Embrapa recomenda planejamento antecipado para reduzir impactos do El Niño na safra 2026/27

Nota técnica reúne orientações para produtores do Sul do Brasil e mostra como manejo do solo, época de plantio e monitoramento climático podem reduzir riscos
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O produtor rural que pretende plantar soja na safra 2026/27 já precisa considerar uma variável que pode interferir diretamente no resultado da lavoura: o comportamento do clima.

Uma nota técnica elaborada por sete unidades da Embrapa reúne recomendações para reduzir os possíveis impactos do El Niño sobre a agropecuária da Região Sul do Brasil. O documento considera a probabilidade de 97% a 99% de permanência do fenômeno até o início de 2027 e reforça uma mensagem central: diante de um cenário climático mais desafiador, a estratégia mais eficiente é se antecipar.

A orientação não significa que o produtor possa prever exatamente quando e onde vai chover. O objetivo é usar as informações climáticas disponíveis para tomar decisões de manejo com antecedência.

O clima muda a estratégia dentro da propriedade

O El Niño altera os padrões de temperatura e precipitação em diferentes regiões do planeta. No Sul do Brasil, os efeitos esperados podem incluir chuvas acima da média em determinados períodos, além de maior risco de eventos extremos.

Para a agricultura, o problema não está apenas na quantidade de chuva.

Quando chove demais, o solo pode perder capacidade de operação, aumentar o risco de erosão, dificultar o plantio e favorecer doenças. Quando falta água em fases importantes da cultura, a produtividade também pode ser comprometida.

Por isso, o planejamento precisa considerar os dois extremos.

Solo preparado funciona como uma espécie de seguro

Entre as recomendações técnicas está o fortalecimento de práticas que aumentam a capacidade do solo de lidar com variações climáticas.

O sistema plantio direto, por exemplo, ajuda a manter cobertura sobre o solo, favorece a infiltração da água e reduz perdas por erosão.

A Embrapa também destaca a importância de práticas de conservação do solo, manejo adequado da água e, em determinadas situações, sistemas de drenagem.

Esse tipo de preparação não elimina o risco climático, mas pode aumentar a capacidade de a lavoura resistir a períodos de excesso ou falta de água.

A época de plantar também entra na conta

Outro ponto importante é o momento da semeadura.

A escolha da época de plantio precisa considerar o calendário oficial da cultura, as características da região, o ciclo da cultivar e as condições climáticas esperadas.

No caso da soja, o calendário de semeadura para a safra 2026/27 já foi estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária para os estados abrangidos pela regulamentação. A Embrapa ressalta que o planejamento da época de semeadura é uma das ferramentas para reduzir a exposição da lavoura aos períodos de maior risco climático.

O produtor também pode trabalhar com escalonamento da semeadura e cultivares de diferentes ciclos, estratégias que distribuem o risco ao longo da safra.

Tecnologia também entra no planejamento

O monitoramento das previsões meteorológicas é outra recomendação importante.

A ideia é que o produtor não tome decisões apenas com base em uma previsão isolada, mas acompanhe a evolução das condições climáticas e combine essa informação com dados do Zoneamento Agrícola de Risco Climático, o Zarc.

Uma novidade importante é que o próprio Zarc está incorporando a qualidade do manejo do solo como fator de avaliação do risco. O chamado ZarcNM considera características como tempo sem revolvimento do solo, cobertura com palhada, condições químicas do solo e diversidade de culturas.

Na prática, isso significa reconhecer que duas propriedades submetidas à mesma chuva ou ao mesmo período de seca podem apresentar respostas diferentes dependendo da qualidade do manejo adotado.

O que isso significa para quem não é produtor?

Embora a recomendação seja dirigida ao campo, o efeito do clima não fica dentro da porteira.

A soja é uma das principais commodities agrícolas do Brasil e está presente em uma cadeia que envolve óleo, farelo para alimentação animal, carnes, biocombustíveis e diversos produtos da indústria de alimentos.

Uma quebra significativa de produtividade pode reduzir a oferta, alterar preços e aumentar a necessidade de movimentação de produtos entre regiões.

Por isso, quando a Embrapa fala em preparar o solo, escolher melhor a época de plantio e acompanhar o clima, está falando também de reduzir o risco de problemas futuros no abastecimento e nos custos de produção.

Prevenção custa menos do que remediar

A principal mensagem da nota técnica é justamente essa: o planejamento precisa começar antes do problema aparecer.

A Embrapa destaca que medidas preventivas podem reduzir perdas provocadas por excesso de chuva, doenças e outros efeitos associados ao fenômeno climático. O documento também recomenda atenção ao seguro rural e ao acompanhamento contínuo das condições meteorológicas.

Para uma atividade que depende diretamente do clima, antecipar decisões pode fazer diferença entre apenas reagir a uma adversidade e entrar na safra mais preparado para enfrentá-la.

E, em uma das principais cadeias agrícolas do Brasil, essa preparação interessa não apenas ao produtor, mas também à indústria, ao comércio exterior e ao consumidor.

Fonte: Embrapa.

 

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