luchsinger”, afirma a equipe jurídica, que chama as diligências de “pesca probatória”.

Os advogados de Antunes alegam falta de acesso aos autos e evitam comentários. “A defesa não teve acesso à investigação nem ao conteúdo do celular dele e por isso não iria se manifestar”, diz a criminalista Danyelle Galvão. O advogado de Roberta, Roberto Podval, comunica ao STF que só se pronunciará nos processos.

Careca do INSS cumpre prisão preventiva em um presídio federal, após ordem judicial baseada no risco de obstrução das investigações e de intimidação de testemunhas. A Papuda, em Brasília, já recebe outros detidos do caso, e o nome de Antunes aparece em pedidos de habeas corpus ainda sem decisão definitiva.

Os inquéritos seguem em andamento. A PF continua a quebras de sigilo, perícias em celulares e rastreamento de fluxos financeiros no Brasil e no exterior. A expectativa é de novas oitivas e possível transformação das apurações em denúncias formais à Justiça, o que pode reconfigurar o tabuleiro político em pleno ciclo pré-eleitoral.

Quem é o Careca do INSS e qual seu envolvimento no escândalo?

Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, é um empresário preso preventivamente e apontado pela PF como chefe de um esquema que desvia cerca de R$ 6 bilhões de aposentadorias do INSS, articulando contratos fraudulentos, uso de lobistas em Brasília, ameaças a testemunhas e tentativas de influenciar ministérios e estatais.

Qual a relação entre o Careca do INSS e Lulinha nas investigações?

Careca do INSS e Lulinha aparecem ligados em pelo menos três inquéritos da PF, que investigam se o empresário prometeu pagar R$ 25 milhões ao filho do presidente para viabilizar um contrato de R$ 1 bilhão na Saúde, financiou viagens internacionais conjuntas e manteve, por meio de lobistas, uma mesada mensal de R$ 300 mil ao investigado.

Quais foram as ações do Careca do INSS para abrir portas no governo federal?

Careca do INSS contrata a lobista Roberta Luchsinger, paga R$ 1,5 milhão em cinco parcelas e usa a consultoria dela para acessar ao menos oito agendas no Planalto e 32 visitas a ministérios, buscando contratos bilionários em áreas como testes rápidos, cannabis medicinal, energia e tecnologia, inclusive tentando interferir em Saúde, Anvisa e Dataprev.

Qual a situação atual do Careca do INSS após as operações da Polícia Federal?

Careca do INSS permanece hoje em prisão preventiva, decretada após operações da PF que identificam risco de destruição de provas e intimidação de testemunhas, como ameaças de morte ao delator Edson Claro, enquanto sua defesa tenta habeas corpus e a Polícia Federal aprofunda quebras de sigilo, perícias e rastreamento de recursos supostamente desviados.

Onde está o Careca do INSS atualmente?

Careca do INSS está recolhido em regime de prisão preventiva em um presídio sob custódia federal, com processos em curso no Supremo e na Justiça de primeira instância, enquanto aguarda decisão sobre pedidos de habeas corpus e segue sendo alvo de inquéritos que investigam lavagem de dinheiro, corrupção, tráfico de influência e desvio de recursos previdenciários.


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