O Estrela Vermelha de Belgrado entra em campo nesta terça-feira precisando virar o 1 a 0 do jogo de ida contra o Hapoel Beer Sheva para seguir sonhando com a Champions League. A equipe sérvia se apoia na força do estádio Rajko Mitić e na ótima fase doméstica para buscar a vaga no playoff.
Clima de decisão em Belgrado
O time de Dejan Stanković chega ao jogo pressionado, mas em alta no campeonato nacional. São três vitórias em três rodadas na Superliga da Sérvia, com 9 pontos e desempenho ofensivo convincente. A rota europeia também inspira confiança: antes do tropeço em campo neutro, a equipe atropelou o Larne com 9 a 0 no agregado.
O revés na Hungria, porém, expõe as fragilidades que o Estrela Vermelha precisa corrigir agora. A falha entre o goleiro Mateus e o zagueiro Derrick Luckassen, que abriu caminho para o gol de Zahi Ahmed aos 38 minutos, virou alerta interno. A incapacidade de empatar mesmo com um jogador a mais por mais de 30 minutos reforça a cobrança por eficiência.
Stanković não disfarça a responsabilidade. Após a derrota, o técnico assumiu o erro na escalação e pediu mudança de postura. “Dejan Stanković assumiu a responsabilidade pela escalação após a derrota e pediu mais agressividade e confiança para o confronto de volta”, resume o ambiente no vestiário. O recado vale para todos, do goleiro ao ataque.
Estrela ajusta peças e mira lado frágil do rival
O treinador calibra o elenco para chegar inteiro ao duelo. A vitória por 2 a 0 sobre o Novi Pazar, no fim de semana, vem com time mexido e jogadores poupados. A prioridade passa a ser clara desde que a chave europeia é conhecida: chegar ao jogo de hoje com perna e cabeça frescas.
O Estrela Vermelha mantém a base do 4-2-3-1. Rade Krunić volta a ser peça central no meio-campo, ao lado de Mohamed Abu Fani, dando sustentação para os homens de frente. Luckassen, recém-chegado, tende a seguir no miolo de zaga, mesmo marcado pela falha da ida. O jovem lateral-esquerdo Adem Avdic permanece fora por lesão sofrida em junho.
Pelas pontas, Loizos Loizou e Osman Bukari disputam a vaga na esquerda, em duelo silencioso que atravessa a pré-temporada. Nenhum se firma como titular absoluto, o que abre espaço para decisões de última hora. Marko Arnautović surge como arma para o segundo tempo, especialmente se o placar exigir gols na reta final.
No desenho tático, a estratégia sérvia mira um ponto específico: o lado esquerdo da defesa israelense. A suspensão de Matan Baltaksa, expulso aos 58 minutos na ida, força Ran Kožuh a mexer na lateral. O português Pedro Amador, de origem na posição, deve herdar a vaga, ainda sob observação após atuar como reserva no primeiro encontro.
Hapoel chega em baixa, mas com a vantagem
O Hapoel Beer Sheva desembarca em Belgrado com a vantagem do 1 a 0, mas sem clima de euforia. O atual campeão de Israel acumula derrotas para o Maccabi Tel Aviv na Supercopa e na Copa nacional, sequência que evidencia uma pré-temporada instável. “O Hapoel Beer Sheva vive uma pré-temporada abaixo do esperado para o atual campeão de Israel”, descreve o cenário.
Kožuh, porém, constrói sua força nos números recentes do clube. O treinador soma 67% de aproveitamento em 72 jogos e lidera o processo que levou o Hapoel ao título nacional. No palco continental, assume um papel raro: o de azarão. Em casa, a equipe está acostumada a mandar; em Belgrado, precisa resistir.
A postura deve ser mais conservadora do que na Hungria. O Hapoel tende a manter o 4-3-3, com Igor Zlatanović centralizado no ataque, apoiado por Javon East e Zahi Ahmed pelos lados. A aposta passa por repetir a fórmula do gol da ida: explorar a velocidade nas transições e os espaços da linha alta sérvia.
O caminho até aqui, para os israelenses, também não foi suave. Na fase anterior, o time perde o jogo de ida para o Vikingur Reykjavik por 2 a 1, na Islândia, e vira em casa com 2 a 0. A capacidade de reagir em contexto adverso contrasta com o momento atual, em que sustentar uma vantagem mínima em ambiente hostil vira o grande teste.
Vaga no playoff e pressão por resultado
A eliminatória aberta aumenta a temperatura sobre os dois lados. O Estrela Vermelha sabe que um novo desperdício de chances pode custar caro. O Hapoel tem consciência de que recuar demais diante de um estádio cheio e de um rival com vocação ofensiva pode transformar a noite em drama.
O prêmio da noite é concreto: quem avançar encara no playoff o vencedor do duelo entre Aarhus, da Dinamarca, e Sabah, do Azerbaijão. Valem não só a chance de entrar na fase de grupos da Champions League, mas também a exposição internacional e a receita de uma temporada inteira.
No plano esportivo, o jogo também marca um encontro inédito. Estrela Vermelha e Hapoel Beer Sheva nunca haviam se enfrentado de forma oficial antes desta temporada. O único registro até aqui é justamente a vitória israelense por 1 a 0 em Szombathely, na Hungria, em campo neutro imposto por questões de segurança.
O ambiente em Belgrado reforça a sensação de confronto-chave. A sequência perfeita no campeonato sérvio, o 9 a 0 sobre o Larne e o peso da torcida alimentam o favoritismo do Estrela. A ferida da ida, no entanto, impede qualquer clima de confiança exagerada. Stanković insiste em duas palavras desde o apito final na Hungria: agressividade e confiança.
O Hapoel, por sua vez, se apega à disciplina defensiva e à capacidade de incomodar em contra-ataques esporádicos. Uma noite precisa do goleiro Ofir Marciano pode fazer a diferença, sobretudo se o Estrela repetir o volume ofensivo apresentado na campanha europeia até aqui.
A partida desta terça-feira tem cara de encruzilhada para os dois clubes. A confirmação da força sérvia em casa ou a surpresa israelense em Belgrado definirá não só o próximo adversário, mas o tamanho do calendário europeu de cada um. A resposta vem em 90 minutos, talvez um pouco mais, sob os refletores do Rajko Mitić.