O Brasil apresentou melhora em 71% dos indicadores de desigualdade monitorados em 2025, mas voltou a registrar aumento na concentração de renda. Os dados fazem parte do Observatório Brasileiro das Desigualdades e foram divulgados nesta quarta-feira (12).
Dos 48 indicadores analisados, 71% apresentaram melhora, enquanto 16% pioraram e 13% permaneceram estáveis.
Mercado de trabalho e pobreza tiveram avanços
Segundo o levantamento, os principais avanços ocorreram em áreas como mercado de trabalho, renda média, redução da pobreza e segurança alimentar.
O desempenho indica uma melhora em diferentes condições sociais da população brasileira ao longo de 2025.
Apesar disso, os resultados mostram que a evolução não ocorreu de maneira uniforme entre todos os grupos.

Ricos aumentaram distância dos mais pobres
O principal alerta do estudo está relacionado à concentração de renda.
Em 2025, o 1% mais rico da população, formado por aproximadamente 2,1 milhões de pessoas, teve rendimento médio 31,5 vezes maior que o registrado pelos 50% mais pobres, grupo que reúne mais de 100 milhões de brasileiros.
Isso significa que, mesmo com o aumento da renda média nacional, a diferença entre os extremos da pirâmide social voltou a crescer.
Renda média chega a R$ 3.376
O rendimento médio real dos brasileiros alcançou R$ 3.376 em 2025, representando uma alta de 5,3% em relação ao ano anterior.
O crescimento, porém, não foi distribuído igualmente entre os diferentes grupos da população.
A renda dos brasileiros aumentou, mas os ganhos entre os mais ricos cresceram em ritmo superior ao observado entre os mais pobres.
Mulheres ainda ganham menos que homens
As diferenças também permanecem evidentes quando os dados são analisados pelo recorte de gênero.
O rendimento médio das mulheres cresceu 4,8% em 2025, enquanto o dos homens avançou 5,8%.
A diferença se torna ainda maior quando são considerados simultaneamente gênero e raça.
Mulheres negras estão entre os grupos mais afetados
O levantamento aponta que o rendimento médio das mulheres negras ficou em R$ 2.184.
O valor representa 57,8% menos do que a renda média dos homens não negros, que chegou a R$ 5.172.
Os números mostram que as desigualdades econômicas continuam relacionadas a fatores como gênero e raça.
Sudeste concentra maior desigualdade de renda
As diferenças também aparecem entre as regiões brasileiras.
O Sudeste apresentou a maior distância entre ricos e pobres, com o rendimento do 1% mais rico superior a 30 vezes ao da metade mais pobre da população.
A região concentra grande parte da atividade econômica e da renda do país, mas também apresenta forte concentração dos ganhos.
Norte ainda enfrenta desafios sociais
Na outra ponta, o Norte continua apresentando alguns dos piores indicadores sociais, principalmente na área de segurança alimentar.
Os dados mostram que os avanços registrados em 2025 não eliminaram as diferenças regionais e sociais existentes no país.
Avanço social convive com concentração de renda
O levantamento do Observatório Brasileiro das Desigualdades apresenta um cenário contraditório.
O Brasil conseguiu melhorar a maioria dos indicadores monitorados, mas ainda enfrenta dificuldades para distribuir de maneira equilibrada os ganhos obtidos pela população.
A combinação de aumento da renda média com crescimento da concentração revela que o avanço econômico e social ainda não foi suficiente para reduzir de forma significativa o abismo entre os brasileiros mais ricos e os mais pobres.