Kristen Stewart revisita perrengues de ‘Crepúsculo’ no Brasil

Atriz compartilha momentos desafiadores e curiosidades vividas durante as filmagens no Brasil.
Redação NC News
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Kristen Stewart, 36, volta a falar do Brasil e expõe os bastidores nada glamourosos das gravações de “Amanhecer: Parte 1”, da saga “Crepúsculo”, no Rio e em Paraty. Em entrevista publicada nesta semana, a atriz descreve tempestade, confinamento em hotel, assédio de fãs e até a primeira dose de cachaça.

Tempestade em Paraty e sensação de estar em um filme de desastre

As memórias mais vívidas de Stewart estão ligadas à mansão de luxo em Paraty, cenário da lua de mel de Bella Swan e Edward Cullen, vividos por ela e Robert Pattinson. O lugar paradisíaco vira cenário de tensão quando uma tempestade impede a saída da equipe da ilha.

“Todos ficamos presos nessa casa e não pudemos sair”, lembra a atriz.

O único acesso dependia de um pequeno barco, insuficiente para tirar todos ao mesmo tempo. A produção se vê obrigada a decidir quem sai e quem fica, em meio a um cronograma apertado e orçamento vigiado.

Stewart conta que o clima entre os bastidores azeda rápido. “A equipe toda estava realmente contando as moedas. Eles estavam bem furiosos e irritados que a produção não conseguia tirar eles da ilha”, diz.

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O potencial risco logístico, somado à pressão financeira, transforma o set de cinema em problema de transporte real. O bom humor, no entanto, aparece na forma de comparação com outro épico.

“Tinha apenas um pequeno barco, e eles estavam tipo: ‘Podemos levar o elenco essa noite’. Eu pensei: ‘Isso é o Titanic!’”, conta, rindo da própria lembrança. A anedota sintetiza a mistura de luxo e precariedade típica de grandes produções em locações remotas.

Cachaça, confinamento no hotel e amor barulhento dos fãs

Em meio à tensão, surge uma memória bem brasileira: a primeira cachaça da carreira de Kristen Stewart. A bebida típica vira parte inseparável da lembrança de Paraty.

“Foi primeira vez que eu tomei. É tipo um elixir alcoólico. Eu olho fotos desse lugar e penso: ‘cachaça’. Associação de memória!”, afirma.

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A passagem pelo Rio de Janeiro também marca a atriz, mas por outro motivo: a proibição de circular pela cidade. Parte das cenas é rodada na Lapa, cartão-postal boêmio, mas os momentos de lazer praticamente não existem.

“Mesmo quando chegamos ao Rio, não tínhamos permissão de sair. Todos meio que sabiam que estávamos ali”, diz.

Segundo Stewart, a justificativa oficial da produção é a segurança.

“Nos falaram que era perigoso ou algo do tipo. O que provavelmente era uma mentira de qualquer jeito”, provoca.

O confinamento no hotel não impede, porém, a aproximação dos fãs brasileiros. A histeria em torno da saga “Crepúsculo” ainda está no auge, e a presença do casal protagonista, que também namora na vida real, funciona como imã.

“Eu só me lembro de ouvir ‘Kristen! Kristen! Kristen!’, e a gente estava, tipo, no 30º andar do hotel”, conta.

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O relato ilustra a intensidade do assédio: mesmo a dezenas de metros de altura, a atriz se sente cercada por vozes. A devoção do público rende carinho, mas cobra preço alto em privacidade e descanso. O episódio também aponta para o desafio de qualquer produção internacional no país: conter multidões sem quebrar o vínculo afetivo com os fãs.

Logística, segurança e impacto para o audiovisual brasileiro

As histórias de Stewart jogam luz sobre o lado menos visível das filmagens internacionais. O Brasil aparece ao mesmo tempo como cartão-postal e terreno de operação complexa, em que clima, infraestrutura e multidões redefinem a rotina de elenco e equipe técnica.

Na prática, a tempestade em Paraty expõe a fragilidade de produções que dependem de pouco transporte para acessar ilhas e locações isoladas. Um único barco retém dezenas de profissionais, encarece diárias e alimenta conflitos internos. Para o turismo local, o episódio mostra que a presença de grandes produções traz visibilidade, mas exige preparo para imprevistos climáticos.

No Rio, o confinamento no hotel enquanto cenas são rodadas nas ruas revela outro eixo de tensão: segurança privada, planejamento urbano e pressão dos fãs. Ao alegar perigo e manter os protagonistas longe da cidade, a produção prioriza proteção e previsibilidade, mas limita o contato dos artistas com o ambiente que tentam retratar na tela.

A lembrança insistente da cachaça e das locações brasileiras também reforça o peso do intercâmbio cultural nesses projetos. Ao associar uma bebida típica e paisagens locais a um fenômeno global de bilheteria, a atriz ajuda a fixar o Brasil no imaginário dos fãs da saga “Crepúsculo”, ainda numerosos em 2026.

A entrevista reacende a nostalgia em torno da franquia e reabre discussões sobre bastidores de produções estrangeiras no país. Para o setor audiovisual, o relato funciona como alerta e vitrine: mostra a necessidade de protocolos claros de segurança, logística mais robusta para ilhas e praias isoladas e formas menos opressivas de lidar com o entusiasmo dos fãs.

Stewart segue ativa em filmes e séries e mantém status de ícone para uma geração que cresceu com Bella Swan. À medida que novas entrevistas surgem, as memórias brasileiras da atriz tendem a voltar à pauta, agora filtradas pelo tempo e pela experiência. Para o Brasil, a lembrança é convite para se posicionar como destino desejado para grandes produções, mas com bastidores mais equilibrados entre proteção, liberdade e respeito à privacidade de quem está diante das câmeras.

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